A venda integral do Fundo V do Patria Investimentos e co-investidores na Smart Fit (SMFT3), transação que movimentou R$ 890 milhões, pressionou as ações da maior rede de academias da América Latina na B3 nesta segunda-feira (23). O papel SMFT3 fechou com queda de 3,26%, negociado a R$ 20,75, na esteira do anúncio do desinvestimento após 15 anos de permanência no capital social da operação.
Redução estratégica de participação acionária
| Período | Estimativa de participação acionária |
|---|---|
| 2010 (após entrada) | Não informado |
| 2023 (data não especificada) | 13,5% |
| 9 de fevereiro de 2024 | 6,9% (42,4 milhões de ações) |
| Pós-venda anunciada (2024) | 0% |
A tabela demonstra a trajetória descendente da participação do Patria Investimentos, responsável por uma das primeiras injeções de capital no setor de saúde física no Brasil via fundo de private equity. Em declaração à Reuters, Luis Felipe Cruz, sócio da casa, garantiu que a decisão se vincula a estratégias do próprio fundo e não reflete desalinhamento com o desempenho da empresa, destacando que 'a companhia está em um nível de maturidade muito grande'.
Justificativa para a mudança de estratégia
O executivo ressaltou que a saída é alinhada à busca por alocação mais focada em segmentos com maior potencial de expansão e resistência a ciclos econômicos adversos.
'Mais recentemente, fizemos negócios no setor de saúde e alimentos e bebidas. São setores que têm potencial de crescimento importante e, de certa forma, têm performance direcionada a tendências seculares', explicou Cruz sobre o realinhamento setorial.
Visão de analistas e projeções
Analistas do JPMorgan mantiveram recomendação de compra para as ações SMFT3, considerando a baixa resposta a uma oportunidade de entrada para investidores de longo prazo. O relatório do banco projeta crescimento sólido do Lucro por Ação (EPS) da companhia nos próximos anos. Contudo, o impacto imediato da operação gerou uma diferença de percepção entre o timing do fundo e o mercado: enquanto o Pátria opera sob critérios de alocação, os investidores retomam análise sobre a resiliência da operação sem o suporte acionário de um dos sócios históricos.
O que isso significa para o investidor
Para o público de perfil intermediário a avançado da B3, a transação expõe nuances do gerenciamento de carteira por fundos de private equity. Dois eixos merecem atenção: a manutenção do fluxo operacional em uma companhia que atinge maturidade no gerenciamento (5,2 milhões de clientes, 16 países) e a volatilidade de curto prazo gerada por movimentos de grandes acionistas, que nem sempre se correlacionam com métricas financeiras. A correlação com o cenário macroeconômico aparece via juros: num ambiente de Selic elevado, o custo médio de capital para negócios em expansão pode tornar-se desafiador, ainda que a Smart Fit já esteja em fase de cash generation.
Riscos envolvidos na operação
- Redução do investimento institucional pode aumentar a volatilidade no curto prazo
- Concentração de investidores de varejo pode levar a ajustes emocionais nos preços
- Expansão internacional frente a moedas voláteis nas Américas
Enquanto isso, a companhia segue com seus planos de consolidação no setor fitness, com metas de abertura de novas unidades e otimização de operações, indicando que a mudança na base acionária não afeta imediatamente a estratégia operacional. O movimento do Patria pode servir de benchmark sobre alocações estratégicas em ativos que atingiram maturidade dentro de carteiras diversificadas.
