Recorde de US$ 35,7 bilhões com uma composição diferente

A Embraer encerrou setembro de 2026 com US$ 35,7 bilhões em pedidos firmes ainda a entregar, o maior valor da sua história e a oitava alta trimestral consecutiva da carteira. O montante avançou 14% sobre o terceiro trimestre do ano passado e 3% na comparação com os três meses anteriores, com expansão nas quatro áreas: aviação comercial, executiva, defesa e serviços.

O indicador em questão é o backlog, a soma de encomendas e contratos já assinados que a fabricante vai atender nos próximos anos. Ele dá visibilidade sobre o trabalho futuro, mas não representa faturamento: a receita só entra quando cada aeronave é produzida, entregue e aceita pelo comprador. Para o investidor com exposição a EMBJ3, o dado decisivo, portanto, é a conversão — e não apenas o tamanho do número anunciado.

Uma análise do Banco Safra divulgada em 26 de outubro projeta que o total pode chegar a aproximadamente US$ 36,1 bilhões caso a venda de três aeronaves KC-390 Millennium à Eslováquia saia do papel. A diferença, de cerca de US$ 400 milhões, é modesta diante do bolo de US$ 35,7 bilhões — o que desloca a atenção do anúncio para a execução contratual.

Defesa: US$ 6,1 bilhões e o salto de 56%

A divisão de Defesa e Segurança terminou setembro com US$ 6,1 bilhões em pedidos, crescimento de 56% em doze meses — o ritmo mais acelerado entre as quatro áreas e bem acima da média consolidada. O número ainda não contempla a seleção eslovaca de três KC-390. Formalizada a negociação, a instituição estima que o segmento alcançaria cerca de US$ 6,5 bilhões, e o consolidado da Embraer, os US$ 36,1 bilhões.

Cabe separar seleção de contrato. A escolha de uma aeronave por um governo sinaliza preferência e abre caminho para a assinatura, mas não equivale a encomenda firme — por isso os US$ 400 milhões seguem fora do backlog e não podem ser lidos como receita contratada. No trimestre, a área registrou a venda de dois KC-390 à Força Aeroespacial Colombiana, ampliando a presença internacional do cargueiro militar.

Comercial, executiva e serviços: onde a carteira se distribui

SegmentoCarteira no 3T26Variação anual
Aviação comercialUS$ 15,8 bi+4%
Aviação executivaUS$ 8,2 bi+12%
Defesa e SegurançaUS$ 6,1 bi+56%
Serviços e SuporteUS$ 5,6 bi+14%
TotalUS$ 35,7 bi+14%

A aviação comercial segue como a maior fatia, com US$ 15,8 bilhões e alta de 4% em doze meses. No trimestre, a fabricante somou 36 pedidos firmes da família E2, com clientes como Grupo Abra, Binter, Luxair e ANA Holdings.

Na executiva, o backlog de US$ 8,2 bilhões também é recorde, 12% acima de igual período de 2025. Já Serviços e Suporte alcançou US$ 5,6 bilhões, avanço de 14%, apoiado em contratos de manutenção e fornecimento de peças para companhias como Portugália e Alliance Airlines. Esse bloco tende a ser o mais previsível dos quatro, porque se alimenta de frotas que já voam e historicamente costuma depender menos de uma nova encomenda para gerar caixa.

66 entregas no trimestre e o teste da conversão

Entre julho e setembro, a Embraer entregou 66 aeronaves, 6% mais que em igual intervalo de 2025 e o maior volume para um terceiro trimestre na história da companhia. Foram 22 aviões comerciais, 41 jatos executivos e três de defesa. Nos nove primeiros meses, as entregas somam 175 unidades, alta de 14%.

Esse é o elo entre a carteira e o resultado: a entrega transforma pedido em receita. A empresa vem distribuindo melhor a produção ao longo do ano, reduzindo a concentração histórica dos embarques no fim do calendário — movimento que tende a suavizar a sazonalidade dos resultados trimestrais, ainda que o reconhecimento de receita permaneça atrelado ao cumprimento do cronograma de cada contrato.

O que observar

Dois pontos concentram a atenção daqui em diante. O primeiro é a formalização da compra eslovaca: sem contrato assinado, os US$ 400 milhões seguem como possibilidade, não como carteira. O segundo é o ritmo de conversão do backlog em entregas, que depende da cadeia de fornecedores e da execução industrial — variáveis que definem quanto do recorde de US$ 35,7 bilhões efetivamente chega ao caixa.