As taxas do DI (Depósito Interfinanceiro), principal balizador do mercado de juros no Brasil, registraram uma guinada abrupta na sessão desta quinta-feira, dia 21. Após sustentar uma trajetória de alta matinal impulsionada por tensões no Oriente Médio, o contrato para janeiro de 2028 encerrou o pregão em 13,805%, recuando 6 pontos-base frente ao ajuste anterior de 13,863%. O movimento foi catalisado por notícias de uma versão final de acordo entre Estados Unidos e Irã, provocando alívio global nos rendimentos dos títulos americanos.
Reversão na Curva de Juros e Reação Internacional
O comportamento errático reflete a sensibilidade do mercado a desenvolvimentos geopolíticos. Até o início da tarde, a curva brasileira acompanhava a valorização dos Treasuries (títulos da dívida pública dos EUA), com a taxa futura de 2028 atingindo pico de 14,040% às 9h01. A virada ocorreu após o meio-dia, quando relatos de que o líder supremo iraniano, aiatolá Mojtaba Khamenei, instruiu o não envio de urânio enriquecido ao exterior foram suplantados por expectativas de fechamento de um pacto mediado pelo Paquistão.
A queda nos juros futuros brasileiros espelhou a descompressão nos mercados externos. No segmento de ponta longa, o contrato de janeiro de 2035 fechou em 14,13%, recuo de 4 pontos-base sobre o ajuste de 14,17% de quarta-feira. Paralelamente, o Ibovespa atingiu o topo diário, enquanto o dólar operou no piso intradia, consolidando a cotação na faixa de R$ 5,00.
| Vencimento DI | Ajuste Anterior | Fechamento Atual | Variação (bps) |
|---|---|---|---|
| Janeiro de 2028 | 13,863% | 13,805% | -6 |
| Janeiro de 2035 | 14,17% | 14,13% | -4 |
| Máxima Intradia (Jan/2028) | - | 14,040% | +18 (vs abertura) |
Probabilidades para o Copom e Ciclo da Selic
O alívio nos juros futuros reforçou as apostas de que o Banco Central retomará a flexibilização monetária em junho, interrompendo temporariamente o atual ciclo de cortes da Selic (taxa básica de juros da economia). A percepção de que o conflito internacional pode desacelerar a atividade econômica ou conter pressões inflacionárias embutiu novas expectativas nos derivativos negociados na bolsa.
Os contratos de opções para a reunião de junho indicam probabilidade de 65% para um corte de 25 pontos-base. A chance de manutenção da taxa em 14,50% é de 30%, enquanto a possibilidade de uma redução mais agressiva de 50 pontos-base permanece em 2,75%.
Para o encontro seguinte, em agosto, a distribuição se ajusta. As apostas apontam 53% de chance de manutenção, 33,5% para redução de 25 pontos-base e 8,5% para queda de 50 pontos-base. Às 16h33, o rendimento do Treasury de 10 anos estabilizou em 4,57%.
Agenda Política Doméstica e Ruído Cambial
Internamente, a atenção se voltou para o desdobramento da relação entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e Daniel Vorcaro, preso no centro de um dos maiores rombos do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Flávio enfrenta questionamentos sobre um pedido de aporte privado para um filme sobre Jair Bolsonaro, atualmente detido por tentativa de golpe. O presidente Lula declarou que “ainda vai aparecer muito mais coisa”, alimentando a hipótese de que o desgaste da candidatura bolsonarista possa favorecer a reeleição do atual mandatário. Essa incerteza política interage diretamente com a volatilidade cambial e os prêmios de risco.
O que isso significa para o investidor
A compressão repentina da curva de DI sinaliza uma recalibragem dos prêmios de risco, beneficiando temporariamente carteiras de renda fixa prefixadas e indexadas ao CDI (Certificado de Depósito Interbancário). Para o investidor pessoa física, o cenário apresenta dois vetores: no otimista, um acordo geopolítico sustentável reduziria a curva de juros, favorecendo o mark-to-market (avaliação diária de ativos) de fundos atrelados à taxa e a valuation de ativos de crescimento no Ibovespa. No pessimista, uma reversão nas negociações ou um flare-up político interno poderia reacender a aversão ao risco, elevando novamente os custos de captação e pressionando o câmbio. O monitoramento da inflação e da sinalização do BC permanece crucial para a alocação de capital.
Riscos em Monitoramento
- Incerteza Geopolítica: Rumores não oficializados sobre o acordo EUA-Irã podem se dissipar rapidamente, revertendo a queda nos Treasuries e no DI.
- Volatilidade Política: Desdobramentos do caso Vorcaro e declarações oficiais podem alterar o prêmio de risco país e a trajetória cambial.
- Política Monetária: Pressões inflacionárias persistentes ou fraqueza fiscal podem obrigar o Copom (Comitê de Política Monetária) a manter a Selic em 14,50% por mais tempo, desafiando as apostas atuais.
Perspectiva e Próximos Passos
O mercado acompanhará de perto a formalização de qualquer entendimento entre Washington e Teerã, bem como a divulgação de novos dados macroeconômicos que validem ou refutem a expectativa de corte em junho. A reação dos ativos globais e a postura do Banco Central nas próximas atas definirão a direção da curva brasileira nas próximas sessões.
As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.
