Em assembleia realizada em 11 de junho de 2026, a CM Hospitalar S.A. (VIVEO3) informou ao mercado a aprovação, por parte dos debenturistas, de alterações significativas na 7ª emissão de debêntures não conversíveis, operação realizada em conjunto com a Cremer S.A. (CRES3). A reestruturação visa otimizar o fluxo de caixa e ajustar obrigações financeiras de longo prazo, reforçando a liquidez da empresa no médio prazo.
Principais alterações aprovadas
A operação, acompanhada pelo agente fiduciário, recebeu aval dos credores para as seguintes mudanças nos termos do contrato:
- Alongamento do prazo: o vencimento da dívida foi estendido para 30 de janeiro de 2034.
- Carência estendida: o cronograma de amortização foi readequado, com período de carência para o pagamento do principal até 30 de julho de 2029.
- Flexibilidade operacional: inclusão de cláusulas que permitem à companhia realizar resgate antecipado facultativo e amortização extraordinária a qualquer momento, conforme sua conveniência estratégica.
- Ajuste na remuneração: a taxa de juros das 5ª e 6ª emissões subirá de CDI + 1,60% a.a. para CDI + 1,70% a.a., com vigência a partir de 30 de julho de 2026.
Revisão dos covenants financeiros
Um dos pontos de maior impacto para a análise de crédito foi a alteração na definição de EBITDA (indicador de geração de caixa operacional antes de juros, impostos e depreciação) para fins de cálculo de alavancagem. A nova métrica passa a incluir pagamentos de arrendamento mercantil (leasing/aluguel), alinhando o cálculo à realidade dos fluxos operacionais da rede.
Em contrapartida, foi aprovada uma nova curva de alavancagem (Dívida Líquida/EBITDA) que se torna progressivamente menos restritiva, refletindo a expectativa de desalavancagem:
- 2026/2027: limite de 4,75x
- 2027/2028: limite de 4,50x
- 2028/2029: limite de 4,00x
- 2029/2030: limite de 3,75x
- 2030 em diante: teto reduzido para 3,50x até o vencimento
O que muda para investidores
Para os detentores de títulos de renda fixa e acionistas, a operação sinaliza uma gestão proativa do passivo da Viveo. O alongamento da dívida e a concessão de carência até 2029 preservam o caixa da companhia no curto prazo, reduzindo a pressão imediata sobre a geração de receitas e permitindo maior foco na expansão da rede de saúde. O aumento da remuneração para CDI + 1,70% a.a. nas emissões anteriores compensa parcialmente o risco de alongamento e a revisão do EBITDA. A nova curva de alavancagem oferece um cronograma claro de metas de desendividamento, o que tende a melhorar a percepção de risco de crédito se os resultados operacionais acompanharem o ritmo exigido pelos covenants. As atas da assembleia foram disponibilizadas nos canais oficiais de Relações com Investidores e no site do agente fiduciário.
Disclaimer: O conteúdo apresentado é meramente informativo e não deve ser considerado como conselho de investimento. Ativo Virtual não se responsabiliza por decisões financeiras tomadas com base nestas informações.
