O lucro líquido da PRIO (PRIO3) somou US$ 521 milhões no terceiro trimestre de 2026, 468% acima do apurado em igual período de 2025, quando a petroleira havia registrado US$ 91,6 milhões. O salto, informado em documento enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), tem como principal sustentação a queda do lifting cost — o gasto necessário para retirar cada barril de petróleo do reservatório —, que fechou o trimestre em US$ 7,9 por barril.

Esse patamar equivale a 55% menos do que um ano antes e a 11% de recuo frente ao segundo trimestre. Para quem acompanha a ação, o dado desloca parte da atenção do preço internacional do petróleo para a estrutura de produção: com custo unitário em queda e volume em expansão, o resultado tende a responder menos às oscilações do barril e mais a interrupções de campo, paradas para manutenção ou pressões logísticas.

Ebitda de US$ 1,135 bilhão com receita de US$ 1,37 bilhão

A melhora de rentabilidade apareceu em todas as linhas operacionais. O Ebitda alcançou US$ 1,135 bilhão entre julho e setembro, avanço de 268% na base anual. O Ebitda ajustado ficou em US$ 1,07 bilhão, crescimento de 235% na mesma comparação.

A receita líquida somou US$ 1,37 bilhão, com alta de 146% em doze meses e de 12% sobre o trimestre imediatamente anterior.

Indicador3T26Comparação
Lucro líquidoUS$ 521 mi+468% a/a (US$ 91,6 mi no 3T25)
EbitdaUS$ 1,135 bi+268% a/a
Ebitda ajustadoUS$ 1,07 bi+235% a/a
Receita líquidaUS$ 1,37 bi+146% a/a; +12% t/t
Lifting costUS$ 7,9/barril-55% a/a; -11% t/t
Dívida líquida consolidadaUS$ 3,46 biante US$ 4,04 bi no 2T26
Dívida líquida/Ebitda ajustado1,1xante 1,5x

Peregrino: poço A-13 e gás no lugar do diesel

O trimestre trouxe dois avanços no campo de Peregrino. O primeiro foi o início da produção do poço A-13, na área do Isolado. O segundo, a conclusão do reparo do gasoduto, que viabiliza a substituição do diesel por gás na geração de energia da operação.

A produção média da companhia atingiu 191,6 mil barris por dia, com vendas de 17,2 milhões de barris no período — a empresa relata novos recordes operacionais no intervalo. A troca de combustível na geração tende a reforçar a vantagem de custo já capturada pelo lifting cost, ao passo que a entrada de um novo poço amplia o volume sem exigir infraestrutura adicional de grande porte.

Dívida de US$ 3,46 bilhões e alavancagem em 1,1x

A dívida líquida consolidada terminou setembro em US$ 3,46 bilhões, abaixo dos US$ 4,04 bilhões vistos no segundo trimestre. A relação entre dívida líquida e Ebitda ajustado recuou para 1,1 vez, contra 1,5 vez na mesma base de comparação anterior.

O movimento importa porque reduz o espaço que uma eventual queda de preços ou um choque de custo ocupa no orçamento da empresa. Companhias mais alavancadas costumam sentir primeiro o encarecimento do crédito; com menos dívida proporcional ao caixa gerado, a PRIO tende a preservar grau de liberdade para decidir sobre investimento e remuneração de capital sem depender de janelas favoráveis de mercado.

Desconto de US$ 7,45 por barril em um trimestre de frete caro

A empresa relata que, mesmo com o avanço expressivo dos custos de frete marítimo, manteve condições comerciais competitivas na venda do petróleo, praticando desconto médio de US$ 7,45 por barril. O desconto é a diferença entre o preço efetivamente recebido pelo óleo e a referência internacional usada como parâmetro de mercado.

Esse é o contraponto menos visível do trimestre: a eficiência na extração garante margem, mas o resultado final também depende do que acontece entre o navio e o comprador. Frete pressionado e desconto na comercialização podem corroer parte do ganho obtido no campo, e a combinação entre essas duas variáveis tende a definir a qualidade do próximo resultado.

Magnetita e Hematita entram no portfólio em outubro

Fora do período coberto pelo balanço, a companhia adquiriu em outubro os blocos de Magnetita e Hematita no leilão da Oferta Permanente de Partilha da Produção da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). A empresa sinaliza que as áreas poderão ser desenvolvidas por tieback ao FPSO já em operação — uma conexão que liga novos poços a uma plataforma flutuante existente, aproveitando a estrutura já instalada em vez de construir outra.

Esse tipo de arranjo costuma encurtar o prazo entre descoberta e produção e reduzir o investimento necessário por barril adicionado. O dado concreto sobre os blocos, porém, ainda é o da aquisição: o efeito prático só aparecerá quando houver desenvolvimento e entrada em operação.

O que a leitura do trimestre deixa para os próximos balanços é um teste de sustentação. O patamar de custo por barril, a alavancagem em 1,1x e o comportamento do frete marítimo formam o tripé que tende a explicar se o lucro recorde foi um ponto fora da curva ou o novo piso de rentabilidade da companhia.