A XP Investimentos mexeu na carteira Top Ações para novembro e deixou as posições em BTG Pactual (BPAC11) e Nubank (ROXO34). Segundo a casa, o ajuste reforça o perfil defensivo do portfólio ao reduzir a dependência de ativos ligados à economia brasileira. Em outubro, a carteira caiu 7%, enquanto o Ibovespa recuou 9,9%, mas o desempenho acumulado desde o início da estratégia continua abaixo do índice.

Saídas de BTG Pactual e Nubank e redução de Iguatemi

A XP zerou as posições em BTG Pactual (BPAC11) e Nubank (ROXO34) e cortou o peso de Iguatemi (IGTI11) de 10% para 5%. Em sentido oposto, a Rede D'Or (RDOR3) saiu de 5% para 7,5% da carteira. Na mesma revisão, entraram JBS (JBSS32), WEG (WEGE3) e Caixa Seguridade (CXSE3).

AtivoMovimentoSituação após a revisão
BTG Pactual (BPAC11)Posição zeradaSem posição
Nubank (ROXO34)Posição zeradaSem posição
Iguatemi (IGTI11)Redução5%
Rede D'Or (RDOR3)Aumento7,5%
JBS (JBSS32)InclusãoPeso não informado na fonte
WEG (WEGE3)InclusãoPeso não informado na fonte
Caixa Seguridade (CXSE3)InclusãoPeso não informado na fonte

Por que a XP reduziu a exposição a bancos

Segundo a XP, a retirada de BTG Pactual e Nubank busca diminuir a sensibilidade da carteira ao ciclo doméstico, ou seja, à atividade econômica do próprio país. A casa avalia que um ambiente macroeconômico mais difícil pode atrasar a retomada do mercado de capitais, onde empresas captam recursos pela emissão de ações e títulos, e pressionar a rentabilidade das instituições financeiras.

Para o investidor, a mudança tende a reduzir a exposição a companhias financeiras que dependem da demanda por crédito e serviços no país. Quem acompanha a carteira deve observar se a retomada do mercado de capitais se concretiza, já que a própria XP usa esse movimento como condição para o setor financeiro voltar a ganhar tração.

JBS, WEG e Caixa Seguridade: câmbio, exportação e juros altos

A inclusão da JBS (JBSS32) acontece mesmo diante de um terceiro trimestre mais fraco, na leitura da XP. A casa aposta em melhora das margens nos Estados Unidos, na retomada das exportações para China e Estados Unidos e em um câmbio mais depreciado, que favorece empresas com receita em dólar.

A WEG (WEGE3) foi descrita pela XP como exportadora e com hedge natural, isto é, uma proteção que compensa parte da desvalorização do real sem necessidade de instrumentos financeiros específicos. Segundo a casa, a companhia também tem exposição a motores globais de expansão, o que amplia a diversificação do portfólio.

Já a Caixa Seguridade (CXSE3) foi incluída por um perfil mais resiliente em um ambiente de juros elevados. A XP destaca a forte atividade comercial, a sinistralidade controlada (proporção entre indenizações pagas e prêmios recebidos) e um dividend yield próximo de 7%, indicador que relaciona os proventos pagos ao preço da ação.

Desempenho: queda menor em outubro e atraso no acumulado

A carteira recuou 7% em outubro, enquanto o Ibovespa caiu 9,9% no mesmo mês. Desde o início da estratégia, porém, o portfólio acumula alta de 31,4%, contra 36,7% do índice.

Os números indicam que a postura defensiva funcionou no curto prazo, com perda menor em um mês de queda, mas não compensou o diferencial negativo acumulado. Para o leitor, a comparação entre o mês e o acumulado mostra que a proteção em momentos de baixa não garante, por si só, superar o mercado no período total.

O que acompanhar a partir de novembro

  • Evolução do peso de Rede D'Or e Iguatemi, cujas participações foram alteradas nesta revisão.
  • Sinais de retomada do mercado de capitais, apontados pela XP como condição para o setor financeiro ganhar fôlego.
  • Comportamento do câmbio, já que a tese das exportadoras depende de um real mais depreciado, segundo a casa.