As taxas dos contratos de DI (Depósito Interfinanceiro) registraram alta pelo sexto pregão consecutivo na segunda-feira (8), sinalizando um movimento robusto de reprecificação na curva de juros brasileira. O vértice de janeiro de 2028 encerrou o dia em 14,845%, com ganho de 20 pontos-base, enquanto investidores ajustam suas expectativas para um ciclo mais restritivo pelo Banco Central diante de pressões inflacionárias globais e domésticas.

Dinâmica dos DIs e Reprecificação da Curva

Em sessão marcada por volatilidade, os contratos refletiram a nova postura do mercado frente à Selic, hoje em 14,50% ao ano. Na ponta longa, o DI para janeiro de 2035 avançou para 14,68%, acumulando alta de 3 pontos-base (unidade equivalente a 0,01%). O ativo mais líquido oscilou significativamente: partiu de uma mínima de 14,550% às 9h02, logo após o pregão abrir, e testou máxima de 14,880% às 16h15, acompanhando a elevação dos rendimentos do Treasury (títulos do Tesouro americano, referência global de custo de capital) para 4,556% (+2 pontos-base às 16h36).

A migração dos preços na curva a termo (série de taxas de juros para diferentes prazos de vencimento) coincide com a revisão das projeções por parte das instituições financeiras. Desde 29 de maio, o robusto resultado do PIB (Produto Interno Bruto) e indicadores macroeconômicos subsequentes forçaram um recalibramento nas estimativas, materializando a tese de juros estruturalmente mais elevados.

Vencimento DIFechamento AnteriorFechamento AtualVariação (p.b.)
Janeiro de 202814,644%14,845%+20
Janeiro de 203514,652%14,68%+3

Apostas para o Copom e Boletim Focus

O mercado de derivativos já incorpora uma desaceleração do ciclo de cortes. As opções de Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) negociadas na B3 mostram mudança drástica nas probabilidades para a reunião de junho. Na última quinta-feira, o consenso indicava 53,05% de chance de corte de 25 pontos-base, contra 45,5% de manutenção. Uma semana antes, em 28 de maio, o cenário era oposto: 82,5% de probabilidade de redução e apenas 13,75% de permanência nos atuais 14,50%. Para agosto, a interrupção do ciclo já é majoritária, com 77% de chance de manutenção e 16,1% de novo corte.

Paralelamente, o Boletim Focus revelou a 13ª semana consecutiva de elevação para a projeção de inflação de 2026, que saltou de 5,09% para 5,11%. Para 2027, o índice passou de 4,02% para 4,03%. As expectativas para a Selic terminarem o ano e o seguinte subiram de 13,25% para 13,50% e de 11,25% para 11,50%, respectivamente.

IndicadorProjeção AnteriorProjeção Atual (Focus)
Inflação 20265,09%5,11%
Inflação 20274,02%4,03%
Selic Fim do Ano13,25%13,50%
Selic Ano Seguinte11,25%11,50%
“Mantemos a estimativa de que o Copom deverá interromper o ciclo de calibração com a Selic em 14% a.a., mantendo-a neste patamar até que as expectativas de inflação convirjam para patamar próximo ao centro da meta no horizonte relevante. Ainda assim, reconhecemos que o balanço de riscos passou a apontar para uma probabilidade crescente de interrupção do ciclo já na reunião de 17 de junho”, afirmou Cristiano Oliveira, diretor de pesquisa econômica do Banco Pine, em relatório. Ele também pontuou que, nos últimos 30 dias, houve forte reprecificação das curvas globais após dados elevados de PPI (índice de preços ao produtor) na China, Japão, EUA, zona do euro e Brasil, defendendo que o processo ainda não se encerrou.

O que isso significa para o investidor

A persistência de taxas de juros reais mais altas prolonga a atratividade relativa da renda fixa prefixada e indexada ao CDI. Para o investidor pessoa física, o ajuste na curva de juros exige revisão da alocação patrimonial, uma vez que o custo de oportunidade do capital aumenta. Cenários otimistas dependem de uma convergência mais rápida da inflação futura para o centro da meta, o que poderia reativar o ciclo de afrouxamento monetário no segundo semestre. Na visão pessimista, a manutenção da taxa básica acima de 14% ao ano por períodos estendidos pressiona a avaliação de múltiplos na renda variável, especialmente para empresas altamente alavancadas ou de crescimento dependente de desconto de fluxo de caixa.

Riscos e Fatores de Atenção

  • Inflação global persistente: A escalada contínua do PPI em economias centrais pode restringir o espaço para cortes de juros pelo Federal Reserve, sustentando o dólar alto e importando pressão de custos para o Brasil.
  • Geopolítica no Oriente Médio: A recente suspensão de ataques entre Irã e Israel, após apelo do presidente dos EUA, Donald Trump, permanece frágil. Teerã alertou que retomará as hostilidades se Israel continuar ofensivas contra o Hezbollah no Líbano, potencializando choques de oferta em commodities e volatilidade nos mercados.
  • Risco de política monetária abrupta: Caso os dados domésticos continuem superando expectativas, o Banco Central pode ser forçado a adotar um discurso mais restritivo, elevando o prêmio de risco dos ativos locais e impactando a liquidez da B3.

Perspectiva e Próximos Passos: O mercado voltará seus olhos para os próximos indicadores de preços e atividade econômica até a reunião do Copom em 17 de junho. A consolidação dos dados do mercado de trabalho, a trajetória do câmbio e o andamento das negociações comerciais internacionais definirão se a curva de juros estabiliza a reprecificação ou se aprofunda o movimento de alta nos vértices curtos e médios.

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.