O Ibovespa fechou a última sessão da semana de 28 de setembro a 2 de outubro aos 192.114,55 pontos, com ganho de 4,71% em cinco pregões, interrompendo a sequência de perdas do índice. Setembro terminou com avanço de 5,03%, o segundo melhor mês de 2026 para a bolsa brasileira. No câmbio, o dólar à vista subiu 0,67% no acumulado semanal e encerrou a R$ 5,2165.

O combustível do movimento foi a montagem de posições via opções — contratos que dão o direito de comprar ou vender um ativo por um preço combinado até determinada data — mirando o primeiro turno das eleições. A corrida entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL) ainda não tem vencedor definido nas pesquisas. Já as plataformas de mercados preditivos, vetadas no país, mostram o senador à frente; entre os agentes financeiros, a leitura é de que um quadro como esse, se confirmado, abriria caminho para uma recuperação dos ativos domésticos.

Bruna Sene, analista de Renda Variável da Rico, destrincha o que sustentou o mês. “O movimento ao longo do mês refletiu a reprecificação das expectativas em torno da condução da política fiscal a partir de 2027, e a retomada do fluxo estrangeiro para a bolsa local. No exterior, o petróleo voltou a superar US$ 100 por barril com a escalada das tensões no Oriente Médio, antes de recuar na sexta com o anúncio de liberação de estoques europeus de diesel”

Hapvida mira até R$ 1,5 bilhão com venda de hospitais e aluguel de volta

A maior alta semanal do Ibovespa saiu de HAPV3, que saltou quase 25%. Segundo informações da agência Bloomberg, o BTG Pactual e a XP foram acionados pela companhia para estudar uma estrutura de sale-leaseback com parte de seus hospitais — arranjo em que o imóvel é vendido a investidores e a empresa continua operando o espaço, agora como locatária, por meio de contratos de aluguel de prazo longo. A estimativa é captar até R$ 1,5 bilhão, com a negociação ainda no início.

O que a bolsa comprou na semana foi a leitura de melhora operacional, não apenas a venda de imóveis. Se o negócio avançar, o caixa tende a ganhar fôlego sem que a companhia abra mão de operar seus próprios hospitais. Preço dos ativos e prazo dos aluguéis definem, no longo prazo, se a estrutura sai vantajosa — e ambos seguem indefinidos, já que a tratativa está no começo.

A hipótese de saída da listagem que pressiona a unit do Santander

Na ponta negativa, SANB11 ficou com o pior desempenho da semana e voltou ao patamar de antes da oferta pública de aquisição (OPA). Entre os papéis do setor financeiro, a unit acumula o resultado mais fraco de 2026, com o mercado já trabalhando com a hipótese de a companhia deixar de ser negociada na bolsa brasileira. No conjunto do índice, somente oito ações recuaram no período.

A discussão sobre saída de listagem mexe com liquidez e com formação de preço: menos negócios tendem a significar mais dificuldade para entrar e sair de uma posição nos preços desejados. Para quem acompanha o setor, o caso indica quanto o mercado está disposto a pagar por estruturas de unit quando a permanência na bolsa entra em dúvida.

Desemprego na mínima da série e emprego mais fraco nos EUA

Nos três meses encerrados em agosto, a taxa de desocupação brasileira marcou 5,3%, o menor patamar para o período desde o início da série, em 2012, com recorde no número de empregados. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) apontou 165.827 vagas formais abertas em agosto, o melhor resultado em cinco meses.

Do lado americano, os rendimentos dos Treasuries renovaram máximas de 24 anos. O índice de preços de despesas de consumo pessoal (PCE), a medida de inflação preferida do Federal Reserve, avançou 0,3% em agosto, abaixo dos 0,4% esperados por economistas consultados pela Reuters e logo acima dos 0,2% de julho. No acumulado do ano, a alta chega a 3,4%, distante da meta de 2% perseguida pelo banco central americano.

O payroll, principal relatório de emprego dos Estados Unidos, trouxe apenas 29 mil postos criados em setembro, número bem inferior ao projetado, e a taxa de desemprego passou de 4,1% para 4,2%.

A aposta de alta nos juros americanos escorrega de outubro para dezembro

Com os dados mais fracos, o mercado empurrou a aposta de elevação de juros de outubro para dezembro. A ferramenta FedWatch, do CME Group, apontava na sexta-feira (2) probabilidade próxima de 78% de manutenção da taxa americana na faixa de 3,75% a 4,00% ao ano no encontro de outubro. Já para o encontro de dezembro, a ferramenta aponta mais de 80% de chance de um novo aperto de ao menos 25 pontos-base — o equivalente a 0,25 ponto percentual.

Esse é o dado que organiza o calendário até o fim do ano: qualquer arrefecimento adicional da economia americana altera a expectativa de custo do dinheiro no mundo, e o Brasil costuma sentir esse movimento no câmbio e no apetite do investidor estrangeiro.

Os números da semana de 28 de setembro a 2 de outubro

IndicadorResultado
Ibovespa (fechamento)192.114,55 pontos
Ibovespa na semana+4,71%
Ibovespa em setembro+5,03%
Dólar à vistaR$ 5,2165 (+0,67% na semana)
Hapvida (HAPV3)quase +25% na semana
Santander (SANB11)pior desempenho do Ibovespa na semana
Desemprego no Brasil5,3% (trimestre até agosto)
CAGED em agosto165.827 vagas formais
Payroll em setembro29 mil vagas
Fed em outubro78% de chance de manter entre 3,75% e 4,00%

A semana deixa um índice em alta consistente convivendo com dispersão extrema entre papéis: de um lado, uma empresa que redesenha a forma de financiar seus ativos; de outro, uma instituição cuja presença na bolsa virou incerteza. O primeiro turno das eleições e as decisões de juros nos Estados Unidos, em outubro e dezembro, são os eventos que devem marcar a próxima rodada de preços.