Uma nova escalada de tensões geopolíticas no Oriente Médio dominou o início das negociações globais nesta terça-feira, com o petróleo WTI saltando acima do patamar crítico de US$ 80 por barril. O movimento impulsivo reflete a disputa direta pelo controle do Estreito de Ormuz entre Estados Unidos e Irã, elevando o prêmio de risco e pressionando ativos de renda variável global, enquanto índices futuros nos EUA operam em território misto.

Escalada de Tensões no Oriente Médio e o Barril de Petróleo

O cenário macroeconômico global despertou nesta terça-feira com notícias críticas vindas do Oriente Médio. Irã e Estados Unidos trocaram ataques, com foco estratégico na questão de quem detém o controle do Estreito de Ormuz, um dos pontos vitais para o escoamento de energia no planeta.

As forças armadas da Jordânia informaram que interceptaram e abateram quatro mísseis, enquanto o Irã confirmou ataques contra uma base aérea dos EUA no país. Do outro lado, os Estados Unidos encerraram uma janela de cinco horas de ataques intensivos contra alvos iranianos, na terceira noite consecutiva de ofensivas. O presidente americano, Donald Trump, reiterou a intenção de restabelecer o bloqueio à navegação iraniana no estreito e propôs uma taxa de 20% para proteger a via navegável.

A resposta imediata dos mercados de energia foi a alta do petróleo. O contrato WTI (West Texas Intermediate) superou a marca de US$ 80, atingindo o maior nível em quatro semanas. Analistas regionais apontam que, embora as hostilidades permaneçam, por enquanto, dentro de limites controlados — com ambos os lados buscando vantagem para um eventual acordo —, o risco de que os combates saiam do controle e interrompam definitivamente o abastecimento global persiste. O Ministro iraniano, contudo, afirmou que as exportações de petróleo de seu país continuam sem interrupções e não haverá problemas nesse sentido.

A volatilidade também impactou as gigantes do setor de energia. A BP, por exemplo, projeta maiores ganhos com a negociação (trading) de petróleo devido à guerra, embora espere queda na produção de *upstream* (exploração e produção) no segundo trimestre para entre 2,17 milhões e 2,22 milhões de barris por dia (bpd), contra 2,34 milhões de bpd no primeiro trimestre, devido a manutenções sazonais e choques no Oriente Médio.

Pesquisa Eleitoral: Lula e Flávio Bolsonaro em Impasse Técnico

No front doméstico, as expectativas políticas para o pleito de 2026 foram redefinidas com a divulgação da pesquisa da Futura Inteligência em parceria com a Apex. O levantamento mostra um cenário de alta indefinição na corrida presidencial.

Numa simulação de segundo turno grande, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecem tecnicamente empatados. Lula alcança 46,3% das intenções de voto, enquanto Flávio registra 46,1%. A pesquisa, registrada no TSE com o código BR-07294/2026, ouviu 2 mil eleitores por telefone entre os dias 7 e 11 de julho, apresentando margem de erro de 2,2 pontos percentuais.

O cenário se torna ainda mais complexo em outras simulações. Lula também empata com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, obtendo 46,1%, contra 44,3% da adversária. Em comparação com outros nomes da direita, Lula mantém vantagem mais confortável: 45,1% contra 38,9% de Ronaldo Caiado (PSD), 46% contra 38,1% de Romeu Zema (Novo) e 46,4% contra 33,1% de Renan Santos (Missão).

A aprovação pessoal de Lula, porém, revela fissuras importantes a três meses do primeiro turno. O petista é aprovado por 46% e desaprovado por 49,7% dos eleitores. A avaliação se apresenta polarizada por região e perfil demográfico: enquanto a aprovação lidera no Nordeste (55,5%) e no Norte (50,3%), a desaprovação domina o Sul (62,1%), Centro-Oeste (56,6%) e Sudeste (52,1%). Entre os homens, a desaprovação chega a 54,4%.

A maior parte da população considera o presidente ruim ou péssimo (42,9%). Outros 38,6% avaliam Lula como bom ou ótimo, e 17,7% citam avaliação regular.

EUA: Inflação, Juros e o Sinal de Cautela do Bank of America

Os dados macroeconômicos dos Estados Unidos continuam a ditar o ritmo da política monetária global. Projeções do CME/FedWatch indicam que o mercado precifica, com 61% de probabilidade, a manutenção dos juros na faixa de 3,75%-4,00% para a reunião de julho. A expectativa de cortes mais agressivos esbarra na resistência da inflação e nas tensões geopolíticas.

A inflação ao consumidor nos EUA deve ter desacelerado em junho, puxada pelo recuo temporário da gasolina. Contudo, o recente retorno do conflito no Golfo reverteu essa tendência de curto prazo, com a média nacional da gasolina subindo para US$ 3,87 por galão ante US$ 3,80 na semana anterior. Economistas alertam que, apesar da desaceleração esperada no IPC (Índice de Preços ao Consumidor), as famílias ainda sofrem com o custo de vida e isso dificulta o caminho para um alívio maior nos juros pelo Federal Reserve em 2026.

