O Grupo Casas Bahia (BHIA3) passou a divulgar o balanço do terceiro trimestre de 2026 apenas em 10 de dezembro, um atraso de 29 dias em relação à data inicial, 11 de novembro. A remarcação foi informada ao mercado em comunicado e acontece enquanto a varejista tramita sob recuperação judicial.
Segundo a companhia, a ampliação do prazo está ligada à revisão das informações contábeis e financeiras periódicas e ao andamento dos processos operacionais da recuperação judicial. A empresa também afirmou que dará atualizações sobre eventuais desdobramentos relevantes.
Segundo trimestre já havia sido adiado duas vezes
A divulgação do 2º trimestre seguiu um caminho parecido. A data prevista para 12 de agosto foi empurrada para 14 e acabou publicada na madrugada de domingo, 16 de agosto. O resultado mostrou prejuízo líquido de cerca de R$ 10,1 bilhões, ante perda de R$ 555 milhões no mesmo período de 2025. Esse número inclui R$ 9,1 bilhões em efeitos contábeis não recorrentes, sem impacto no caixa do trimestre.
Em bases ajustadas, o prejuízo somou R$ 978 milhões. Nas linhas operacionais, a receita líquida avançou 1,6% na comparação anual, para R$ 6,97 bilhões, enquanto o Ebitda ajustado, medida de geração de caixa antes de juros, impostos, depreciação e amortização, recuou 9,4%, para R$ 518 milhões.
| Indicador (2º tri 2026) | Resultado | Referência |
|---|---|---|
| Prejuízo líquido | cerca de R$ 10,1 bilhões | R$ 555 milhões no 2º tri de 2025 |
| Prejuízo ajustado | R$ 978 milhões | Sem efeitos contábeis não recorrentes |
| Receita líquida | R$ 6,97 bilhões | Alta de 1,6% na comparação anual |
| Ebitda ajustado | R$ 518 milhões | Queda de 9,4% na comparação anual |
Dívidas de R$ 17,3 bilhões e 298 lojas fechadas
A recuperação judicial, mecanismo que suspende cobranças enquanto a empresa negocia um plano com credores, foi protocolada no mesmo dia da divulgação do balanço do 2º trimestre. O passivo envolvido chega a R$ 17,3 bilhões, sendo cerca de R$ 16,4 bilhões em créditos quirografários, isto é, dívidas sem garantia real. O pedido veio em meio ao agravamento da situação financeira e a um redesenho das operações, que incluiu o fechamento de 298 lojas.
Em 21 de outubro, a Justiça de São Paulo autorizou o processamento do pedido para a companhia e outras nove empresas do grupo. A decisão manteve a suspensão de execuções e fixou prazo de até 30 dias para a entrega de documentos pendentes. O plano ainda depende da aprovação dos credores, etapa que define o rumo da reestruturação.
Caixa: linha de R$ 250 milhões e negociação de DIP financing
Para sustentar a operação durante a reestruturação, a empresa obteve em outubro uma linha de até R$ 250 milhões com o Banco do Brasil, por meio de antecipação de recebíveis, isto é, adiantamento de valores a receber de vendas. Já uma reportagem publicada em 24 de outubro apontou negociação de empréstimo entre R$ 200 milhões e R$ 300 milhões na modalidade DIP financing, crédito concedido a empresas em recuperação judicial que costuma ter prioridade de pagamento. Segundo a mesma publicação, a meta seria chegar a R$ 1 bilhão em financiamentos.
Mudanças no comando das negociações
Em 23 de outubro, a Casas Bahia anunciou Camille Faria, sócia da Althia Partners, para conduzir as tratativas com os credores e o desenho do plano, junto com os executivos da casa. Ela assume a função que era de Mateus Tessler e tem histórico na recuperação judicial da Americanas e na reestruturação da Oi. A Alvarez & Marsal segue no processo, apoiando a estruturação e a modelagem do plano.
Em 28 de outubro, o conselho de administração perdeu Raphael Oscar Klein, que renunciou ao cargo. A companhia afirmou que avaliará a recomposição do colegiado no momento oportuno.
O que observar até 10 de dezembro
- 10 de dezembro: divulgação do balanço do 3º trimestre, data que já foi alterada uma vez.
- Aprovação do plano de recuperação pelos credores, etapa sem data divulgada na fonte.
- Entrega dos documentos pendentes no prazo de até 30 dias fixado pela Justiça.
- Desdobramentos do financiamento DIP e da recomposição do conselho.
Na prática, o investidor passa a ter menos informações periódicas para avaliar a companhia no curto prazo. Quando um balanço é adiado sob recuperação judicial, a leitura tende a migrar para comunicados, decisões da Justiça e a evolução das negociações com credores, o que costuma aumentar a dependência de eventos pontuais. O desfecho do plano, que ainda aguarda os credores, tende a ser o fator de maior peso para quem acompanha o papel, ao lado da capacidade de captar recursos.
