O Ibovespa encerrou a segunda-feira (28) aos 182.991,13 pontos, recuo de 0,26% que equivale a 485,73 pontos perdidos — a quarta sessão consecutiva de baixa. Durante o pregão, o índice oscilou entre 181.930,63 pontos, na mínima, e 183.899,46 pontos, na máxima, e chegou a operar no campo positivo antes de voltar ao vermelho.
O tamanho da queda do índice não acompanha o que ocorreu em outras mesas. O dólar comercial avançou 0,85%, a R$ 5,225, e as taxas futuras de juros encerraram o dia em alta em todos os vencimentos, enquanto o Ibovespa recuava apenas 0,26%. Taxas futuras, também chamadas de juros futuros, são os juros negociados hoje para liquidação em datas à frente e funcionam como termômetro das expectativas do mercado sobre a política monetária. O sinal que elas emitem é de prêmio de risco mais caro: quem mantém ações brasileiras na carteira segue posicionado, mas cobra mais para financiar o país e busca proteção cambial.
Petróleo e minério sustentam; bancos e varejo puxam para baixo
Petrobras (PETR4) subiu 1,52%, acompanhando a valorização do barril no mercado internacional, e Prio (PRIO3) liderou os ganhos do dia, com 3,84%. A Vale (VALE3) começou o pregão no negativo, inverteu a direção e fechou com 0,55% de alta. Os três ajudaram a impedir uma queda maior do índice.
Do lado oposto, os grandes bancos caíram em conjunto: Banco do Brasil (BBAS3) perdeu 0,46%, Bradesco (BBDC4) recuou 1,23%, Itaú Unibanco (ITUB4) cedeu 1,00% e Santander (SANB11) ficou em -0,20%. A B3 (B3SA3) recuou 1,67%. No varejo, Assaí (ASAI3) caiu 2,76% e Magazine Luiza (MGLU3) perdeu 2,37%, enquanto Lojas Renner (LREN3) avançou 0,36%.
| Ativo | Variação na sessão |
|---|---|
| Prio (PRIO3) | +3,84% |
| Petrobras (PETR4) | +1,52% |
| Vale (VALE3) | +0,55% |
| Lojas Renner (LREN3) | +0,36% |
| Santander (SANB11) | -0,20% |
| Banco do Brasil (BBAS3) | -0,46% |
| Itaú Unibanco (ITUB4) | -1,00% |
| Bradesco (BBDC4) | -1,23% |
| B3 (B3SA3) | -1,67% |
| Magazine Luiza (MGLU3) | -2,37% |
| Assaí (ASAI3) | -2,76% |
Eleições: sensibilidade maior a uma semana do primeiro turno
A disputa presidencial voltou a concentrar as atenções do mercado, e os levantamentos divulgados nos últimos dias não afastaram a percepção de disputa equilibrada. Faltam quatro pregões até o primeiro turno, marcado para domingo (4).
Com esse calendário, os ativos brasileiros tendem a reagir com intensidade maior a qualquer sinal sobre a condução da política econômica a partir de 2026, e essa sensibilidade aparece tanto no câmbio quanto na curva de juros. O dólar ganhou força em uma sessão de aversão ao risco que combinou a incerteza eleitoral doméstica com a pressão vinda de fora.
Inflação de 2027 cresce no radar das empresas
A pesquisa Firmus mostrou que a mediana das expectativas das empresas para a inflação de 2027 passou de 4% para 4,5%. O Boletim Focus, por sua vez, trouxe projeções de inflação mais altas e estimativas de crescimento da economia menores.
O prazo chama atenção: o horizonte de 2027 supera o ciclo eleitoral imediato e costuma aparecer com mais nitidez nos vencimentos longos da curva de juros. Expectativas de preços mais altas para lá de 2026 sinalizam que a preocupação com a inflação não se limita ao ano corrente — e, quando isso acontece, os prêmios exigidos em prazos maiores tendem a demorar mais para ceder.
Wall Street cai com petróleo e Treasuries no radar
As bolsas americanas também fecharam no vermelho. O Dow Jones recuou 0,45%, aos 51.595,55 pontos; o S&P 500 perdeu 0,54%, aos 7.701,35 pontos; e o Nasdaq caiu 0,60%, aos 26.904,96 pontos. Os índices reduziram parte das perdas ao longo da tarde, mas não conseguiram virar.
O pano de fundo foi a alta do petróleo diante das tensões entre Estados Unidos e Irã, que reacendeu preocupações com a inflação americana e, por consequência, com a chance de uma política monetária mais restritiva pelo Federal Reserve. Os Treasuries — títulos do Tesouro dos Estados Unidos, referência global de ativo livre de risco — operaram com rendimentos mais altos, e essa combinação costuma reduzir o apetite por bolsas emergentes, que precisam oferecer prêmio maior para competir com a renda fixa americana.
O que observar até o voto
A agenda brasileira de terça-feira (29) traz o IGP-M de setembro, o índice de confiança do setor de serviços e a taxa de desemprego. As eleições devem seguir no centro das atenções, com quatro sessões pela frente antes do primeiro turno de domingo (4).
No fechamento anterior a esta segunda-feira, na sexta (25), o Ibovespa havia terminado aos 183.476,86 pontos, com baixa de 0,27%. Historicamente, a aproximação do pleito tende a ampliar a volatilidade intradiária e a dispersão entre setores — em sessões assim, papéis ligados a commodities e a estatais e bancos e varejo costumam responder de forma diferente ao mesmo conjunto de notícias, o que ajuda a explicar a queda pequena do índice em contraste com a alta do dólar e dos juros futuros.
