Principais pontos

  • O STOXX 600, índice que reúne as principais ações europeias, avançou 0,9% e encerrou aos 642,6 pontos nesta quinta-feira.
  • A mineração de metais liderou os ganhos, com avanço de 2,1%, seguida pelas montadoras, com 1,7%.
  • O Brent estendeu a queda pelo segundo dia consecutivo, após relatos de que a Arábia Saudita estava oferecendo cargas adicionais por meio de Omã, mas o barril permaneceu acima de US$ 100.
  • A primeira elevação de juros do Fed em três anos, anunciada na quarta-feira, alimentou a percepção de que os principais bancos centrais estão apertando o passo no combate à inflação.

O STOXX 600, índice que reúne as principais ações europeias, avançou 0,9% e encerrou aos 642,6 pontos nesta quinta-feira. A sessão veio um dia depois de o Federal Reserve promover o primeiro aumento da taxa de juros dos Estados Unidos em três anos — conforme apuração da Reuters. O alívio citado pela agência veio de duas frentes: preços mais baixos do petróleo e uma pausa na liquidação de títulos. O rali, porém, não foi uniforme, e é na diferença entre os setores que está o dado mais informativo do dia.

O rali que a média do índice esconde

O ganho de 0,9% do índice pan-europeu é uma média de desempenhos bastante distintos. A mineração de metais liderou os ganhos, com avanço de 2,1%, seguida pelas montadoras, com 1,7%. Entre as montadoras, BMW, Renault e Volkswagen registraram ganhos de cerca de 2% cada uma. O setor de energia subiu apenas 0,1%, mesmo com o petróleo no centro das atenções do dia.

A leitura do Ativo Virtual é que o apetite por risco se concentrou em dois blocos específicos, mineração e montadoras, enquanto o restante do índice acompanhou o movimento com bem menos intensidade.

Setor no STOXX 600Variação no dia
Mineração de metais+2,1%
Montadoras+1,7%
Índice pan-europeu (STOXX 600)+0,9%
Energia+0,1%

As praças europeias, uma a uma

A dispersão entre setores também aparece na comparação entre países. Londres (+1,19%) e Lisboa (+1,37%) ficaram acima de 1%, Madri (+1,00%) marcou exatamente 1%, e Frankfurt (+0,70%), Paris (+0,57%) e Milão (+0,80%) avançaram menos de 1% cada. O pregão foi de ganhos reais, mas distribuídos de forma desigual pelo continente.

ÍndicePraçaVariaçãoFechamento
Financial TimesLondres+1,19%10.816,14 pontos
DAXFrankfurt+0,70%25.716,71 pontos
CAC-40Paris+0,57%8.186,93 pontos
FTSE/MIBMilão+0,80%52.385,50 pontos
IBEX-35Madri+1,00%19.831,80 pontos
PSI20Lisboa+1,37%9.671,11 pontos

Petróleo em queda, barril ainda acima de US$ 100

O Brent estendeu a queda pelo segundo dia consecutivo, após relatos de que a Arábia Saudita estava oferecendo cargas adicionais por meio de Omã, mas o barril permaneceu acima de US$ 100. O contraste com o setor de energia europeu é imediato: mesmo com o recuo da commodity, as ações do segmento subiram 0,1%, sem devolver os ganhos anteriores.

A leitura possível é que o mercado acionário europeu dê mais peso ao patamar do petróleo — acima de US$ 100 — do que à variação diária do preço. O efeito do preço da commodity sobre o caixa das companhias do setor historicamente aparece com defasagem, o que ajuda a explicar a reação contida.

Fed: juro em alta e Treasury em queda

A primeira elevação de juros do Fed em três anos, anunciada na quarta-feira, alimentou a percepção de que os principais bancos centrais estão apertando o passo no combate à inflação. O sinal que chama atenção está no mercado de títulos: os rendimentos dos Treasuries caíram nesta quinta-feira, à medida que os investidores avaliavam a decisão e os sinais de um novo aperto monetário à frente.

Juro de curto prazo em alta com rendimento de títulos longos em queda costuma indicar que parte do ciclo já estava precificada antes do anúncio. Nesse tipo de movimento, o mercado tende a reagir menos à decisão em si e mais ao que ela sinaliza para os meses seguintes. Para os ativos de risco, o resultado prático foi um dia de apetite, e não de aversão — o inverso do que uma leitura apressada da alta de juros sugeriria.

O que muda para quem tem exposição internacional

O dia deixa três referências para o investidor brasileiro que acompanha mercados globais. A primeira é de custo de capital: juros mais altos nos Estados Unidos tendem a encarecer o financiamento em dólar e a pressionar a avaliação de ativos de maior duração, aqueles cujo retorno está concentrado no futuro.

A segunda é de composição do risco dentro da carteira. A alta europeia foi liderada por setores específicos — mineração e montadoras — e não por um movimento generalizado. Em sessões assim, a dispersão entre setores costuma pesar mais no resultado de uma carteira do que a variação do índice principal.

A terceira é de agenda. O mercado europeu absorveu uma decisão já conhecida e passou a trabalhar com a hipótese de novos apertos monetários adiante, o que mantém a política monetária no centro das atenções dos próximos pregões.

Para quem observa a bolsa brasileira, o pano de fundo descrito pela fonte é de apetite por risco convivendo com juro americano em alta, combinação que historicamente exige mais atenção à seletividade do que ao humor geral dos índices.