A escalada de tensões no Oriente Médio transformou-se em risco central para fundos imobiliários de desenvolvimento, especialmente os sob gestão da XP Asset. O aumento dos preços do petróleo, potencializado pelo conflito, reacende preocupações sobre pressão inflacionária global, ameaçando o ciclo de cortes na taxa Selic no Brasil. A projeção de redução da Selic em 0,5 ponto percentual em março de 2025, anunciada pelo Copom, enfrenta agora maior volatilidade diante desse novo cenário.
Riscos e projeções para o setor imobiliário
A XP Asset reconhece os desafios macroeconômicos, mas mantém visão otimista sobre o setor. A desaceleração do PIB brasileiro, limitado a 0,1% no final de 2025, reforça o argumento para redução de juros, medida que historicamente beneficia os fundos imobiliários (FIIs). A liquidez esperada após o segundo trimestre de 2026 pode trazer respiro para fundos focados em galpões logísticos, lotes e apartamentos.
Desenvolvimento logístico ganha fôlego
Dentre os projetos em andamento, o fundo XPEX11 (XP Exeter Desenvolvimento Logístico) se destaca com ativos em Brasília e Contagem (MG). A unidade de Belo Horizonte apresenta taxa de vacância de apenas 0,4%, enquanto o galpão na capital federal já está totalmente locado para um importante e-commerce.
Obras em Contagem encerram em março de 2026, com locação prevista para o segundo trimestre, enquanto a meta da gestora é concluir as vendas desses ativos antes do terceiro trimestre do mesmo ano. Já o fundo XPLG11 (XP Log FII) obteve R$ 114 milhões na venda de participação no WT Extrema, gerando expectativa de retorno anualizado de 14%.
Mercado residencial com desempenho heterogêneo
O segmento residencial revela contrastes. No fundo XP Idea!Zarvos FII, focado em imóveis de alto padrão em São Paulo, vendas já ultrapassam R$ 221 milhões. No entanto, o excesso de nova oferta e juros persistentemente altos dificultam o crédito para novos compradores.
O edifício Iperó 111, na Vila Madalena, alcança índice de vendas de 74%, embora o ritmo tenha desacelerado no último trimestre. Por outro lado, o Oscar 2525, localizado na Rua Oscar Freire, destaca-se com 75 unidades comercializadas, mantendo cronograma normal de construção com entrega prevista para junho de 2027.
O que isso significa para o investidor
Investidores devem monitorar de perto os movimentos no mercado de petróleo e suas implicações diretas nas expectativas de inflação no Brasil. Em cenário otimista, a manutenção do processo de redução dos juros (Selic) favorece valorização de FIIs, especialmente os voltados ao setor logístico. Porém, persistência da inflação em virtude do preço internacional do petróleo pode postergar os cortes da Selic, impactando negativamente liquidez e rentabilidade esperada.
Reinvestimento em ativos com menor exposição ao ciclo econômico e maior previsibilidade de caixa, como fundos focados em logística e agro, pode equilibrar carteiras neste ambiente volátil.
Riscos identificados
- Pressão inflacionária via alta do petróleo
- Desaceleração econômica mais severa que o esperado
- Atrasos na conclusão de obras imobiliárias
- Desaquecimento do e-commerce afetando demanda por galpões
- Alta de juros mantida por período prolongado
Perspectiva e próximos passos
Os próximos trimestres serão decisivos para a retomada de liquidez nos FIIs. O período entre o segundo e terceiro trimestre de 2026 pode trazer bons momentos para realização de ativos, especialmente os logísticos. Investidores devem acompanhar o desenrolar do conflito no Oriente Médio, o comportamento dos preços internacionais do petróleo e o processo eleitoral no Brasil, que influenciará decisões do Banco Central.
As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.
