O Ibovespa abriu o mês de outubro, nesta quinta-feira (1º), com alta de 0,46%, aos 187.197,46 pontos, enquanto o dólar à vista subiu 0,88% e encerrou a R$ 5,2204. O desempenho positivo do índice, porém, não veio de um movimento amplo de compra: foi sustentado pelo petróleo e por um grupo reduzido de ações de peso, num dia marcado por aversão a risco no exterior e pela proximidade do primeiro turno das eleições presidenciais.

Metade do Ibovespa é explicada por três blocos: Petrobras, Vale e os bancos. Essa concentração da carteira teórica — a cesta de papéis e pesos que serve de parâmetro para o índice — significa que o rumo de poucos nomes tende a ditar o resultado do mercado como um todo, independentemente do comportamento da maioria das companhias listadas.

Petróleo no exterior sustenta Petrobras; Vale fica sem referência da China

As duas classes de ação da Petrobras seguiram a valorização do petróleo no mercado internacional. PETR3 subiu 1,80%, a R$ 54,84, e PETR4 avançou 1,32%, a R$ 49,77.

A VALE3 ganhou 0,56% e fechou a R$ 70,30. A sessão não teve negociação em Dalian, na China, por causa de feriado local, o que retirou do mercado a referência diária do minério de ferro. A mineradora responde por 8% do índice.

Santander devolve o patamar pré-OPA e pesa sobre os bancos

Na ponta oposta, o Santander (SANB11) caiu 2,96%, a R$ 27,90, acumulando a quarta sessão seguida de perdas e retornando ao nível anterior à oferta pública de aquisição (OPA) de suas ações. O movimento faz de SANB11 o pior desempenho entre os grandes bancos no acumulado de 2026, num ambiente em que parte do mercado trabalha com a possibilidade de a linha deixar de ser negociada na bolsa brasileira.

O efeito transbordou para o restante do setor: o Índice Financeiro (IFNC) recuou 0,07%.

Azzas lidera as altas com a venda da Farm Rio em discussão

A maior valorização do índice ficou com AZZA3, que avançou 7,02%, a R$ 18,60. O movimento acompanha a expectativa de venda da Farm Rio, marca do grupo. A operação reúne 15 propostas não vinculativas formalizadas até o momento.

AtivoVariaçãoFechamento
AZZA3+7,02%R$ 18,60
PETR3+1,80%R$ 54,84
PETR4+1,32%R$ 49,77
VALE3+0,56%R$ 70,30
SANB11-2,96%R$ 27,90

Wall Street fecha no positivo com alívio nos Treasuries

Em Nova York, o recuo dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano na reta final do pregão garantiu um fechamento levemente positivo aos três principais índices. O mercado ainda operou na expectativa do payroll de setembro, o relatório oficial de empregos dos Estados Unidos previsto para esta sexta-feira (2).

ÍndiceVariaçãoFechamento
Dow Jones+0,04%50.926,56
S&P 500+0,19%7.666,45
Nasdaq+0,04%26.871,595
Stoxx 600-1,30%626,65
Nikkei+3,30%68.956,72

A Europa andou na direção contrária: o Stoxx 600 perdeu 1,30%, a 626,65 pontos, pressionado pela escalada dos juros dos títulos soberanos e pela busca por ativos mais seguros. Na Ásia, o japonês Nikkei subiu 3,30%, a 68.956,72 pontos; já o Hang Seng, de Hong Kong, não abriu por feriado local.

A agenda que concentra o risco da semana

Dois eventos domésticos devem manter a volatilidade elevada. Na noite desta quinta-feira, a TV Globo promove o último debate presidencial antes do primeiro turno, marcado para domingo, a partir das 21h20 no horário de Brasília, sem a presença de Luiz Inácio Lula da Silva (PT); o presidente concede entrevista ao Flow Podcast a partir das 20h50. Do lado externo, o dado de emprego americano de sexta pode mexer com a curva de juros dos Estados Unidos e, por consequência, com o apetite por risco em mercados emergentes.

Para quem acompanha a bolsa, o efeito prático é duplo. A reta final da campanha e a divulgação de novos levantamentos de intenção de voto tendem a amplificar o sobe e desce das ações com maior peso no índice, algo que já apareceu nesta primeira sessão de outubro. Somado a isso, a concentração da carteira teórica faz com que o rumo do Ibovespa dependa de poucos nomes, e não de um movimento generalizado de compra.

Sessões como a desta quinta-feira mostram como a leitura isolada do índice esconde a dispersão entre os papéis: enquanto Azzas e Petrobras subiam com força, Santander devolvia parte relevante de sua cotação. O Ibovespa terminou no azul mesmo com o setor financeiro no vermelho e com a Europa em queda firme — diferença que só aparece quando se olha além do número final do índice.