O Ibovespa caiu 9,88% em outubro e a carteira Ibovespa 5+ da Genial perdeu 7,46%, segundo levantamento da própria instituição. Com novembro em curso, Genial, BB Investimentos e Andbank refizeram suas seleções, e a marca das novas listas é a redução do espaço do consumo em favor de setores com receita mais estável.

O pano de fundo segue o mesmo: a disputa presidencial acabou, mas as dúvidas sobre a trajetória fiscal, o patamar dos juros e o comportamento do dólar não desapareceram. Para quem usa esses relatórios como referência, a mudança mais concreta não está nos nomes que entraram, e sim na concentração setorial das carteiras.

Commodities dobram de peso na Top Ações e varejo recua a 5%

Na Genial, a fatia de commodities saltou de 15% para 31% da carteira Top Ações. Entraram Suzano (SUZB3), Vale (VALE3), Prio (PRIO3), MBRF (MBRF3) e SLC Agrícola (SLCE3); saíram Petrobras (PETR4) e CSN (CSNA3). O giro foi amplo: 13 papéis passaram a integrar a lista e 11 deixaram a seleção.

A parcela do varejo recuou de 20% para 5%. Elétricas e saneamento avançaram para 21%, com Copasa (CSMG3), ISA Energia (ISAE4) e Alupar (ALUP11) entre as inclusões. O financeiro ocupa 25%, e o Itaú (ITUB4) concentra 12,5%, o maior peso individual da carteira, ao lado de BTG Pactual (BPAC11) e BB Seguridade (BBSE3). Bens industriais respondem por 13%, e construção e shoppings, por 5%.

Setor na Top Ações (Genial)Peso em novembro
Commodities31%
Financeiro25%
Elétricas e saneamento21%
Bens industriais13%
Construção e shoppings5%
Varejo5%

Caixa Seguridade entra no BB e toma a vaga do BTG Pactual

Na Carteira 5+ do BB Investimentos, Caixa Seguridade (CXSE3) substituiu BTG Pactual e WEG (WEGE3) tomou o lugar de Tenda (TEND3); Itaú, Petrobras e Vale permaneceram.

A Genial também ampliou a presença de seguros na Ibovespa 5+, com BB Seguridade e Caixa Seguridade nas vagas de Vibra Energia (VBBR3) e Metalúrgica Gerdau (GOAU4). Petrobras, Ultrapar (UGPA3) e Fleury (FLRY3) completam a lista, com 20% cada.

Andbank: dez papéis com 10% cada e 28,90% de potencial estimado

O Andbank tirou Rede D'Or (RDOR3) e Vale da Carteira Meta e colocou Axia (AXIA3) e Sabesp (SBSP3). A seleção ficou com dez papéis de peso igual: Axia, BB Seguridade, Bradesco (BBDC4), Copel (CPLE3), CPFL Energia (CPFE3), Embraer (EMBJ3), Itaú, Itaúsa (ITSA4), Sabesp e Suzano — cinco deles em energia elétrica e saneamento.

Com cotações de referência de 29 de outubro, o Andbank calcula potencial de valorização de 28,90% para a carteira. Os maiores percentuais do relatório são Bradesco (55,74%), Axia (45,08%), Itaú (39,10%), Itaúsa (35,41%) e Sabesp (35,01%). Trata-se de projeções da casa, obtidas pela diferença entre os preços usados no documento e os preços-alvo, sem garantia de retorno.

PapelPotencial estimado pelo Andbank
Bradesco (BBDC4)55,74%
Axia (AXIA3)45,08%
Itaú (ITUB4)39,10%
Itaúsa (ITSA4)35,41%
Sabesp (SBSP3)35,01%

Petrobras sai de uma lista e segue em outras duas

A comparação entre as casas mostra que não há consenso sobre os mesmos papéis. A Petrobras deixou a Top Ações da Genial, mas continuou na Ibovespa 5+ da própria Genial e na Carteira 5+ do BB. A Vale entrou na Top Ações, permaneceu no BB e saiu do Andbank. Já o Itaú aparece nas três instituições e é o nome de maior peso isolado na Top Ações.

O que a concentração setorial muda na prática

O risco das carteiras ficou mais dependente de poucos blocos. No Andbank, metade das posições está em energia elétrica e saneamento; na Genial, um único banco responde por 12,5%; no BB, a proteção vem do setor de seguros. Seleções assim costumam oscilar mais em linha com o setor dominante do que com o Ibovespa como um todo — o que vale nas quedas e também nas recuperações.

Cada bloco carrega riscos próprios: as commodities dependem do câmbio e do ciclo internacional de preços; elétricas e saneamento estão sujeitos a regulação, hidrologia e reajustes; seguradoras têm resultado menos ligado ao mercado de capitais, ainda que sintam o ritmo da economia. A redução do varejo, por sua vez, diminui a sensibilidade das carteiras ao crédito e ao consumo, assim como o potencial de reação num cenário de juros menores.

Pesos e composições valem para um mês e são revistos a cada relatório. Acompanhar o que mudou de outubro para novembro ajuda a entender o que as casas estão precificando — sem transformar a lista em sinal de compra ou de venda.