Principais pontos

  • A principal alteração de peso foi o aumento da participação da Vivara (VIVA3), que passou de 5% para 10%
  • Seis ações deixaram a MVP: Smart Fit (SMFT3), Itaú Unibanco (ITUB4), BradSaúde (SAUD3), Motiva (MOTV3), Eneva (ENEV3) e Cury (CURY3).
  • Com esse pano de fundo, o Citi vê o Brasil como alternativa de diversificação, pelo peso elevado de setores tradicionais na composição da Bolsa, especialmente commodities e instituições financeiras.

O Citi revisou sua carteira recomendada de ações brasileiras, a MVP (Most Valuable Portfolio), em relatório divulgado na terça-feira, e passou a favorecer de forma moderada papéis mais sensíveis à queda dos juros longos. A maior alteração de peso foi a Vivara (VIVA3), que passou de 5% para 10%, enquanto seis nomes deixaram a seleção e cinco entraram. A leitura do banco é que a disputa eleitoral ficou mais apertada e o mercado passou a atribuir maior probabilidade a uma mudança política em 2027 — cenário que tende a abrir espaço para redução dos prêmios de risco e das taxas longas.

O movimento reorganiza a carteira em torno de um único eixo: de um lado, empresas capazes de atravessar diferentes ambientes macroeconômicos; de outro, papéis cujo valor está concentrado em lucros e geração de caixa futuros — as ações de maior duration. Essa característica faz com que elas respondam com mais intensidade a uma eventual compressão das taxas de desconto. É esse contraste que define a nova aposta do banco.

As trocas: quem saiu e quem entrou

Seis ações deixaram a MVP: Smart Fit (SMFT3), Itaú Unibanco (ITUB4), BradSaúde (SAUD3), Motiva (MOTV3), Eneva (ENEV3) e Cury (CURY3). No lugar, entraram XP Inc. (NASDAQ: XP), BTG Pactual (BPAC11), Hypera (HYPE3), Ecorodovias (ECOR3) e Sabesp (SBSP3).

A seleção resultante combina empresas ligadas à atividade doméstica, companhias beneficiadas por juros mais baixos e nomes de perfil defensivo. A presença de Multiplan (MULT3), Ecorodovias (ECOR3), Sabesp (SBSP3), Axia (AXIA3) e Vivara (VIVA3) sugere busca por ativos cuja precificação tende a responder de forma mais significativa a uma queda dos juros reais de longo prazo.

Deixaram a carteiraEntraram na carteira
Smart Fit (SMFT3)XP Inc. (NASDAQ: XP)
Itaú Unibanco (ITUB4)BTG Pactual (BPAC11)
BradSaúde (SAUD3)Hypera (HYPE3)
Motiva (MOTV3)Ecorodovias (ECOR3)
Eneva (ENEV3)Sabesp (SBSP3)
Cury (CURY3)

Os pesos da nova composição

A principal alteração de peso foi o aumento da participação da Vivara (VIVA3), que passou de 5% para 10%, indicando maior convicção dos estrategistas no papel. Os demais nomes se dividem em dois blocos: seis papéis com 5% cada e outros sete com 10% cada.

PapelTickerPeso
XP Inc.XP5%
BTG PactualBPAC115%
PRIOPRIO35%
Rede D'OrRDOR35%
HyperaHYPE35%
EcorodoviasECOR35%
MultiplanMULT310%
EmbraerEMBJ310%
ValeVALE310%
PetrobrasPETR410%
AxiaAXIA310%
SabespSBSP310%
VivaraVIVA310%

O banco mantém uma parcela relevante da carteira em empresas de commodities, como Vale (VALE3), Petrobras (PETR4) e PRIO (PRIO3), além de instituições financeiras como BTG Pactual e XP, preservando exposição a segmentos menos dependentes do ciclo doméstico.

Os dois cenários eleitorais e o 'barbell portfolio'

Para navegar os diferentes resultados eleitorais, o Citi adota o que classifica como barbell portfolio — um formato de alocação que mescla produtos de baixo risco com outros de altíssimo risco. Na Bolsa brasileira, isso significa manter exposição a empresas capazes de atravessar diferentes ambientes macroeconômicos e, ao mesmo tempo, ampliar a presença de ações que se beneficiam de uma eventual compressão dos juros em caso de vitória da oposição.

Segundo o estudo do banco, um cenário de reeleição de Lula tende a privilegiar empresas consideradas all weather — que costumam performar razoavelmente em diferentes condições de mercado —, além de companhias expostas a programas governamentais específicos, como o Minha Casa Minha Vida (MCMV). Já uma vitória da oposição desloca a preferência para as ações de maior duration.

"A eleição ficou mais apertada desde nossa última atualização, o que nos leva a favorecer ligeiramente ações de maior duration", destacou o Citi.

Brasil como 'anti-AI trade'

O relatório também sustenta que o mercado brasileiro pode funcionar como uma espécie de anti-AI trade para investidores globais. Após forte valorização de ações de empresas ligadas à inteligência artificial, muitas carteiras internacionais ficaram excessivamente concentradas em tecnologia. Com esse pano de fundo, o Citi vê o Brasil como alternativa de diversificação, pelo peso elevado de setores tradicionais na composição da Bolsa, especialmente commodities e instituições financeiras.

Na avaliação dos estrategistas, essa característica pode tornar o mercado brasileiro um hedge — uma proteção — interessante para quem busca reduzir a concentração em ativos ligados ao tema de inteligência artificial sem abrir mão da exposição à renda variável.

A consequência prática para o investidor pessoa física é que a Bolsa brasileira passa a ser precificada por dois vetores simultâneos: a trajetória dos juros reais longos e a probabilidade que o mercado atribui ao cenário político de 2027. Carteiras mais expostas a nomes domésticos e a papéis de maior duration tendem a sentir com mais intensidade os movimentos desses vetores. O próprio Citi sinaliza convicção moderada, e não integral, o que reflete a incerteza sobre qual dos resultados eleitorais se materializará.