As taxas dos contratos de DI (Depósito Interfinanceiro) inverteram para baixa no período da tarde desta quinta-feira, refletindo a forte retração nos rendimentos dos Treasuries (títulos do Tesouro americano) e o declínio dos preços do petróleo Brent, em meio a tensões geopolíticas no Oriente Médio. O DI com vencimento em janeiro de 2027 fechou em 14,045%, queda de 8 pontos-base em relação ao ajuste anterior de 14,128%, enquanto o DI de janeiro de 2035 terminou em 13,85%, com recuo de 4 pontos-base ante 13,889%.

Movimentação intraday das taxas dos DIs

A curva a termo dos DIs, que precifica expectativas de juros futuros na B3, registrou oscilações significativas ao longo do pregão. Inicialmente em alta, impulsionada pelas deliberações recentes de bancos centrais, as taxas atingiram o pico no DI de janeiro de 2035, a 14,215% (+33 pontos-base) às 9h28, antes de despencar para a mínima de 13,795% (-9 pontos-base) às 16h08. Essa reversão afetou toda a maturidade da curva.

VencimentoAjuste Anterior (%)Atual (%)Variação (pb)
Janeiro/202714,12814,045-8
Janeiro/203513,88913,85-4

Influência dos Treasuries e do petróleo

Os rendimentos dos Treasuries, após fortes ganhos matinais, mudaram de direção no meio da tarde, com elevações moderadas nas maturidades curtas e quedas nas longas. Paralelamente, o barril de petróleo Brent virou para negativo, aliviando pressões inflacionárias globais. No contexto de guerra no Oriente Médio, os EUA emitiram nova licença geral permitindo a entrega e venda de petróleo bruto e derivados russos em navios-tanque a partir de 12 de março, o que contribuiu para o recuo dos preços.

Decisões dos bancos centrais globais

O Banco da Inglaterra (BOE) optou por unanimidade pela manutenção da taxa básica em 3,75%, contrariando expectativas de divisão entre diretores. O Banco Central Europeu (BCE) manteve sua taxa em 2%, com fontes indicando possibilidade de elevação em junho caso a guerra envolvendo EUA, Israel e Irã não se resolva rapidamente. Na quarta-feira, o Federal Reserve (Fed) confirmou a taxa na faixa de 3,50% a 3,75%, adotando tom cauteloso sobre o futuro da política monetária, o que levou investidores a reduzirem apostas em cortes de juros ainda este ano.

Reação do Copom e perspectivas locais

No Brasil, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a Selic em 25 pontos-base, para 14,75%, iniciando ciclo de calibração da política monetária, mas alertando para forte aumento de incerteza e maior distanciamento das projeções de inflação em relação à meta do IPCA.

“O BC não se comprometeu com mais cortes, mas fala em ‘calibração’. E o próximo passo vai depender da evolução do cenário internacional. No cenário de hoje, parece mais provável um corte de 25 pontos-base na reunião de abril, mas nós ainda temos um cenário de corte de 50 pontos-base [...]. Existe ainda uma probabilidade de o BC parar de cortar, porque estamos falando de uma guerra, mas isso não parece ser uma opção”, avaliou Flavio Serrano, economista-chefe do BMG.
A próxima reunião do Copom ocorre nos dias 28 e 29 de abril.

O que isso significa para o investidor

Para o investidor pessoa física, a queda nas taxas dos DIs sinaliza menor prêmio de risco nos juros futuros, podendo pressionar retornos de aplicações pós-fixadas atreladas ao CDI. Em cenário otimista, com resolução rápida das tensões no Oriente Médio e petróleo estável, projeções de calibração da Selic prosseguem, aproximando expectativas de inflação da meta. No pessimista, escalada da guerra eleva inflação importada via commodities, adiando ou revertendo cortes na Selic, com impactos no câmbio e no custo de funding. Fatores a monitorar incluem evolução do Ibovespa, dólar e decisões globais de juros.

Riscos destacados

  • Geopolíticos: Prolongamento da guerra no Oriente Médio, impulsionando volatilidade em petróleo e Treasuries.
  • Inflacionários: Distanciamento adicional das projeções de IPCA da meta, limitando calibrações do Copom.
  • Monetários globais: Menos cortes pelo Fed e possível alta pelo BCE, elevando yields internacionais e spillovers para DIs.

Investidores devem acompanhar a próxima deliberação do Copom em 28 e 29 de abril, atualizações sobre o conflito no Oriente Médio e indicadores de inflação como o IPCA, que ditarão o ritmo da curva de juros na B3.

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.