O Tesouro Nacional cancelou o único leilão de venda previsto para esta semana e anunciou mais uma rodada de recompra de títulos públicos. A decisão, divulgada nesta terça-feira (27), atinge as LFT — Letras Financeiras do Tesouro, papéis cuja remuneração acompanha a Selic — e chega um dia após o órgão absorver mais de R$ 14 bilhões em papéis no mercado. É a terceira recompra anunciada desde domingo, quando a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi confirmada.
NTN-B de 2030, 2035, 2040 e 2045 na nova rodada
A compra mira quatro vencimentos de NTN-B, as Notas do Tesouro Nacional série B, corrigidas pelo IPCA: 2030, 2035, 2040 e 2045. Preço, quantidade e horário de cada operação ficarão conhecidos apenas com o edital que o Tesouro publica em seu site. Antes do anúncio desta terça, o órgão já havia suspendido as ofertas de NTN-B e de prefixados — títulos com taxa fixa definida no momento da compra. Com o cancelamento das LFT, a programação semanal ficou vazia nas três famílias de papel.
| Operação | Situação |
|---|---|
| Leilão de LFT | cancelado |
| Leilão de NTN-B | cancelado |
| Leilão de prefixados | cancelado |
| Recompra de NTN-B (2030, 2035, 2040 e 2045) | anunciada, condições no edital |
| Recompra de segunda-feira | acima de R$ 14 bilhões |
Leilão ao contrário: por que o Tesouro compra
Recompra é o espelho do leilão tradicional. Em vez de entregar papel novo ao investidor, o Tesouro resgata títulos que já circulam, pagando o preço vigente. A operação cria demanda num momento em que o mercado busca se desfazer de posições, o que amortece a escalada das taxas. O comunicado do órgão afirma que a medida procura reduzir a pressão de alta sobre os juros dos títulos, que dispararam depois de o resultado eleitoral surpreender os investidores.
O que muda para quem tem Tesouro IPCA+ na carteira
Quem carrega NTN-B, inclusive na versão Tesouro IPCA+ do Tesouro Direto, sente o efeito pelo preço do papel: na marcação a mercado — a atualização diária da cotação pelo valor que o título teria se vendido naquele instante —, o preço sobe quando a taxa cai e recua quando a taxa sobe. Sem a recompra, a onda de vendas tende a empurrar as taxas com mais força e a ampliar a perda contábil de quem já está posicionado. Com o Tesouro do lado comprador, parte desse fluxo encontra contraparte e a oscilação da cotação tende a ficar menor. No sentido oposto, o sumiço dos leilões reduz a oferta de papel novo no mercado primário: quem procurava taxa alta em emissão recente encontra menos janelas enquanto a programação seguir suspensa.
O edital e a próxima programação
O tamanho real da intervenção depende do edital com as condições da recompra, ainda não detalhadas no comunicado. A leitura para o investidor é que o Tesouro trocou a venda de papel pela compra em ritmo diário, sinalizando prioridade ao funcionamento do mercado secundário — onde os títulos já emitidos são negociados entre investidores — em detrimento da captação nova nesta semana.