No mercado de capitais americano, o indicador *Bull & Bear* do Bank of America (BofA) enviou um forte sinal de cautela. Com uma leitura de 9,4, o indicador sugere que investidores otimistas devem reduzir a exposição a ações e ativos de alto beta. Michael Hartnett, estrategista-chefe do banco, destacou a necessidade de moderação diante da euforia excessiva.

Enquanto isso, o setor bancário americano apresentou resultados sólidos, que podem amortecer a volatilidade:

  • Bank of America: Lucrou US$ 9,1 bilhões no segundo trimestre, superando as expectativas. O lucro diluído por ação foi de US$ 1,21 (projeção era de US$ 1,13).
  • Wells Fargo: Reportou lucro líquido de US$ 6,4 bilhões, superando os US$ 5,5 bilhões do ano anterior. O lucro por ação de US$ 2,00 bateu as estimativas de US$ 1,72, com receita subindo 9% para US$ 22,62 bilhões.

Empresas em Foco: Embraer, Eztec e RD Saúde

No mercado acionário brasileiro, as notícias corporativas atraem a atenção dos investidores. A Embraer (EMBJ3) anunciou o lançamento do novo jato leve Phenom 300EV. A aeronave incorpora melhorias de desempenho, interior e tecnologias de segurança, incluindo a capacidade de pouso totalmente automatizado. As entregas do novo modelo estão previstas para começar em 2028.

No setor varejista e de saúde, a RD Saúde enfrenta volatilidade devido à concorrência de medicamentos GLP-1 (como a semaglutida). Analistas sinalizam que a erosão de preços nos similares gera cautela de curto prazo. No entanto, a tese estrutural permanece: a expansão de volumes e a demanda inelástica por saúde sustentam o crescimento de longo prazo da varejista, que ainda oferece entradas atrativas para investidores pacientes.

No mercado imobiliário, a Eztec (EZTC3) presentar números positivos de vendas. A companhia registrou uma alta de 18,2% nas vendas líquidas do segundo trimestre, somando vendas brutas de R$ 675,1 milhões entre abril e junho, demonstrando resiliência na comercialização de imóveis.

O Que Isso Significa para o Investidor

O investidor brasileiro deve redobrar a atenção esta semana. A combinação de tensões geopolíticas elevadas com dados de inflação teimosos nos EUA pode limitar o apetite por risco (risk-on) global, impactando o fluxo de capitais para emergentes.

  • Cenário de Petróleo Caro: Se o barril se mantiver patamar de US$ 80, isso pode engessar a curva de juros futura no Brasil, pressionando o IPCA e mantendo o CDI em patamares elevados por mais tempo, o que onera empresas endividadas.
  • Cenário Político: O empate técnico nas pesquisas eleitorais sugere que a incerteza fiscal e regulatória será o tema central dos próximos meses, podendo aumentar a volatilidade do Ibovespa próximo às datas decisivas.
  • Setor Bancário: Os resultados positivos dos grandes bancos americanos reforçam a saúde do setor financeiro global, o que pode trazer um efeito spillover positivo para bancos brasileiros, que também operaram com margens elevadas.

Matriz de Riscos e Atenção

A análise do cenário atual aponta para uma série de riscos que devem ser monitorados de perto:

  • Interrupção do Estreito de Ormuz: Caso o bloqueio naval se concretize e dure, o choque de oferta no petróleo pode levar o barril a níveis muito superiores, desancorando as expectativas de inflação global (risgo hawkish).
  • Falha nos Dados de Inflação dos EUA: Se a desaceleração do CPI (Consumer Price Index) não se confirmar devido aos preços da energia, o Fed pode sinalizar que rates (juros) ficarão altos por mais tempo.
  • Instabilidade Política Doméstica: A polarização acentuada nas pesquisas e conflitos envolvendo figuras públicas aumentam o prêmio de risco soberano, podendo derrubar o Real frente ao Dólar.
  • Pressão sobre a RD Saúde: A entrada agressiva de novos concorrentes no nicho de emagrecimento pode corroer margens de lucro antes do esperado.

Perspectiva e Próximos Passos

Para o restante da semana, o mercado ficará atento aos dados de importação da China, que bateram recorde em junho com 13,55 milhões de toneladas de soja, e aos desdobramentos das falas do Ministro iraniano sobre a continuidade das exportações de petróleo. Internamente, os investidores aguardam novos sinais do governo sobre a reação às decisões judiciais envolvendo emendas parlamentares e a nomeação de investigados. O balanço da Embraer e a evolução do Ibovespa ao longo do dia trarão mais clareza sobre se o mercado já precificou esses riscos ou se há movimentos de ajuste de portfólio em curso.

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.