O Citi cortou o preço-alvo da Usiminas (USIM5) de R$ 10 para R$ 9 e manteve a recomendação de compra, segundo relatório da casa. A revisão antecede o balanço do terceiro trimestre de 2026, previsto para 30 de outubro, quando o mercado terá a primeira medida concreta de quanto a deterioração da mineração pesou sobre o resultado consolidado.

A diferença entre os dois números é mais do que contábil. Como a interrupção de capacidade na mineração ocorreu dentro do próprio trimestre em análise, ela chega ao balanço como resultado apurado, e não como risco futuro. Isso reduz a margem de surpresa para quem já trabalha com esse cenário e desloca a discussão para o quarto trimestre, período em que a própria casa espera deterioração adicional.

Ebitda de R$ 588 milhões: o aço compensa, a mineração não

Ebitda — lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, indicador que se aproxima da geração de caixa operacional — deve somar R$ 588 milhões no consolidado do trimestre, na estimativa do Citi. O número se sustenta na operação de aço, enquanto a rentabilidade da divisão de mineração entra em trajetória de queda.

Na siderurgia, a projeção da casa é de um trimestre relativamente estável. Sem melhora na receita por tonelada, o segmento ainda enfrenta o avanço das importações, que voltaram a crescer em setembro e reforçam a pressão competitiva sobre as usinas brasileiras. O efeito prático é um teto para o poder de precificação, o que limita o repasse de custos ao cliente.

Pelo lado dos gastos, o maior vilão é o custo das placas de aço, pressionado pela defasagem entre as condições de mercado e a estrutura de custos da companhia. Parte desse impacto tende a ser amortecida por maiores injeções de PCI — carvão pulverizado injetado nos altos-fornos, recurso usado para baratear a operação.

Há espaço para crescimento de volumes, uma vez que a Usiminas já recuperou parte da participação de mercado. O ganho, porém, não deve ser suficiente para destravar expansão relevante de margem, justamente por causa do preço.

Mineração: um terço da capacidade parou em setembro

O fator que empurra o resultado da mineração para território negativo é a interrupção de cerca de um terço da capacidade produtiva ao longo de setembro. O Citi projeta que a situação piore no quarto trimestre, antes de qualquer normalização.

Capex, MUSA e o caixa livre do próximo ano

Mesmo com múltiplos considerados atrativos pela instituição, a avaliação é de que o papel segue sem gatilhos relevantes de valorização no curto prazo. Um dos pontos monitorados é o capex — investimento de capital em ativos e projetos —, cuja estimativa embute risco limitado de corte, já que o número ainda não incorpora uma eventual expansão do projeto MUSA. Essa lacuna deixa o Citi mais cauteloso em relação ao fluxo de caixa livre do próximo ano, e a visão de curto prazo da casa para os papéis, em janela de 30 dias, é negativa.

O que observar até 30 de outubro

MétricaValor
Preço-alvo anteriorR$ 10
Novo preço-alvoR$ 9
Recomendação do Citicompra (mantida)
Ebitda consolidado projetado (3T26)R$ 588 milhões
Data do balanço30 de outubro de 2026
Capacidade de mineração interrompida (setembro)cerca de um terço
Visão de curto prazonegativa (30 dias)

A agenda do investidor até o fim de outubro passa por três verificações: a confirmação do Ebitda de R$ 588 milhões, a velocidade de retomada da capacidade parada na mineração e a evolução das importações de aço — vetor que mexe diretamente com o espaço de preço da siderurgia. O corte de alvo indica que a casa recalibrou as premissas para baixo sem, no entanto, alterar a recomendação; o balanço de 30 de outubro mostrará se esse ajuste foi conservador ou insuficiente.