Principais pontos
- O Tesouro Prefixado 2032 subiu de 14,18% para 14,33% e o Prefixado com Juros Semestrais 2037 foi de 14,23% para 14,38%, os dois com 15 pontos-base de avanço
- Nos títulos de inflação, o IPCA+ 2040 liderou com alta de 7,25% para 7,34%
- No câmbio, o dólar à vista avançava 0,70% no início da manhã, e o Ibovespa futuro caía mais de 1% às 9h08
- A mediana das projeções para o IPCA de 2026 no Boletim Focus divulgado nesta manhã recuou de 5,00% para 4,90%, e a estimativa de crescimento do PIB também foi revisada para baixo
As taxas do Tesouro Direto abriram em alta nesta segunda-feira (14), com os prefixados à frente e abertura de até 15 pontos-base entre os papéis mais longos. O Tesouro Prefixado 2032 subiu de 14,18% para 14,33% e o Prefixado com Juros Semestrais 2037 foi de 14,23% para 14,38%, os dois com 15 pontos-base de avanço — as maiores altas do dia.
Entre os prefixados, o Tesouro Prefixado 2029 avançou de 13,85% para 13,97%. Nos títulos de inflação, o IPCA+ 2040 liderou com alta de 7,25% para 7,34%, seguido pelo IPCA+ com Juros Semestrais 2060, de 7,22% para 7,30%, e pelo IPCA+ 2032, com variação mais contida, de 7,59% para 7,62%.
O que a taxa maior faz com quem já tem o papel
Taxa e preço caminham em direções opostas nos títulos prefixados. Quando o mercado passa a exigir 14,33% para carregar o Prefixado 2032, o fluxo de pagamentos até o vencimento é descontado a uma taxa maior — e o valor de mercado do papel cai. Quem comprou pelas taxas do fechamento de sexta-feira passa a ver a posição com marcação a mercado negativa no extrato, sem mudança no fluxo contratado até o vencimento.
Na outra ponta, a taxa vigente na abertura é a referência para quem negocia o papel hoje no mercado secundário: o retorno até a data de vencimento embute o juro disponível agora, e o preço unitário reflete esse desconto. Nos títulos indexados à inflação, o IPCA+ (que paga a variação do índice de preços mais uma taxa fixa) segue a mesma lógica, aplicada ao juro real. O IPCA+ 2040 abriu a 7,34% e o IPCA+ 2032, a 7,62%.
A eleição sem ticker e o STF no calendário
O gatilho das taxas não está no Tesouro. O levantamento BTG/Nexus divulgado nesta segunda mostrou Lula ampliando a vantagem sobre Flávio Bolsonaro no primeiro turno e passando a ter um ponto percentual de vantagem no segundo, ainda em empate técnico entre os dois. O quadro inverte a pesquisa anterior, quando Flávio aparecia numericamente à frente. Nova rodada da Quaest está prevista para esta segunda-feira.
“Há, porém, um terceiro ativo sendo negociado diariamente na B3 sem ticker: a eleição”, resume Olívia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos.
Segundo a executiva, a rodada anterior, que colocava Flávio à frente, ajudou a valorizar os ativos brasileiros, e a inversão desta segunda ilustra a sensibilidade do mercado ao tema.
O quadro político se soma à crise no Supremo Tribunal Federal. No fim de semana, o presidente da Corte, Edson Fachin, chamou para si a relatoria da petição sobre as mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master — caso que vai a julgamento no plenário nesta terça-feira. Fachin também marcou para o dia 23 o julgamento sobre a conduta de André Mendonça como relator do caso do Banco Master, enquanto Flávio Dino retirou o sigilo das investigações sobre possível desvio de emendas parlamentares para o filme “Dark Horse”, sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Focus, câmbio e Bolsa na mesma manhã
No câmbio, o dólar à vista avançava 0,70% no início da manhã, e o Ibovespa futuro caía mais de 1% às 9h08, em linha com o desempenho negativo dos mercados internacionais, pressionado por preocupações com o desenvolvimento de inteligência artificial e pela alta do petróleo.
A mediana das projeções para o IPCA de 2026 no Boletim Focus divulgado nesta manhã recuou de 5,00% para 4,90%, e a estimativa de crescimento do PIB também foi revisada para baixo. As projeções para a Selic seguem em 13,75% para 2026, 12% para 2027 e 10,50% para 2028.
Taxa por título no fechamento de sexta e na abertura de segunda
| Título | Sexta-feira | Segunda (9h26) | Variação |
|---|---|---|---|
| Tesouro Prefixado 2032 | 14,18% | 14,33% | +15 pb |
| Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 | 14,23% | 14,38% | +15 pb |
| Tesouro Prefixado 2029 | 13,85% | 13,97% | +12 pb |
| Tesouro IPCA+ 2040 | 7,25% | 7,34% | +9 pb |
| Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2060 | 7,22% | 7,30% | +8 pb |
| Tesouro IPCA+ 2032 | 7,59% | 7,62% | +3 pb |
O que observar até quarta-feira
A semana concentra os eventos que costumam mexer com a curva de juros:
- Nesta segunda-feira, a Quaest divulga nova rodada da pesquisa eleitoral.
- Na terça-feira, o plenário do STF aprecia a petição sobre as mensagens entre Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.
- Na quarta-feira, saem as decisões de juros do Federal Reserve e do Banco Central.
- No dia 23, o plenário do STF analisa a conduta de André Mendonça como relator do caso do Banco Master.
A combinação de calendário político e decisões de juros tende a manter a volatilidade dos títulos públicos nos próximos dias, com efeito direto sobre a marcação a mercado das carteiras já montadas.
