Os contratos de DI (Depósito Interfinanceiro, instrumento negociado na B3 que reflete expectativas de taxa de juros futura) encerraram a quinta-feira, 26 de março, com elevações consistentes, chegando a 32 pontos-base em determinados prazos, impulsionados pelo IPCA-15 (prévia mensal da inflação oficial) de 0,44% em março, superior à estimativa de 0,29%, e pela aversão ao risco derivada do conflito no Oriente Médio.
Desempenho das taxas dos contratos DI
A curva a termo (representação gráfica das expectativas de juros para diferentes horizontes) registrou fortalecimento generalizado. No fechamento, o DI com vencimento em janeiro de 2028 projetava 14,115%, após avanço de 32 pontos-base em relação aos 13,800% do ajuste prévio. Já o DI para janeiro de 2035 indicava 14,155%, com ganho de 16 pontos-base ante 13,992%. Durante a manhã, o contrato de 2028 tocou máxima de 14,150% (+35 pontos-base) às 9h33, enquanto o de 2035 alcançou 14,165%.
| Vencimento | Ajuste anterior (%) | Fechamento (%) | Variação (pb) | Máxima intraday (%) |
|---|---|---|---|---|
| Janeiro/2028 | 13,800 | 14,115 | +32 | 14,150 (+35) |
| Janeiro/2035 | 13,992 | 14,155 | +16 | 14,165 |
Detalhes da prévia inflacionária de março
O IBGE reportou alta de 0,44% no IPCA-15 de março, ante expectativa de 0,29% e queda ante os 0,84% de fevereiro. Apesar do patamar elevado, componentes chave mostraram desaceleração: serviços passaram de 1,49% para 0,49%, conforme estimativa do Banco BMG; serviços subjacentes (excluindo itens voláteis) recuaram de 0,66% para 0,49%; e serviços intensivos em mão de obra mantiveram 0,66%. A média dos núcleos de inflação monitorados pelo Banco Central caiu de 0,65% para 0,35%.
| Indicador | Fevereiro (%) | Março (%) |
|---|---|---|
| IPCA-15 Total | 0,84 | 0,44 |
| Serviços | 1,49 | 0,49 |
| Serviços subjacentes | 0,66 | 0,49 |
| Serviços intensivos em mão de obra | 0,66 | 0,66 |
| Média núcleos BC | 0,65 | 0,35 |
Impacto do petróleo e conflito no Oriente Médio
O preço do petróleo Brent escalou para próximo de US$ 107 por barril, em meio a declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, sobre negociações com o Irã e liberação de petroleiros no Estreito de Ormuz. Sem resolução clara, o movimento reforça temores de repasse inflacionário para economias globais, com correlação observada nas taxas de juros locais, conforme o economista-chefe da AZ Quest, André Muller.
Além do IPCA-15 cheio acima do esperado, há impacto do ambiente externo, especialmente a alta do petróleo, correlacionada às taxas de juros no Brasil e em outras economias.
Relatório de Política Monetária e fala do BC
O Banco Central manteve projeção de expansão do PIB em 1,6% para 2026 no Relatório de Política Monetária, seguido de coletiva com o presidente Gabriel Galípolo e o diretor Paulo Picchetti. O documento sinaliza aceleração inflacionária pelo petróleo em contexto de maior incerteza bélica. Galípolo destacou que a postura conservadora em 2025 proporciona margem para avaliar desdobramentos.
Alterações na precificação do Copom
Na B3, opções sobre decisões do Copom (Comitê de Política Monetária do BC) na terça-feira indicavam 36,50% de chance de corte de 25 pontos-base na Selic (taxa básica de juros, atualmente em 14,75%), 28,50% para 50 pontos-base e 22,00% de manutenção. Pré-conflito, as probabilidades eram 77,50%, 20,04% e 0%, respectivamente. Flavio Serrano, economista-chefe do BMG, projeta aceleração de cortes apenas em junho, condicionada ao exterior.
Pré-guerra: 20,04%, 77,50%, 0%.
O que isso significa para o investidor
Para o investidor pessoa física, a inclinação da curva de DI sugere maior remuneração em ativos de renda fixa atrelados a prazos médios e longos, em cenário de inflação persistente e Selic com trajetória de cortes mais gradual. Otimista: desaceleração de núcleos e resolução bélica poderiam permitir redução mais assertiva dos juros pelo BC, favorecendo migração para risco. Pessimista: escalada do petróleo elevaria IPCA e câmbio, postergando alívios na taxa básica e comprimindo múltiplos de valuation em bolsa (Ibovespa). Fatores chave incluem trajetória do CDI (taxa média interbancária, proxy da Selic) e repasses ao IPCA.
Riscos
- Prolongamento da guerra no Oriente Médio, impulsionando petróleo e inflação importada.
- Desaceleração menor que o esperado nos núcleos inflacionários, ancorando expectativas de Selic alta.
- Impactos globais em Treasuries (títulos do Tesouro americano de 10 anos em 4,424%, +10 pb), elevando custo de funding externo.
- Dívida pública federal em R$ 8,841 bilhões (+2,31% em fevereiro), sinalizando expansão fiscal.
Operadores monitoram próximos passos do Copom em abril, evoluções no Estreito de Ormuz e atualizações semanais do IPCA-15, além de indicadores de atividade como PIB trimestral.
