Com a B3 fechada pelo feriado de Nossa Senhora Aparecida, o pregão desta segunda-feira 12 de outubro manteve uma única janela aberta para o investidor acompanhar parte de suas posições: Nova York. O índice Dow Jones Brazil Titans 20 ADR, que agrupa recibos de companhias brasileiras negociados no exterior — os ADRs, papéis emitidos nos Estados Unidos que espelham ações listadas na B3 —, marcava +0,09%, aos 27.592,60 pontos, às 10h38 de Brasília. O ETF EWZ, fundo que replica em dólar o desempenho do mercado acionário brasileiro, avançava 0,26%, a US$43,66.

O número isolado é pequeno; a função dele, em um dia sem pregão local, não é. Para quem tem exposição a ações brasileiras, a negociação dos ADRs cumpre o papel de termômetro do apetite estrangeiro — é a única cotação viva de vários papéis enquanto a bolsa brasileira não reabre. O sinal, porém, pede desconto. Sem o mercado local para ancorar preços, os volumes tendem a ser mais finos, o que amplifica oscilações pequenas e reduz o valor de uma variação de 0,09% como previsão para a volta dos negócios.

Recorde do Ibovespa e o pano de fundo eleitoral

Na semana anterior, conforme apurado, o Ibovespa cravou novas máximas — no intradiário e no fechamento —, movimento que veio depois de levantamentos sobre o segundo turno da corrida presidencial. Essas pesquisas colocavam o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente de Luiz Inácio Lula da Silva. É esse contexto que dá sentido à estabilidade dos ADRs: o apetite por ativos brasileiros vinha embalado por uma sequência de preços recordes, e o feriado congela, por um dia, a formação de preços que alimentava esse impulso.

Balanços de bancos, CPI americana e o recado do Fed

As bolsas de Nova York também rondavam a estabilidade, com duas frentes de informação no horizonte. A primeira são os resultados do terceiro trimestre de JPMorgan, Citigroup e Bank of America, cuja divulgação começa nesta terça-feira. A segunda é o CPI, índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos, previsto para quarta-feira, 14 — leitura que costuma redirecionar as apostas sobre a trajetória dos juros americanos.

A ferramenta FedWatch, da CME, apontava cerca de 81% de probabilidade de o Federal Reserve (Fed) manter a taxa básica na reunião de outubro. Para dezembro, o cenário majoritário — perto de 88% — indicava nova elevação, depois do aumento aplicado no mês passado, o primeiro em mais de três anos. Beth Hammack, presidente do Fed de Cleveland, tem discurso previsto para esta segunda. O feriado do Dia de Colombo mantém o mercado de Treasuries — os títulos públicos americanos — sem negociação, combinação que historicamente costuma reforçar a cautela após uma semana positiva.

Diesel russo e WTI em alta de 2%

O petróleo entrou no radar após o anúncio do presidente americano, Donald Trump, de um acordo para aquisição de diesel russo. Ele afirmou ainda que Rússia e Ucrânia teriam concordado em suspender ataques contra infraestruturas energéticas, sem detalhar os termos do entendimento. O WTI, referência do mercado americano, avançava 2% e apagava as perdas registradas na madrugada.

Os números do feriado

IndicadorValorVariação / referência
Dow Jones Brazil Titans 20 ADR27.592,60 pts+0,09% às 10h38 (Brasília)
ETF EWZUS$ 43,66+0,26%
WTI—+2%
Fed manter juros em outubro (CME FedWatch)cerca de 81%—
Fed elevar juros em dezembro (CME FedWatch)cerca de 88%—

O que a reabertura coloca à prova

Quem tem exposição ao mercado brasileiro chega à volta do pregão diante de duas forças de sinais opostos. De um lado, o impulso doméstico já embutido nos recordes do Ibovespa e nas pesquisas eleitorais. De outro, uma agenda externa capaz de redirecionar o fluxo estrangeiro: os balanços dos bancos americanos, o CPI de quarta-feira e a expectativa de um Fed parado em outubro, mas com aperto ainda precificado para dezembro. É esse fluxo que os ADRs tentam antecipar — com liquidez reduzida, em um dia em que a referência local está ausente. A fotografia do feriado é incompleta, e o teste mais duro chega junto com os números americanos.