Autoridades da China continental interromperam o Solana Accelerate, evento da rede Solana realizado em Xangai, após identificarem supostas campanhas promocionais conduzidas por entidades nacionais. A informação foi divulgada por um veículo de imprensa apoiado pelo Estado chinês, que ouviu um funcionário não identificado de um departamento do Banco Popular da China (PBoC). Segundo o relato, a Solana oferece suporte técnico a emissões e negociações de cripto, atividades que o funcionário classificou como ilegais na China. A reportagem circulou em 6 de novembro.

Anúncios em Lujiazui e o histórico no país

De acordo com a apuração, a marca ganhou visibilidade com anúncios em um prédio do distrito financeiro de Lujiazui, em Xangai, veiculados por organizações do próprio país. Esse detalhe pesou na avaliação das autoridades, que enxergaram na divulgação uma forma de promoção de atividades restritas, e não apenas uma ação de marketing.

O episódio não é isolado. Em outubro de 2025, um evento da rede em Shenzhen foi encerrado antes do horário previsto por limitações do local e preocupações de segurança pública, conforme publicação da comunidade chinesa da Solana na rede X. Com o caso de Xangai, a rede soma a segunda interrupção de um evento na China continental em dois anos.

Lily Liu, que preside a Solana Foundation, escreveu em postagem na rede X, datada de 16 de outubro, que os organizadores adiaram o evento de Xangai para atender a exigências locais. Segundo ela, o número de inscritos quadruplicou de forma inesperada e passou do teto de participantes informado previamente às autoridades. A versão apresentada pela fundação, portanto, atribui o ajuste a questões de capacidade e não a uma disputa regulatória.

Restrições ampliadas desde fevereiro

Em aviso de fevereiro, o PBoC e outras agências chinesas reforçaram o rol de restrições ao setor de criptomoedas. A novidade foi a vedação expressa à emissão sem autorização de stablecoins lastreadas em yuan, ou seja, criptoativos cujo valor é atrelado à moeda chinesa. Para o investidor, a medida confirma que o alcance da regulação vai além das corretoras e das plataformas de negociação.

Cronologia dos episódios

DataFato
Outubro de 2025Evento da Solana em Shenzhen encerrado antes do previsto
16 de outubroOrganizadores adiam o evento em Xangai após inscrições quadruplicarem
FevereiroAviso do PBoC reforça restrições e veta emissão de stablecoins atreladas ao yuan sem autorização
6 de novembroReportagem informa a interrupção do Solana Accelerate em Xangai

O que muda para o investidor

A leitura central é que Pequim trata a divulgação e a infraestrutura de suporte como parte do mesmo problema regulatório. Projetos de blockchain com presença ou público na China continental passam a ter um risco que não se limita à negociação de tokens, pois atinge também a comunicação institucional e a organização de eventos.

É preciso considerar, porém, a natureza da fonte. A reportagem depende de um funcionário não identificado e não cita um comunicado oficial do banco central sobre o caso. Já a explicação da Solana Foundation aponta para capacidade e logística, o que mantém em aberto a extensão real da medida.

Quem acompanha o setor deve observar se a reação permanece restrita a eventos ou se evolui para normas que alcancem prestadores de serviços técnicos de blockchain. A proibição reforçada às stablecoins atreladas ao yuan também sinaliza que a China não pretende ceder espaço a moedas digitais que concorram com sua moeda.