Recordes em Wall Street com alívio no petróleo e nos juros

Dois dos três principais índices acionários dos Estados Unidos encerraram a sessão de terça-feira (6 de outubro) no maior nível de fechamento já registrado. O S&P 500 subiu 0,58%, a 7.818,95 pontos, e o Nasdaq Composite avançou 0,45%, para 27.599,79 pontos. O Dow Jones Industrial Average ganhou 0,49%, terminando a 51.521,04 pontos, e ainda está mais de 5% abaixo do pico histórico de 5 de agosto.

ÍndiceVariaçãoFechamento
Dow Jones+0,49%51.521,04
S&P 500+0,58%7.818,95
Nasdaq Composite+0,45%27.599,79

Duas forças sustentaram a alta. As cotações do petróleo deixaram de subir e o retorno dos Treasuries americanos recuou, devolvendo parte do apetite por risco. Em paralelo, o foco dos investidores migrou para a temporada de resultados do terceiro trimestre, que se inicia na próxima semana.

A chance de alta do Fed cai de 50,9% para 19,4%

A probabilidade precificada de um segundo aumento consecutivo dos juros pelo Federal Reserve neste mês caiu para 19,4%, ante 50,9% uma semana antes, segundo a ferramenta FedWatch, da CME.

A leitura do mercado para o petróleo explica o recuo. Se as cotações do barril param de avançar ou cedem, “isso faz com que os rendimentos caiam, pois há menos ansiedade em relação à inflação impulsionada pela energia, o que, por sua vez, está ajudando a elevar as ações”, afirmou Oliver Pursche, vice-presidente sênior da Wealthspire Advisors, em Nova York.

O temor de um repasse inflacionário mais amplo cresceu com a guerra no Irã. A pressão arrefeceu depois que os países do G7 acertaram a liberação de estoques emergenciais de diesel e de petróleo bruto, o que ajudou a estabilizar os vencimentos mais próximos do WTI e do Brent.

Tim Ghriskey, estrategista sênior de portfólio da Ingalls & Snyder, em Nova York, avalia que “Não esperamos que (o Fed) tome nenhuma medida na próxima reunião”.

Balanços do 3º tri concentram a expectativa

A largada da temporada de resultados do período de julho a setembro ocorre na próxima semana, com várias instituições financeiras de grande porte divulgando seus números na terça-feira seguinte. A projeção dos analistas é de um avanço anual de 30,6% nos lucros das companhias do S&P 500, segundo a LSEG.

SetorCrescimento esperado do lucro
S&P 500 (total)+30,6%
Energia+114,7%
Tecnologia+66,5%

Dos 11 setores do S&P 500, dez subiram na sessão, com serviços públicos na liderança. O único no campo negativo foi o de saúde.

Marvell, AMD e Constellation entre os destaques

Quatro movimentos individuais se sobressaíram. A Marvell Technology avançou 5,8% após elevar a projeção de receita para 2028, amparada na demanda por chips para data centers. A AMD subiu 2,8%, depois que a presidente-executiva Lisa Su sinalizou que pretende elevar de modo expressivo a oferta de chips em 2027, respondendo à procura crescente por inteligência artificial.

A Constellation Energy disparou 12,3% com o contrato firmado pela Alphabet para fornecimento de 3.590 megawatts de energia. Já a Option Care Health saltou 32,7%, após a McKesson e a gestora de private equity Clayton Dubilier & Rice acertarem a compra da provedora de terapia de infusão num negócio estimado em US$ 5,8 bilhões, já contabilizadas as dívidas.

Déficit comercial cresce 13,7% com importações recordes

Segundo o Departamento de Comércio, o déficit comercial americano avançou 13,7%, com as importações atingindo novo recorde. Na comparação mensal, as compras externas cresceram 4,3%; na anual, 28,4%. Já as importações de bens de capital avançaram 4,4% em agosto, reflexo em parte dos gastos com infraestrutura de inteligência artificial — movimento acompanhado pelo índice de semicondutores Philadelphia SE Semiconductor, que voltou a ganhar terreno.

A demanda interna aquecida tende a reforçar as pressões inflacionárias, sobretudo em um ambiente de restrições de oferta ligadas à guerra.

O que observar nos próximos dias

Três frentes devem concentrar a atenção. A temporada de balanços do terceiro trimestre começa na próxima semana, com os bancos abrindo a fila na terça-feira. A reunião de política monetária do Fed neste mês define o rumo da aposta em juros que hoje está em 19,4%. No front da energia, a liberação de estoques emergenciais pelo G7 segue como amortecedor para o petróleo — e, por consequência, para a inflação global.

Para quem acompanha ativos brasileiros, o trio importa porque o apetite por risco em Wall Street e o ciclo de juros americano costumam transbordar para moedas e bolsas emergentes.