As prévias operacionais do terceiro trimestre divulgadas nesta sexta-feira (9) colocaram as construtoras listadas em direções distintas. A Cury (CURY3) reportou geração de caixa 9% maior que a do mesmo trimestre do ano anterior e a MRV&Co (MRVE3) confirmou caixa positivo no período, enquanto a Moura Dubeux (MDNE3) registrou consumo de caixa de R$ 170 milhões. O contraste aparece na mesma semana em que a incorporadora nordestina conquista seu primeiro rating AA+.br, concedido pela Moody's Local Brasil com perspectiva estável.

Para quem acompanha o setor, a mudança relevante é que a geração de caixa deixou de ser um bloco único. Duas companhias sinalizam liberação de recursos, e uma atravessa fase de desembolso ligada ao ciclo das obras, com investimentos em projetos e gastos de expansão. Na construção civil, esse vaivém costuma acompanhar o estágio dos empreendimentos e o ritmo de lançamentos mais do que o desempenho comercial de um trimestre isolado.

O que cada construtora reportou no 3º trimestre

A MRV&Co informou que vendas e lançamentos avançaram entre julho e setembro e que o trimestre terminou com caixa positivo. Segundo a companhia, as principais unidades de negócio seguem em recuperação operacional, dentro de um esforço de reforço financeiro e de entrega dos projetos lançados ao longo do ano.

Na Cury, a geração de caixa ficou 9% acima da registrada no mesmo trimestre do ano anterior, dando sequência à tendência positiva observada nos últimos períodos. A companhia credita o desempenho ao resultado comercial de seus empreendimentos e ao rigor na gestão financeira, combinação que sustenta rentabilidade e caixa ao mesmo tempo.

Já a Moura Dubeux encerrou o trimestre com consumo de R$ 170 milhões em caixa. A empresa associa a saída líquida ao ciclo operacional de seus empreendimentos, que inclui aportes em projetos e desembolsos para expansão das atividades. Vendas e lançamentos continuam no radar de quem avalia o ritmo de crescimento da companhia no Nordeste.

CompanhiaPrévia do 3º trimestre
MRV&Co (MRVE3)Caixa positivo, com vendas e lançamentos em alta
Cury (CURY3)Geração de caixa 9% superior à do ano anterior
Moura Dubeux (MDNE3)Consumo de caixa de R$ 170 milhões

O primeiro AA+.br da Moura Dubeux

A Moody's Local Brasil atribuiu à incorporadora, pela primeira vez, o rating de emissor AA+.br, com perspectiva estável. Esse tipo de nota funciona como uma avaliação da capacidade geral de uma empresa de honrar seus compromissos financeiros. O documento cita a liderança da companhia nos segmentos de médio e alto padrão na região Nordeste e a atuação espalhada por sete capitais nordestinas.

A agência também destacou a resiliência do modelo de negócios, apoiado sobretudo em condomínios por administração — arranjo em que a incorporadora permanece na gestão do condomínio após a entrega, o que tende a gerar receita recorrente. Isso, segundo a Moody's, ajuda a explicar indicadores operacionais consistentes, uma rentabilidade acima da de boa parte dos concorrentes e retorno sobre o capital investido igualmente superior ao do setor.

Uma nota de crédito mais alta costuma ter efeito sobre o custo de captação de uma companhia ao longo do tempo, mas não guarda relação direta com o caixa de um trimestre específico — o que explica a convivência, no mesmo dia, entre o primeiro AA+.br e os R$ 170 milhões de desembolso.

Enjoei: o grupamento de dez para um passa a valer

O prazo dado aos acionistas da Enjoei para ajustar posições em lotes de 10 ações terminou, e o grupamento aprovado em assembleia de 8 de setembro entrou em vigor nesta sexta-feira (9). A partir de agora, os papéis são negociados na proporção de 10 para 1, e a nova versão do estatuto social também passou a valer.

O grupamento é uma operação que reduz a quantidade de ações em circulação — dez papéis antigos são reunidos em um novo —, sem mudar o valor de mercado da companhia. As frações que sobrarem serão agrupadas e vendidas em leilão na B3, em data ainda sem divulgação. O dinheiro apurado será repartido entre os acionistas proporcionalmente, depois da liquidação financeira da venda.

B3 marca a posse do novo vice-presidente de Tecnologia

O conselho de administração da B3 (B3SA3) registrou, em reunião extraordinária de 8 de outubro, que Eduardo Oliveira Neves assume a vice-presidência de Tecnologia em 26 de outubro de 2026. A investidura foi confirmada depois que as condições definidas em deliberação anterior do conselho, de 21 de julho, foram cumpridas.

O que fica no radar

Dois pontos seguem sem data fechada: o leilão das frações da Enjoei e o detalhamento das prévias operacionais das construtoras. No setor de construção, o mercado tende a olhar os números em busca de sinais sobre a trajetória de geração de caixa e de rentabilidade nos próximos trimestres — o ponto em que as três prévias desta sexta-feira divergem.