A divisão de metais básicos da Vale (VALE3), conhecida como VBM, abriga um potencial significativo ainda subestimado no valuation da mineradora, conforme análise do Bradesco BBI. Com projetos de cobre na região de Carajás projetados para impulsionar a produção acima de 500 mil toneladas anuais em cinco anos, essa unidade já responde por mais de 20% do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) consolidado em 2025.

Expansão da produção de cobre em Carajás

A Vale planeja crescimento orgânico na extração de cobre, aproveitando ativos na região de Carajás para superar 500 mil toneladas por ano nos próximos cinco anos. Esse avanço ocorre por meio de novos projetos e ampliações, sem depender de aquisições em um mercado global de cobre com avaliações elevadas. Adicionalmente, a operação deve elevar a produção de ouro como subproduto, com potencial para ultrapassar 700 mil onças, diversificando as receitas da VBM.

Principais projetos em desenvolvimento

Os investimentos concentram-se em iniciativas chave na área de Carajás. O projeto Bacaba inicia em 2028, seguido pela expansão da planta de Salobo em 2029 e o projeto Alemão em 2030. Esses empreendimentos sustentam a trajetória de expansão, com maturação especialmente impactante a partir do início da próxima década.

ProjetoEntrada em operação
Bacaba2028
Expansão Salobo2029
Alemão2030

Reservas atuais e oportunidade de expansão

As reservas de cobre da VBM totalizam 6,4 milhões de toneladas, nível que resulta em vida útil inferior à média global dos produtores. Apesar disso, o Bradesco BBI destaca custos competitivos e bom horizonte de crescimento, com espaço para aumentar o volume de reservas e aproximar o perfil da unidade de pares internacionais.

Contribuição crescente para resultados financeiros

Preços mais altos do cobre, escala ampliado e diluição de custos elevam o peso da VBM nos números da Vale. Em 2025, a divisão já representa mais de 20% do Ebitda consolidado, com projeção de cerca de 30% em 2026. Na geração de caixa, a participação deve ficar em torno de 25% no mesmo período. Após a maturação de Alemão, a VBM pode responder por mais de um terço do Ebitda e do fluxo de caixa a partir do início da próxima década.

O que isso significa para o investidor

Para o investidor pessoa física brasileiro, o fortalecimento da VBM diversifica as fontes de receita da Vale (VALE3) além do minério de ferro, reduzindo exposição a ciclos de commodities específicas. Em um cenário de Selic em queda e câmbio volátil, o crescimento em cobre — beneficiado por demanda global em transição energética — pode sustentar margens resilientes. No otimista, a execução dos projetos eleva a relevância da divisão rapidamente; no pessimista, atrasos ou queda nos preços do metal limitam o impacto. Fatores como o múltiplo EV/Ebitda (Valor da Firma sobre Ebitda) de 4,6 vezes para 2026, abaixo de produtores australianos, sugerem espaço para reavaliação, mas exigem monitoramento de execução operacional.

Riscos

A principal atenção recai sobre a necessidade de expansão das reservas de cobre, atualmente em 6,4 milhões de toneladas, para estender a vida útil dos ativos e alinhar com benchmarks globais. Quaisquer atrasos nos projetos Bacaba, Salobo ou Alemão também podem postergar os ganhos projetados.

  • Ampliação insuficiente de reservas minerais.
  • Riscos operacionais em projetos de Carajás.

Os projetos de cobre da Vale em Carajás representam catalisadores chave, com marcos em 2028, 2029 e 2030. Investidores devem acompanhar atualizações trimestrais de produção e reservas, além de balanços que detalhem a evolução da VBM no Ebitda e caixa da companhia.

As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.