O Tesouro Reserva colocou uma pergunta prática na mesa de quem mantém dinheiro parado para emergências: vale trocar o Tesouro Selic ou o CDB de liquidez diária por um título público que rende 100% da Selic e pode ser resgatado praticamente a qualquer hora?

A resposta curta é: para reserva de emergência pequena, simplicidade e risco soberano, o Tesouro Reserva ficou muito competitivo. Para maximizar rentabilidade, um CDB de liquidez diária acima de 100% do CDI ainda pode vencer, desde que o investidor respeite o limite do FGC e aceite risco de crédito bancário. E o Tesouro Selic continua forte para quem quer título público tradicional, com mercado já consolidado, mas sem a mesma proposta 24x7 do novo produto.

Resumo rápido: quem ganha em cada situação?

Objetivo do dinheiro Produto que tende a fazer mais sentido Por quê
Reserva de emergência de até R$ 10 mil Tesouro Reserva Rende 100% da Selic, tem mínimo de R$ 1, resgate imediato e isenção de custódia nessa faixa.
Dinheiro que pode ficar anos parado Tesouro Reserva ou Tesouro Selic O diferimento do IR ajuda no longo prazo; no Tesouro Selic, a taxa adicional contratada pode compensar parte da diferença.
Busca de maior retorno com liquidez diária CDB acima de 100% do CDI Com 105% a 110% do CDI, o CDB pode superar o Tesouro, mas depende do emissor, do vencimento e do FGC.
Valor acima do limite coberto pelo FGC Tesouro Direto Títulos públicos não têm FGC, mas são garantidos pelo Tesouro Nacional, sem limite de R$ 250 mil por banco.

O que é o Tesouro Reserva?

O Tesouro Reserva é um novo título do Tesouro Direto, criado em parceria com a B3 e o Banco do Brasil, com rendimento vinculado à Selic. Segundo o Tesouro Direto, ele rende 100% da Selic, começa com aplicação mínima de R$ 1 e foi desenhado para reserva de emergência e objetivos de curto prazo.

O ponto mais diferente não é só o rendimento. É a operação: o produto permite solicitação de resgate e recebimento imediato, com funcionamento praticamente 24 horas por dia e 7 dias por semana. O próprio Tesouro Direto ressalva que há indisponibilidade diária entre 0h e 1h. No lançamento, a aplicação está disponível pelo Banco do Brasil, com outras instituições previstas para depois.

Outra diferença relevante é que o Tesouro Reserva não sofre marcação a mercado como o Tesouro Selic tradicional. Isso significa que o investidor não deve ver aquela pequena oscilação de preço causada por mudanças nas taxas de mercado. Para uma reserva de emergência, essa previsibilidade importa mais do que alguns centavos de rendimento.

Tesouro Reserva x Tesouro Selic: a comparação correta

Os dois são títulos públicos pós-fixados ligados à Selic, mas não são idênticos. O Tesouro Selic tradicional tem liquidez diária no Tesouro Direto, liquidação de resgates em D+0, preço de mercado e uma taxa adicional contratada que pode ser positiva ou negativa conforme o título disponível. O Tesouro Reserva simplifica a experiência: 100% da Selic, sem marcação a mercado e com proposta de resgate imediato no ambiente 24x7.

A tributação é a mesma da renda fixa: IR regressivo sobre o rendimento e IOF nos resgates feitos antes de 30 dias. A taxa de custódia da B3 é de 0,20% ao ano, mas o Tesouro Reserva informa isenção para valores de até R$ 10.000 investidos. Para o Tesouro Selic, a B3 também informa isenção até R$ 10.000 por CPF, com cobrança apenas sobre o excedente.

Tesouro Reserva x CDB de liquidez diária

O CDB de liquidez diária é dívida de banco. Em geral, a comparação é feita em percentual do CDI. Como CDI e Selic diária costumam andar muito próximos, um CDB que paga 100% do CDI tende a ficar perto de um investimento que paga 100% da Selic, antes de detalhes como custódia, vencimento, reinvestimento e impostos.

A diferença estrutural é o risco. O CDB elegível conta com garantia do FGC até R$ 250 mil por CPF ou CNPJ, por instituição financeira ou conglomerado, respeitando o teto global de R$ 1 milhão a cada quatro anos. O Tesouro Direto não tem FGC, porque o emissor é o governo federal; a garantia vem do Tesouro Nacional.

Na prática: CDB de banco grande a 100% do CDI compete muito de perto. CDB de banco médio pagando 105% ou 110% do CDI pode render mais, mas exige checar emissor, conglomerado, vencimento, liquidez real e concentração no FGC. Não é a mesma coisa que deixar dinheiro diretamente em título público.

Fizemos as contas: quanto renderia R$ 10 mil?

A simulação abaixo usa uma aplicação inicial de R$ 10.000, sem novos aportes e sem resgates no meio do caminho. Para o cenário de longo prazo, usamos a mediana mais recente disponível no Sistema de Expectativas do Banco Central consultada nesta apuração: Selic de 13,25% ao fim de 2026, 11,25% em 2027 e 10,00% de 2028 em diante. Como projeção não é garantia, a tabela serve para comparação entre produtos, não para prometer rentabilidade.

