Principais pontos

  • A curva de juros longa brasileira iniciou a quarta-feira (19) com alívio generalizado, acompanhando a acomodação das taxas nos Estados Unidos.
  • A leitura analítica aponta que o mercado digeriu preocupações com a deterioração fiscal em economias desenvolvidas, a persistência da inflação e a forte concorrência por capital
  • A atenção agora se volta para a ata da reunião de julho do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), divulgada nesta quarta.

A curva de juros longa brasileira iniciou a quarta-feira (19) com alívio generalizado, acompanhando a acomodação das taxas nos Estados Unidos. Os papéis indexados à inflação — conhecidos como IPCA+ (títulos que pagam a inflação do período mais uma taxa de juros real fixa) — puxaram esse movimento, com o IPCA+ 2032 recuando 5 pontos-base (unidade que equivale a 0,01%) e fechando a manhã em 8,09%, segundo levantamento de mercado.

O choque global e o efeito dominó nos Treasuries

O recuo doméstico ocorre na esteira de uma forte pressão sobre a renda fixa global. Na véspera, o rendimento dos Treasuries (títulos públicos do governo americano) de 30 anos tocou 5,323%, o maior patamar em 19 anos, antes de recuar para a região de 5,28%. O papel de 10 anos, benchmark para crédito ao consumidor e hipotecas nos EUA, operava perto de 4,70%.

Essa liquidação não foi isolada. Os papéis japoneses de 10 anos atingiram o topo em três décadas, os alemães de 30 anos foram à máxima desde 2011, e os franceses do mesmo prazo registraram recorde pós-2008. A leitura analítica aponta que o mercado digeriu preocupações com a deterioração fiscal em economias desenvolvidas, a persistência da inflação e a forte concorrência por capital gerada por emissões corporativas ligadas a investimentos em inteligência artificial, que devem totalizar cerca de US$ 1,5 trilhão neste ano.

Raio-X da queda nas curvas brasileiras

No mercado doméstico, o movimento nos Prefixado (títulos cuja taxa de retorno é travada no momento da aplicação) também foi de queda, ainda que mais contido. O Prefixado com Juros Semestrais (títulos que distribuem cupons de remuneração a cada seis meses) 2037 caiu de 14,80% para 14,76%, enquanto o Prefixado 2032 foi de 14,75% para 14,73%. O Prefixado 2029 teve variação marginal, saindo de 14,31% para 14,30%.

Na ponta da inflação, o IPCA+ 2040 passou de 7,58% para 7,54%, e o IPCA+ com Juros Semestrais 2045 foi de 7,56% para 7,52%. O IPCA+ com Juros Semestrais 2037 ajustou-se de 7,78% para 7,75%, e o IPCA+ 2050 cedeu de 7,30% para 7,28%.

TítuloTaxa AnteriorTaxa AtualVariação
IPCA+ 20328,14%8,09%-5 bps
IPCA+ 20407,58%7,54%-4 bps
IPCA+ JS 20457,56%7,52%-4 bps
IPCA+ JS 20377,78%7,75%-3 bps
IPCA+ 20507,30%7,28%-2 bps
Pref JS 203714,80%14,76%-4 bps
Pref 203214,75%14,73%-2 bps
Pref 202914,31%14,30%-1 bp

Agenda de riscos: Fed e custos corporativos no radar

A atenção agora se volta para a ata da reunião de julho do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), divulgada nesta quarta. Na última decisão, a taxa foi mantida, mas três dirigentes votaram a favor de uma alta — uma divisão que o mercado dissect para antever os próximos passos da política monetária global.

No front interno, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que extingue a escala de trabalho 6×1 avançou no Senado. O tema entrou no radar dos investidores pelos potenciais impactos sobre os custos das empresas e sobre a dinâmica do mercado de trabalho, adicionando uma camada de risco fiscal e corporativo à equação de juros doméstica.