O mercado de renda fixa brasileiro registrou um movimento intenso nesta terça-feira, 10 de fevereiro de 2026. As taxas praticadas no Tesouro Direto atingiram níveis recordes para o ano, impulsionadas pela divulgação dos dados oficiais da inflação de janeiro. O grande destaque do dia foi o título Tesouro IPCA+ 2032, que passou a oferecer um juro real inédito de 7,61% ao ano, atraindo a atenção de investidores que buscam proteção contra a carestia e rentabilidade real elevada.

Inflação oficial (IPCA) pressiona curvas de juros

De acordo com dados divulgados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) apresentou uma alta de 0,33% em janeiro. Com esse resultado, a inflação acumulada nos últimos 12 meses chegou a 4,44%. O movimento de alta foi influenciado significativamente pelo preço da gasolina, que exerceu pressão sobre o índice geral.

Embora o indicador tenha vindo em linha com o que os analistas do mercado financeiro já esperavam, a confirmação do avanço inflacionário gerou uma pressão altista nas taxas dos títulos públicos indexados à inflação, especialmente nos vencimentos de curto e médio prazo. No Ativo Virtual, observamos que essa movimentação reflete a cautela do mercado com a trajetória de preços no primeiro trimestre de 2026.

O fenômeno da marcação a mercado no Tesouro IPCA+ 2032

O título Tesouro IPCA+ 2032, um dos mais negociados da plataforma, exemplifica bem a dinâmica de preços e taxas do mercado de títulos públicos. Desde o seu lançamento recente, sua remuneração saltou de IPCA+ 7,56% ao ano (registrado em 5 de fevereiro) para os atuais 7,61% ao ano.

É fundamental que o investidor compreenda a relação inversa entre preço e taxa: enquanto a rentabilidade oferecida subiu, o preço unitário do título sofreu uma queda na marcação a mercado, recuando de R$ 2.866,77 para R$ 2.862,17 no mesmo período. Isso significa que, para quem já possuía o título na carteira, o valor de venda antecipada caiu, evidenciando a importância de carregar o papel até o vencimento para garantir a taxa contratada.

Expectativas para a Selic e a decisão do Copom

Além dos dados de inflação, as apostas para a próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária), agendada para meados de março, estão moldando a curva de juros. Atualmente, o mercado financeiro está dividido, mas mantém um viés de queda para a taxa básica de juros, a Selic.

  • 66% dos agentes: Precificam um corte da Selic para 14,50% ao ano.
  • 24% dos agentes: Apostam em uma redução mais conservadora, para 14,75% ao ano.
  • Restante: Mantém expectativas em outras faixas ou manutenção, dependendo da evolução dos dados fiscais.

Essa expectativa de queda nos juros nominais, somada a uma inflação ainda persistente, faz com que os títulos que oferecem juros reais (IPCA + taxa fixa) se tornem extremamente competitivos no cenário atual.

Panorama completo das taxas do Tesouro Direto

Abaixo, detalhamos as condições de investimento para os principais títulos disponíveis no Tesouro Direto na tarde de 10 de fevereiro de 2026, conforme levantamento do Ativo Virtual:

Títulos Prefixados

Os prefixados continuam atraindo quem acredita que a inflação ficará sob controle, oferecendo taxas de dois dígitos:

  • Tesouro Prefixado 2029: Rentabilidade de 12,74% ao ano (Aporte mínimo: R$ 7,09).
  • Tesouro Prefixado 2032: Rentabilidade de 13,37% ao ano (Aporte mínimo: R$ 4,80).
  • Tesouro Prefixado com juros semestrais 2037: Rentabilidade de 13,62% ao ano (Aporte mínimo: R$ 8,20).

Títulos Pós-fixados (Tesouro Selic)

Ideal para reserva de emergência e perfil conservador:

  • Tesouro Selic 2031: Rentabilidade de Selic + 0,997% ao ano (Aporte mínimo: R$ 182,85).

Títulos Indexados à Inflação (IPCA+)

Os títulos que protegem o poder de compra bateram recordes de juros reais:

  • Tesouro IPCA+ 2032: IPCA + 7,61% ao ano (Aporte mínimo: R$ 28,62).
  • Tesouro IPCA+ 2040: IPCA + 7,27% ao ano (Aporte mínimo: R$ 16,71).
  • Tesouro IPCA+ 2050: IPCA + 6,98% ao ano (Aporte mínimo: R$ 8,89).

Tesouro Renda+ (Aposentadoria)

Para quem foca no longo prazo e previdência complementar:

  • Tesouro Renda+ 2030: IPCA + 7,30% ao ano.
  • Tesouro Renda+ 2045: IPCA + 6,97% ao ano.
  • Tesouro Renda+ 2065: IPCA + 6,98% ao ano.

Tesouro Educa+ (Educação)

Títulos focados em custear estudos, com prazos variados:

  • Tesouro Educa+ 2027: IPCA + 7,73% ao ano.
  • Tesouro Educa+ 2035: IPCA + 7,42% ao ano.
  • Tesouro Educa+ 2044: IPCA + 7,07% ao ano.

O que muda para investidores

O cenário atual de taxas reais acima de 7,5% é historicamente raro e oferece uma oportunidade de "travar" rentabilidades elevadas por longos períodos. Para o investidor, o principal risco no curto prazo é a volatilidade da marcação a mercado caso a inflação continue a surpreender para cima, o que poderia elevar as taxas ainda mais e reduzir o preço dos títulos já adquiridos.

Por outro lado, se o Banco Central confirmar a trajetória de queda da Selic e conseguir ancorar as expectativas de inflação, quem adquirir esses títulos agora poderá ver um ganho de capital expressivo no futuro. O Ativo Virtual recomenda cautela e atenção ao alinhamento desses prazos com os objetivos financeiros pessoais, garantindo que a liquidez necessária seja mantida em títulos pós-fixados como o Tesouro Selic.

Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. Ativo Virtual não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.