A XP Investimentos alterou seus critérios para o setor de autopeças na B3, priorizando companhias com receita internacional e trajetória de desalavancagem (redução sistemática de endividamento por pagamento de dívidas). A principal medida foi o upgrade da Tupy (TUPY3) para compra, impulsionada pela recuperação da demanda por caminhões pesados nos EUA e projeção de expansão de lucros. No pregão, às 12h36, as ações subiram 4,25%, cotadas a R$ 14,95.
Mudança de Vetor e a Nova Recomendação para a Tupy
O horizonte de 2026 aponta para um ambiente operacional mais favorável à fabricante. O aquecimento nas vendas norte-americanas e a conquista de novos contratos domésticos e externos sustentam a tese de melhora nos fundamentos, alinhada à nova estratégia da corretora de privilegiar ativos menos expostos ao ciclo econômico interno.
Panorama de Valuation: Marcopolo e Iochpe-Maxion
A recomendação de compra para Marcopolo (POMO4) e Iochpe-Maxion (MYPK3) foi mantida, sustentada por avaliações descontadas. A Iochpe-Maxion utiliza a diversificação geográfica para suavizar oscilações regionais. A Marcopolo registrou a menor revisão negativa de projeções entre as monitoradas, demonstrando resiliência setorial e balanço sólido. Para comparar essas empresas, analisa-se o P/L (Preço sobre Lucro), métrica que indica quantas vezes a cotação atual cobre o lucro projetado. O Dividend Yield (indicador de retorno percentual em dividendos) projetado reforça o atrativo de renda.
| Ativo | Múltiplo P/L Estimado | P/L Justo/Referência | Dividend Yield Projetado |
|---|---|---|---|
| POMO4 | 5,4x (2026) | ~8x | Elevado |
| MYPK3 | 4,1x (2027) | Descontado | ~9% (2026-2027) |
Visão Neutra para Randoncorp e Frasle Mobility
A análise reafirma neutralidade para Randoncorp (RAPT4) e Frasle Mobility (FRAS3), citando visibilidade limitada e múltiplos esticados. Para a Randoncorp, a falta de inflexão nos lucros persiste. Juros domésticos elevados continuam a pressionar demanda e margens. A recuperação da Addiante permanece incerta, enquanto as despesas financeiras altas oneram o resultado. Na Frasle, a força no mercado de reposição e a integração de aquisições são reconhecidas. O obstáculo está na precificação: os papéis negociam a 17 vezes o lucro de 2026 e 13 vezes o de 2027. Com a expectativa de desaceleração no crescimento orgânico da receita, a margem de segurança se torna restrita.
O que isso significa para o investidor
O reposicionamento reflete uma leitura macroeconômica que penaliza players excessivamente dependentes do consumo interno e do crédito nacional, setores altamente sensíveis aos movimentos da Selic. Para o investidor pessoa física, o destaque a empresas desalavancadas e exportadoras sinaliza a busca por receitas em moeda forte e redução de custos financeiros, funcionando como proteção natural contra a volatilidade cambial. O cenário indica que carteiras do setor devem migrar para ativos com geração de caixa previsível e capacidade de distribuir proventos, mesmo em ambientes de crescimento moderado.
Fatores de Risco
- Manutenção de taxas de juros domésticas elevadas, comprimindo o financiamento de frotas e a lucratividade.
- Desaceleração não prevista na demanda norte-americana por veículos pesados, afetando projeções externas.
- Pressão persistente sobre despesas financeiras e lentidão na recuperação de unidades estratégicas.
- Perda de margem de segurança devido à precificação esticada em ativos com crescimento orgânico em arrefecimento.
O acompanhamento dos resultados trimestrais do primeiro semestre de 2026, a assinatura de novos contratos internacionais e a evolução das taxas de juros locais serão os catalisadores para validar as premissas de desalavancagem e expansão de lucros.
As informações deste editorial foram produzidas pela redação do Ativo Virtual com base em reportagem publicada pelo(a) InfoMoney. Este conteúdo tem caráter exclusivamente informativo e não constitui recomendação de investimento. Decisões financeiras devem ser tomadas com o auxílio de um profissional certificado.
