70% da produção global de terras raras está concentrada na China, apesar de o país abrigar apenas 40% das reservas conhecidas. É esta disparidade que transforma o setor em um campo crítico de disputa geopolítica, segundo relatório da XP Investimentos obtido pelo Ativo Virtual.
Território Estratégico em Disputa Global
A China domina não apenas a extração (70% do minério bruto), mas controla 90% da capacidade mundial de refino e fabricação de ímãs neodímio-ferro-boro - insumos essenciais para motores de veículos elétricos e turbinas eólicas. Embora a demanda por esses minerais cresça a um ritmo anual composto de 8%, a oferta depende historicamente de poucos produtores especializados.
| País | Reservas Globais | Participação na Produção | Capacidade de Refino |
|---|---|---|---|
| China | 40% | 70% | 90% |
| Brasil | 20% | ~2% | ~1% |
Oportunidades e Limitações para Investidores
Na B3, as alternativas diretas são limitadas. A Vale (VALE3) - presente em áreas promissoras - mantém foco em metais básicos. A Companhia Brasileira de Alumínio (CBAV3), embora detenha terras raras em projetos no Araguaia, não alocou capital relevante para o setor. A venda do ativo da CBA para consórcio Rio Tinto/Chinalco reduz perspectivas de desenvolvimento independente no curto prazo.
Estratégias de Investimento: ETF vs Ações Individualizadas
A XP recomenda VanEck Rare Earth/Strategic Metals ETF (REMX) como alternativa para exposição diversificada. Fundos do tipo permitem acesso a cadeia completa: desde mineradoras como Lynas Rare Earths (Austrália) e MP Materials (EUA), até fabricantes de ímãs como Shin-Etsu Chemical (Japão). O ETF possui atualmente exposição a 25 empresas com concentração moderada (10 maiores posições respondem por 58% da carteira).
| Empresa | Sede | Ticker | Peso no ETF |
|---|---|---|---|
| MP Materials | EUA | MP | 12% |
| Shin-Etsu Chemical | Japão | 4063 JP | 10% |
| Lynas Rare Earths | Austrália | LYC AU | 9% |
Desafios Ambientais e Regulatórios
Cada tonelada de óxido de neodímio produzido gera entre 2.000 e 12.500 metros cúbicos de efluentes radioativos, segundo estudos técnicos. O setor enfrenta paradoxo: é fundamental para transição energética, mas apresenta custos ambientais elevados em fase de mineração e refino. Regulatórios ambientais em países desenvolvidos atrasam projetos: na Austrália, o projeto Nechalacho demorou sete anos para obter licenças ambientais.
- Efluentes radioativos com elemento tório
- Alta dependência de águas residuais
- Tensões locais com comunidades em áreas de mineração
- Oligopólio de tecnologias de separação iônica
O que isso significa para o investidor
Ao mesmo tempo em que demanda estrutural por ímãs de terras raras crescerá 6% ao ano até 2035 (dados da International Energy Agency), fatores macroeconômicos moldarão retornos:
- A desaceleração econômica global pode frear projetos de veículos elétricos que demandam esses materiais
- Valorização do dólar reduz margem de empresas com custos em moedas emergentes
- Políticas de incentivo fiscal - como o EUA Inflation Reduction Act - podem desencadear surto de iniciativas em países não chineses
Fatores de Atenção em 2023/24
Dois catalisadores merecem atenção nos próximos 24 meses:
- Decisão do governo brasileiro sobre incentivos fiscais para refino de terras raras
- Conclusão da licitação da Samarco para parcerias de exploração em Serra Pelada
As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.
