As ações da WEG (WEGE3) encerraram a sessão de quarta-feira (25) com leve recuo de 0,66%, cotadas a R$ 51,09, após divulgar resultados do quarto trimestre de 2025 que combinaram bons desempenhos operacionais a desafios no crescimento. Enquanto as margens Ebitda atingiram 22,4%, superando o trimestre anterior (22,1%) e expectativas de analistas, a receita líquida recuou 5,3% ano a ano para R$ 10,25 bilhões – abaixo das projeções de R$ 10,63 bilhões compiladas pela LSEG.
Desempenho financeiro e operacional
| Métrica | 4T25 | Variação Anual | Projeções |
|---|---|---|---|
| Lucro líquido | R$ 1,59 bilhão | -6,3% | R$ 1,61 bilhão |
| Ebitda | R$ 2,29 bilhões | -4% | R$ 2,25 bilhões |
| Receita líquida | R$ 10,25 bilhões | -5,3% | R$ 10,63 bilhões |
Apesar da queda em linhas de resultado, a margem Ebitda expandiu 30 pontos-base ante o mesmo período de 2024, impulsionada por eficiência operacional e maior participação de negócios de ciclo longo. A divisão internacional compensou a retração doméstica: a receita externa cresceu 7,8% em dólar, mas caiu 0,5% em reais devido à valorização da moeda brasileira frente ao período.
Versões opostas de analistas
A divergência entre margens e receita gerou reações distintas no mercado. O Morgan Stanley destacou que o Ebitda alinhado às expectativas "compensou a receita baixa", mas alertou para "questionamentos sobre crescimento". O JPMorgan previu reação negativa mesmo com projeções moderas, citando queda de 6% no Lucro por Ação (LPA) – primeiro recuo desde 2017 – e valuations elevados comparados ao histórico, agora negociados a 30x P/L frente a 20x há dois anos.
"O tão aguardado pior trimestre da década finalmente chegou e... foi melhor do que o esperado", avaliou o Itaú BBA.
Já o Itaú BBA enxergou surpresa positiva: as margens expandiram 30 pontos-base ante 2024 e 20 pontos-base frente ao 3T25, superando modelos próprios que previam contração de 90 pontos-base. O Citi manteve visão positiva, reconhecendo que "crescimento no curto prazo segue pressionado pela menor atividade em solar/eólica".
O que isso significa para o investidor
Para investidores PF brasileiros, o balanço expõe dois lados complementares: margin stability indica gestão competente em contexto de desaceleração, mas retração da receita doméstica (12,2%) e dependência da demanda renovável trazem vulnerabilidades. A valorização do real (variação cambial pressionando receita externa) reforça exposição a volatilidade cambial – fator a ser avaliado frente aos juros Selic em 10,75% e IPCA acumulado de 4,61% em 12 meses.
Riscos
- Concentração de demanda em setores com regulamentação em fluxo como energia renovável
- Exposição a câmbio e sua variabilidade em 2025 por déficit fiscal e juros reais atrativos
- Evolução capex para adaptação a nova realidade de demanda global e digitalização
Perspectiva e Próximos Passos
Com o Itaú BBA sinalizando "risco de alta nas estimativas para 2026", investidores devem monitorar sinalizações sobre reajuste de projeções e movimentos no segmento de Geração, Transmissão e Distribuição (GTD), responsável pela maior parte da queda doméstica. O desempenho na Europa Oriental e preços de produtos premium serão cruciais para validação da estratégia de mitigação de impactos legislativos adversos.
