As taxas reais do Tesouro Direto atingiram mínima histórica no mês mesmo com aceleração da inflação em fevereiro. O IPCA-15 divulgado na sexta-feira (27) registrou alta de 0,84% no mês, superando a expectativa de 0,67%, mas o fechamento dos títulos indexados ao IPCA foi impulsionado pela queda do rendimento do T-Note 10 anos dos EUA para 3,98%, menor patamar desde novembro.

Pressão inflacionária eleva taxas nominais

O IPCA-15 de fevereiro revelou aceleração generalizada na inflação, especialmente em serviços e bens industriais, forçando ajustes na curva nominal. Entre os destaques:

VencimentoTaxa (% a.a.)Variação diária
202912,70+11 pb
203213,30+10 pb
2037 (com cupom)13,53Inalterado

A Mirae Asset destacou o comportamento disseminado da inflação, enquanto o Goldman Sachs reafirmou expectativa de corte da Selic na reunião de março, mas alerta para "calibragem conservadora" da política monetária devido ao hiato positivo do produto e medidas fiscais.

Descompressão da curva real

A queda nos Treasuries reverteu tendências observadas no início da semana. Entre os principais ajustes na curva real:

TítuloTaxa (base)Taxa (ontem)Mudança
IPCA+ 20506,776,80-3 pb (mínima do ano)
IPCA+ 20406,987,01-3 pb
IPCA+ 20456,987,02-4 pb
IPCA+ 20606,946,99-5 pb

"A demanda por ativos seguros cresceu diante de incertezas na agenda fiscal americana e expectativa de corte de juros no segundo semestre", analisou o time do Goldman Sachs.

O que isso significa para o investidor

Para investidores em renda fixa, o cenário cria oportunidades assimétricas. A inflação persistente pode manter taxas pré-fixadas atrativas em horizontes intermediários, mas a convergência entre juro real doméstico e externo exige revisão em estratégias de alocação. A redução no hiato com Treasuries (agora em 3,98%) reduz a compensação pelo risco soberano.

Riscos do novo equilíbrio

  • Novos repiques inflacionários forçarem manutenção da Selic acima da neutra
  • Movimento de alta nos Treasuries reverter os ganhos de fevereiro
  • Impacto do câmbio nas projeções de risco-país
  • Condução da política fiscal diante da pressão redistributiva

Próximos passos

Investidores devem monitorar o IPCA oficial de fevereiro (divulgado na quarta-feira, 12) e a minuta da última reunião do Fed (terça, 11). A volatilidade pode aumentar conforme se aproxima o ciclo de decisão de juros nos EUA e avança a agenda fiscal no Brasil.

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.