A australiana Lynas Rare Earths vai incorporar a Meteoric Resources em uma operação de troca de ações que avalia a desenvolvedora de terras raras com projeto no Brasil em US$ 672,08 milhões. Pelo desenho do acordo, cada ação da Meteoric dá direito a 0,0207 nova ação da Lynas — relação que embute prêmio superior a 68% sobre o último fechamento da companhia-alvo.
O mercado australiano reagiu em direções opostas às duas pontas do negócio. Os papéis da Meteoric chegaram a subir 56%, a A$ 0,26, enquanto as ações da Lynas recuaram 6,4%. A queda da compradora aponta dúvidas sobre os ganhos da aquisição e sobre o risco técnico de processar uma matéria-prima diferente da atual.
O projeto Caldeira e a corrida por cadeias fora da China
A Lynas é a maior produtora mundial de terras raras fora da China, e a aquisição lhe dá acesso ao projeto Caldeira Rare Earth, no Sul de Minas Gerais. O movimento acontece em um momento em que governos do Ocidente incentivam a montagem de cadeias de abastecimento alternativas às chinesas — o que pode abrir espaço para ampliar a carteira de clientes da australiana.
O gargalo técnico da argila iônica
O ponto de atenção levantado por parte do mercado está no tipo de material que a Lynas passaria a processar. Dylan Kelly, da Terra Capital, manifestou preocupação com o risco técnico de lidar com a argila iônica — um tipo de depósito de terras raras distinto do que a companhia opera — e cobrou mais detalhes sobre sinergias e economia de custos.
Capex acima de US$ 500 milhões e linha de crédito de A$ 110 milhões
A Lynas pretende desenvolver o Caldeira ao lado da equipe atual da Meteoric. A companhia estima que os gastos de capital do projeto ultrapassem US$ 500 milhões e se comprometeu a oferecer à Meteoric uma linha de crédito provisória de até A$ 110 milhões para financiar a continuidade dos trabalhos.
Processamento no Brasil ainda em avaliação
A Lynas estuda construir capacidade de processamento no país e prometeu comunicar a decisão ao mercado no momento adequado, conforme seus executivos. A compra vem depois do anúncio, no fim de agosto, de um plano de expansão da cadeia global de suprimentos e de garantia de novos insumos minerais para desenvolvedores de projetos em diferentes países.
Sucessão na Lynas e a assembleia de 25 de novembro
O anúncio ocorre em meio a uma troca de comando na Lynas. O presidente do conselho, John Humphrey, disse esperar a definição do novo presidente-executivo antes da assembleia geral anual, marcada para 25 de novembro. Amanda Lacaze deixou o posto de CEO em junho, e Pol Le Roux conduz a empresa de forma interina.
O que a operação muda para quem acompanha terras raras
O conselho da Meteoric recomendou o negócio por unanimidade, na ausência de oferta superior e condicionado ao parecer de um especialista independente de que a transação atende ao melhor interesse dos acionistas. Para o investidor brasileiro que acompanha o tema de minerais estratégicos, a operação embute um sinal de que projetos de terras raras no país passam a ser cobiçados por players globais — e, ao mesmo tempo, de que a barreira técnica do processamento segue como o principal obstáculo a ser vencido, como mostra a reação negativa das ações da Lynas no anúncio.
| Métrica | Valor |
|---|---|
| Valor da operação | US$ 672,08 milhões |
| Troca de ações | 0,0207 ação da Lynas por ação da Meteoric |
| Prêmio sobre o fechamento | acima de 68% |
| Alta máxima da Meteoric | 56%, a A$ 0,26 |
| Queda da Lynas no anúncio | 6,4% |
| Capex estimado do Caldeira | acima de US$ 500 milhões |
| Linha de crédito provisória | até A$ 110 milhões |
| Assembleia geral anual da Lynas | 25 de novembro |