Produto e premissa Valor líquido estimado em 10 anos Ganho líquido Leitura prática
Tesouro Reserva, 100% Selic, IR no fim R$ 24.456 R$ 14.456 Bom efeito de juros compostos porque o IR fica para o resgate.
Tesouro Selic, Selic + 0,08% a.a., vencimento e reinvestimento em 5+5 anos R$ 24.086 R$ 14.086 A taxa extra ajuda, mas o IR pago no vencimento intermediário reduz o composto.
CDB 100% CDI, vencimento a cada 2 anos R$ 23.551 R$ 13.551 Fica perto, mas perde no cenário de reinvestimento com IR recorrente.
CDB 105% CDI, vencimento a cada 2 anos R$ 24.542 R$ 14.542 Já empata ou supera por pouco, assumindo emissor e liquidez adequados.
CDB 110% CDI, vencimento a cada 2 anos R$ 25.571 R$ 15.571 Ganha em rentabilidade, mas troca risco soberano por risco bancário.

O resultado muda se o CDB tiver vencimento final de 10 anos e liquidez diária até lá, porque o IR só seria cobrado no fim. Nessa hipótese, um CDB a 105% do CDI chegaria a algo próximo de R$ 25.565 líquidos na mesma simulação, superando o Tesouro Reserva. O problema é que esse tipo de produto precisa ser analisado com lupa: emissor, carência, liquidez diária verdadeira e cobertura do FGC.

Por prazo: a reserva de emergência não vive só em 10 anos

Um erro comum é julgar reserva de emergência apenas por uma simulação de 10 anos. Se o dinheiro é para emergência, o investidor pode resgatar em 30 dias, 6 meses ou 2 anos. Nesses prazos, IR e IOF pesam mais, e a diferença entre produtos parecidos fica pequena.

Prazo Tesouro Reserva líquido estimado Principal ponto de atenção
1 ano R$ 11.126 IR ainda relevante; evite resgatar antes de 30 dias por causa do IOF.
2 anos R$ 12.209 Alíquota de IR já cai para 15% após 720 dias.
5 anos R$ 15.754 Diferimento do IR começa a pesar a favor do Tesouro.
10 anos R$ 24.456 Conta favorece quem não mexe no dinheiro até o fim.

O veredito: Tesouro Reserva vale a pena?

Vale para quem quer simplicidade, segurança e liquidez operacional. O Tesouro Reserva resolve uma dor real: guardar dinheiro pequeno ou médio com rendimento competitivo, sem depender de CDB promocional, sem marcação a mercado e com resgate imediato. Para quem já usa Banco do Brasil, a adoção tende a ser simples.

Não é sempre o maior rendimento. Um CDB de liquidez diária pagando acima de 100% do CDI pode superar o Tesouro Reserva, principalmente se o investidor permanecer dentro do FGC e aceitar o risco do banco emissor. A comparação, porém, não deve ignorar concentração por conglomerado nem o prazo de vencimento do CDB.

O Tesouro Selic continua relevante. Ele pode render um pouco mais no curto prazo se o título disponível tiver taxa adicional positiva, mas não entrega a mesma proposta de disponibilidade imediata do Tesouro Reserva e ainda tem a pequena oscilação de preço típica do título tradicional.

Para uma reserva de emergência, a pergunta correta não é apenas “qual rende mais?”. É: qual produto entrega acesso ao dinheiro, baixo risco, previsibilidade e rendimento suficiente sem obrigar o investidor a caçar promoção de banco? Sob esse critério, o Tesouro Reserva entra como uma das melhores opções de base. Para bater em rentabilidade, o CDB precisa pagar mais que 100% do CDI e vir de um emissor que faça sentido dentro do seu limite de risco.

Perguntas frequentes

Tesouro Reserva tem FGC?

Não. Títulos públicos do Tesouro Direto não são cobertos pelo FGC. Eles têm garantia do Tesouro Nacional. Já CDBs elegíveis são cobertos pelo FGC dentro dos limites por CPF, instituição ou conglomerado.

Posso perder dinheiro no Tesouro Reserva?

O produto foi desenhado sem marcação a mercado e o Tesouro Direto apresenta o título como uma opção sem risco de perda nominal por oscilação de preço. Ainda assim, todo investimento tem riscos operacionais, tributários e de mudanças de regra. Para reserva de emergência, o ponto forte é a previsibilidade.

O Tesouro Reserva rende mais que CDB de liquidez diária?

Contra CDB a 100% do CDI, a disputa é apertada e o Tesouro Reserva pode levar vantagem pela combinação de Selic, diferimento de IR e risco soberano. Contra CDBs de 105% ou 110% do CDI, o CDB tende a render mais, mas com risco de crédito bancário e limite do FGC.

Vale resgatar antes de 30 dias?

Financeiramente, só se for necessário. Como em outras aplicações de renda fixa, o IOF pode incidir nos primeiros 30 dias e reduzir boa parte do rendimento. Para emergência real, liquidez vem antes de rentabilidade; para planejamento, evite girar a aplicação sem motivo.

Fontes e metodologia

Foram consultadas fontes primárias do Tesouro Direto, Tesouro Nacional, B3, Banco Central e FGC. A simulação é ilustrativa, considera rendimento bruto aproximado pela Selic/CDI, IR regressivo conforme prazo, ausência de novos aportes e não constitui recomendação individual de investimento.

Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Ele não constitui recomendação de investimento, oferta de produto financeiro nem substitui a análise individual com profissional habilitado.