O Ibovespa fechou a quinta-feira (1º) com alta de 0,46%, aos 187.197,46 pontos, em um pregão sustentado pelas ações da Petrobras e já tomado pela espera pelo primeiro turno da eleição presidencial. A máxima do dia marcou 187.436,73 pontos e a mínima, 184.767,78 pontos — amplitude que revela a falta de convicção de quem opera antes de domingo.
Para quem tem posição em bolsa, o número que interessa não é o fechamento em si, mas o mapa de cenários que as casas já colocam na mesa. Estrategistas do BTG Pactual (BPAC11) trabalham com um potencial de valorização entre 11% e 20% em um cenário e uma correção de cerca de 10% no outro, a depender de quem vence a disputa. Essa assimetria ajuda a explicar uma alta modesta, com o mercado posicionado mais para reagir ao resultado do que para antecipá-lo.
O que o BTG projeta para cada vencedor
Em relatório com recomendações de ações para outubro, os estrategistas do BTG Pactual (BPAC11) desenham dois caminhos. Se Flávio Bolsonaro (PL) vencer, as ações brasileiras poderiam retornar rapidamente à média histórica de dez anos, o que implicaria potencial de alta entre 11% e 20% em reais. A casa avalia que um governo do senador tenderia a adotar medidas mais decisivas contra os desequilíbrios fiscais urgentes do país, o que desencadearia um rali.
No sentido oposto, a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pode provocar alguma correção, com o Ibovespa recuando cerca de 10% e retornando aos 170 mil pontos.
| Cenário eleitoral | Projeção do BTG Pactual para a bolsa brasileira |
|---|---|
| Vitória de Flávio Bolsonaro | Volta à média histórica de dez anos, com potencial de alta de 11% a 20% em reais |
| Reeleição de Lula | Correção de aproximadamente 10%, com Ibovespa de volta aos 170 mil pontos |
Primeiro turno como termômetro e segundo turno no radar
A pesquisa Datafolha prevista para a noite de quinta-feira e o debate entre presidenciáveis na TV Globo — sem Lula, que participa do podcast Flow — são os últimos insumos antes da votação de domingo. Levantamentos recentes indicam disputa apertada entre o presidente e o senador, cenário que eleva a probabilidade de definição apenas no segundo turno, ao final de outubro. Na avaliação de estrategistas, o primeiro turno funciona como termômetro: a distância entre o que as pesquisas apontavam e o resultado efetivo das urnas é o que deve sinalizar quem chega favorito à etapa seguinte.
Petróleo, produção recorde e QAV mais caro impulsionam a estatal
PETR4 subiu 1,32% e PETR3 avançou 1,8%, endossadas pela alta do petróleo no mercado internacional. A Petrobras informou reajuste médio de 11,8% no preço de venda de querosene de aviação (QAV) às distribuidoras, válido a partir de quinta-feira, reação à disparada dos derivados no exterior ao longo de setembro. No mesmo dia, a ANP reportou produção brasileira de petróleo recorde de 4,615 milhões de barris por dia em agosto, avanço de 2,6% sobre julho e de 18,4% na comparação com agosto do ano anterior.
Bancos: Nubank avança 4,98% e Santander recua
O setor bancário teve dia de acomodação após o desempenho robusto da véspera. Itaú Unibanco (ITUB4) recuou 0,26%, Banco do Brasil (BBAS3) cedeu 0,22% e Santander Brasil (SANB11) perdeu 2,96%, enquanto Bradesco (BBDC4) avançou 0,32%. O destaque ficou com o Nubank (NU), listado em Nova York, que subiu 4,98% após afirmar que não está buscando uma transação com a fintech britânica Monzo — dias depois de a imprensa noticiar conversas sobre uma possível aquisição da empresa do Reino Unido.
Vale avança sem a China; siderúrgicas mistas
Vale (VALE3) subiu 0,56%, descolando do movimento das mineradoras no exterior, em pregão sem a referência do mercado chinês por causa de feriado no país. Na siderurgia, CSN (CSNA3) ganhou 3,64%, Gerdau (GGBR4) avançou 3,34% e Usiminas (USIM5) subiu 1,14%, enquanto CSN Mineração (CMIN3) caiu 2%.
Azzas dispara com Farm Rio; Braskem devolve parte do rali
Azzas 2154 (AZZA3) saltou 7,02%, embalada por expectativas sobre uma alternativa para a unidade Farm Rio. Informações divulgadas na véspera apontam 15 propostas não legalmente vinculantes já formalizadas junto a representantes da companhia, com a entrega de uma oferta vinculante pelo ativo prevista para outubro. Braskem (BRKM5), que não integra o Ibovespa, recuou 3,3% depois de subir quase 14% no dia anterior, com investidores ainda acompanhando as negociações da petroquímica com credores.
S&P 500 sobe 0,19% e juro do Tesouro americano recua
Nos Estados Unidos, o S&P 500 encerrou o primeiro pregão do mês com ganho de 0,19%, e o rendimento do título de 10 anos do Tesouro americano marcava 5,2365% no fim da tarde, abaixo dos 5,283% da véspera. O pano de fundo externo, assim, não foi o que travou o Ibovespa: a agenda doméstica concentra o risco até domingo. Para quem acompanha renda variável, o que muda é o grau de sensibilidade a um evento binário — até a definição nas urnas, a bolsa tende a reagir mais ao noticiário eleitoral do que aos fundamentos de cada companhia.
