Nova York encerrou a sexta-feira, 25, com os três principais índices em alta e ainda entregou ganho semanal: o Dow Jones ganhou 0,93% e fechou a 51.828,62 pontos, o S&P 500 teve 0,51% de valorização, a 7.743,41 pontos, e o Nasdaq terminou o dia em 27.068,72 pontos, com 0,48% de ganho. No acumulado da semana, o Nasdaq liderou com 2,06%, o S&P 500 somou 1,22% e o Dow Jones, 0,28%.
O rali tem lastro no setor de inteligência artificial (IA), mas avança sobre um terreno macroeconômico mais tenso. As apostas em nova alta de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) cresceram ao longo da semana, segundo a ferramenta CME FedWatch, enquanto os rendimentos dos Treasuries — os juros dos títulos do Tesouro americano, referência global para o custo do dinheiro — seguiram pressionados. A queda mais intensa do petróleo na sessão ajudou a aliviar esse movimento, sem eliminá-lo.
Para quem investe no Brasil, essa combinação pesa. Juros longos americanos mais altos tendem a sustentar o dólar e a reduzir a margem de manobra da política monetária em economias emergentes, o que historicamente costuma se refletir em câmbio, bolsa e renda fixa local.
| Índice | Fechamento (pontos) | Dia (%) | Semana (%) |
|---|---|---|---|
| Dow Jones | 51.828,62 | 0,93 | 0,28 |
| S&P 500 | 7.743,41 | 0,51 | 1,22 |
| Nasdaq | 27.068,72 | 0,48 | 2,06 |
IA e bancos puxam a alta
Dentro do mercado, a tecnologia concentrou os destaques positivos. A Akamai Technologies ficou entre as maiores altas depois de fechar uma parceria de longo prazo com a Anthropic, e a Microsoft subiu 3,66%, beneficiada pelo anúncio de novas capacidades do Copilot, seu assistente de IA.
O setor bancário acompanhou o movimento, com ganhos disseminados: JP Morgan e Goldman Sachs valorizaram mais de 1% cada. Na ponta oposta, a Meta cedeu 3,33% na sessão, ainda que tenha registrado uma das melhores semanas entre as grandes ações, com alta superior a 15%.
Fed e Treasuries: o contrapeso que segue no radar
O mercado relevou, ao longo dos últimos dias, a escalada das apostas em nova elevação de juros pelo Fed na reunião de outubro. A presidente do Fed de Cleveland, Beth Hammack, avaliou que a política monetária americana ainda não impõe restrição suficiente à atividade econômica do país.
Os analistas do Charles Schwab veem mais peso no calendário econômico da semana que vem, após indicadores americanos mais robustos e o avanço dos retornos dos Treasuries.
A agenda que pode virar o humor
Os próximos dias concentram uma bateria de indicadores dos EUA, e cada dado mais forte tende a reforçar a discussão sobre juros. Há ainda um capítulo comercial em jogo: o representante de Comércio dos EUA (USTR), Jamieson Greer, adiantou que muito mais detalhes das tratativas entre Washington e Pequim devem vir a público na segunda-feira, depois dos encontros entre Donald Trump e Xi Jinping.
O saldo da semana é de uma bolsa que subiu apoiada em um tema — a IA — enquanto o pano de fundo de juros americanos mais altos e de inflação ainda no radar segue sem solução. Enquanto os índices celebram a corrida tecnológica, o mercado mantém no horizonte o risco de uma nova alta do Fed, e é essa tensão que deve orientar o humor dos ativos nos próximos dias.
