A Ânima Educação (ANIM3) reportou lucro líquido atribuível aos controladores de R$ 88,7 milhões no terceiro trimestre de 2026, alta de 142,7% sobre os R$ 36,5 milhões de igual período de 2025, com receita líquida consolidada de R$ 1,08 bilhão (+7,9%). A linha que redesenha a leitura do balanço é a do caixa: a geração de caixa da empresa caiu 4,0%, para R$ 396,3 milhões, e a média de dias para receber dos alunos subiu nove, chegando a 91.

Lucro ajustado de R$ 97,5 mi supera o contábil de R$ 88,7 mi

Excluindo os eventos não recorrentes e a despesa de amortização ligada a aquisições, o lucro dos controladores sobe para R$ 97,5 milhões, avanço de 93,9%. Como o número ajustado é maior que o contábil, a leitura é que itens extraordinários retiraram valor do trimestre — algo que a variação de 142,7% na base anual, isolada, não mostra.

No acumulado de janeiro a setembro, a receita somou R$ 3,2 bilhões (+6,7%), o EBITDA ajustado ex-IFRS 16 — métrica que ignora o efeito contábil dos arrendamentos — ficou em R$ 1,03 bilhão (+9,9%) e o lucro dos controladores alcançou R$ 224,0 milhões (+58,0%). No trimestre, o EBITDA na mesma base chegou a R$ 347,3 milhões (+14,6%), com margem de 32,0% contra 30,1%, e o resultado operacional ajustado somou R$ 501,0 milhões (+11,3%).

Caixa operacional sobe 16,6%, mas conversão trava em 91 dias

A geração operacional de caixa avançou 16,6%, para R$ 445,1 milhões. O que corrói a ponta final é o capital de giro: a carteira a receber inchou com o maior volume de crédito estudantil privado e de Fies, e a Ânima decidiu não antecipar recebíveis no período.

Com a Selic em 15%, financiar o aluno por mais tempo custa: o capital demora a voltar e a conversão do EBITDA em caixa tende a escorregar para os trimestres seguintes.

Dívida de R$ 2.831,8 mi e alavancagem de 2,18x sob Selic de 15%

A dívida líquida ajustada terminou setembro em R$ 2.831,8 milhões, 6,3% abaixo do patamar de junho, com caixa e aplicações de R$ 2.073,7 milhões. A alavancagem — dívida líquida sobre o EBITDA ajustado ex-IFRS 16 de 12 meses — caiu a 2,18x, contra 2,41x no 2T26 e 2,40x um ano antes.

A linha financeira segue pesada: o resultado financeiro líquido fechou negativo em R$ 185,3 milhões, 1,5% pior que no 3T25. Sobre 2027, Atila Simões da Cunha, diretor financeiro da companhia, afirmou que a empresa já está adaptada a juros altos e que, mesmo com a Selic em 15%, manteve geração de caixa e reduziu alavancagem.

Core: ticket de R$ 1.033 e margem de 41,8%

A evasão do Ânima Core ficou em 12,7%, em linha com os 12,6% de um ano antes, e a captação na graduação avançou 4,7%. O 2T26 foi mais pressionado porque a companhia adaptou os cursos semipresenciais ao novo marco regulatório do ensino a distância antes do prazo: o MEC exigia a mudança até maio de 2027 e a migração foi feita em janeiro de 2026. Segundo Atila, a evasão de junho já veio menor que a de junho de 2025, o que se confirmou na virada do semestre.

A receita do segmento somou R$ 617,2 milhões (+11,7%) e o ticket médio mensal do ensino acadêmico alcançou R$ 1.033, alta de 14,8%. Parte do ganho vem de menos bolsas comerciais na rematrícula dos veteranos; sem esse efeito, o avanço ficaria perto de 10%. O resultado operacional chegou a R$ 257,7 milhões (+24,9%), com margem de 41,8% contra 37,4%. Preço cheio e corte de desconto não têm a mesma durabilidade: com a base de bolsas normalizada, o ritmo do ticket tende a desacelerar.

Ensino Digital cai 14,2%; Inspirali perde margem com PECLD

No Ensino Digital, a receita recuou 14,2%, para R$ 64,6 milhões, e a captação caiu 15,2%, afetada pelas restrições do novo marco regulatório e por um critério mais rígido, que só conta quem paga o primeiro boleto. Restrito aos cursos ofertados nos dois ciclos, o indicador teria subido 16,4%, conforme a empresa. O resultado operacional do segmento caiu 15,0%, para R$ 36,7 milhões.

Na Inspirali, braço de medicina, a receita chegou a R$ 404,0 milhões (+6,9%) e o resultado operacional a R$ 206,6 milhões (+3,0%), com margem em queda de 53,1% para 51,1% — efeito de investimentos em convênios e preceptorias e de uma PECLD maior, a provisão para créditos de difícil recebimento. A Educação Médica Continuada cresceu 34,3% com a aquisição da Caliper Escola de Imagem, em agosto.

SegmentoReceita líquidaVariaçãoResultado operacionalMargem
Ânima CoreR$ 617,2 mi+11,7%R$ 257,7 mi41,8%
Ensino DigitalR$ 64,6 mi-14,2%R$ 36,7 mi—
InspiraliR$ 404,0 mi+6,9%R$ 206,6 mi51,1%

FMU e Einstein: dois testes fora do balanço

Dois movimentos ficaram de fora do resultado do trimestre. A compra da FMU, rede com 51 mil alunos, ainda depende do aval do Cade, autoridade de defesa da concorrência, com conclusão esperada para os próximos meses. Já o contrato de longo prazo entre a Inspirali e o Hospital Israelita Albert Einstein, divulgado em fato relevante de 19 de outubro, prevê consultoria em educação médica.

Segundo o diretor financeiro, o acordo leva a reputação acadêmica do hospital aos cursos de medicina e permite associar a marca Einstein a eles, com três efeitos previstos, mais ocupação das vagas, menos dependência de financiamento estudantil e preços alinhados a um padrão superior. Sobre o fim da escala 6×1, o executivo vê impacto direto pequeno, já que a rede não funciona nos fins de semana; a atenção está na regulamentação setorial, sobretudo nas regras para professores, ainda sem definição.