As taxas dos contratos de DI (Depósito Interfinanceiro), negociados na B3, encerraram a terça-feira, 31 de março, com quedas acentuadas, superando 30 pontos-base em múltiplos vencimentos, em sintonia com o movimento de baixa nos rendimentos dos Treasuries americanos, impulsionado pela expectativa de redução das tensões bélicas no Oriente Médio.
Tensões geopolíticas e pressão no petróleo
O recuo nas taxas reflete a aposta do mercado em uma desescalada do conflito envolvendo Irã e Estados Unidos. Na véspera, o Wall Street Journal reportou que o presidente Donald Trump teria sinalizado a assessores disposição para interromper ações militares contra o Irã, ainda que o Estreito de Ormuz permaneça parcialmente bloqueado. No entanto, nesta sessão, o Irã realizou ataque a um navio-tanqueiro próximo a Dubai, enquanto Trump ameaçou destruir instalações energéticas iranianas caso Teerã não aceite acordo para reabrir o estreito. Trump também cobrou aliados como o Reino Unido por falta de apoio e sugeriu que tomem o petróleo diretamente na região. Apesar do cenário volátil, o otimismo prevaleceu em parte dos mercados, embora o petróleo Brent oscilasse acima de US$ 118 por barril no fim do dia, sustentando prêmio de risco.
A possibilidade de fim da guerra reduz o prêmio de risco, com a curva de juros em trajetória descendente; no petróleo, a pressão altista persiste, inclusive com Trump orientando o Reino Unido a se virar sozinho. Lais Costa, analista da Empiricus Research
Desempenho das taxas dos DIs
Na ponta intermediária da curva a termo, o DI com vencimento em janeiro de 2028 ajustou em 13,755% ao ano, queda de 35 pontos-base frente aos 14,108% ao ano do pregão anterior. No vencimento mais longo, janeiro de 2035, a taxa ficou em 13,88% ao ano, recuo de 25 pontos-base dos 14,13% ao ano prévios. Intraday, o DI janeiro/2035 tocou mínima de 13,870% ao ano às 13h39, coincidindo com mínimas nos Treasuries.
| Mês | Taxa (% a.a.) | Ajuste anterior (% a.a.) | Variação (p.p.) |
|---|---|---|---|
| JAN/27 | 14,075 | 14,299 | -0,224 |
| JAN/28 | 13,755 | 14,108 | -0,353 |
| JAN/29 | 13,7 | 14,056 | -0,356 |
| JAN/30 | 13,765 | 14,09 | -0,325 |
| JAN/31 | 13,82 | 14,117 | -0,297 |
| JAN/35 | 13,88 | 14,13 | -0,25 |
Indicadores domésticos sob análise
O Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) divulgou criação de 255.321 vagas formais em fevereiro, abaixo da mediana de 270.150 apurada em consulta a economistas. Tal resultado não freou a descompressão na curva de juros. Adicionalmente, o Banco Central reportou expansão da dívida bruta da União para 79,2% do PIB (Produto Interno Bruto) em fevereiro, patamar mais elevado desde os 79,5% de outubro de 2021, período de resquícios pandêmicos e elevados dispêndios fiscais. Esse indicador, monitorado por agências de rating globais, alimenta críticas ao governo e influencia precificação de DIs longos.
Sinais do mercado externo
Às 16h41, o rendimento do Treasury de dois anos — sensível a expectativas sobre juros de curto prazo — recuava 4 pontos-base, para 3,785%. O de dez anos, benchmark global de investimentos, caía 5 pontos-base, a 4,291%.
O que isso significa para o investidor
Para o investidor pessoa física, a retração nas taxas de DI sinaliza menor prêmio de risco geopolítico, potencialmente aliviando custos de funding em renda fixa atrelada ao CDI. Com dólar em baixa ante o real, há suporte indireto a ativos em reais. Contudo, persistência no petróleo elevado pressiona inflação via IPCA, podendo conter aceleração nos cortes da Selic. Cenário otimista envolve resolução rápida do conflito, acelerando Selic para baixo; pessimista mantém prêmio inflacionário, ancorando DIs longos. Fatores como trajetória fiscal e emprego demandam atenção no contexto macro.
Riscos em foco
- Alta sustentada do petróleo Brent acima de US$ 118, elevando custos energéticos e inflação doméstica.
- Possível corte mais gradual da Selic em 25 pontos-base em abril, ante 50 pontos-base especulados por alguns.
- Elevação da dívida bruta a 79,2% do PIB, sob escrutínio de rating agencies, impactando DIs longos.
- Volatilidade no Estreito de Ormuz, com risco de novas ações iranianas ou retaliações americanas.
Os próximos movimentos dependem da evolução diplomática no Oriente Médio, especialmente negociações sobre o Estreito de Ormuz, e da reunião do Copom em abril para definir corte da Selic. Indicadores como Caged mensal e endividamento público continuarão moldando a curva de juros.
As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.
