A Copasa (CSMG3) comunicou ao mercado a nova composição do conselho de administração e da diretoria — o primeiro desenho de poder da companhia já na condição de sociedade privada. Na Assembleia Geral Extraordinária (AGE) — reunião de acionistas convocada fora do calendário habitual — de segunda-feira (28), foram eleitos nove conselheiros, com mandato unificado até a assembleia que avaliar as contas do exercício encerrado em 31 de dezembro de 2027. A diretoria, por sua vez, ficou com cinco cargos e prazo próprio, até 28 de setembro de 2028. Nove cadeiras do conselho e cinco postos de diretoria foram redefinidos, e a nova cúpula reúne executivos de longa trajetória no Grupo Equatorial.

Uma cúpula com DNA do Grupo Equatorial

Os dois postos de topo do conselho ficaram com nomes ligados à Equatorial: Tinn Freire Amado na presidência e Leonardo da Silva Lucas Tavares de Lima na vice-presidência. Tinn também tem assento nos conselhos da Equatorial e da Echoenergia, já comandou a Echoenergia como diretor-presidente, foi diretor de Regulação e de Novos Negócios na Equatorial e passou pelo conselho da Sabesp.

Leonardo Lucas reúne mais de 25 anos de carreira, dos quais mais de 21 no Grupo Equatorial, onde entrou em 2005. Desde 2019 é diretor financeiro e de relações com investidores da Equatorial e, a partir de 2022, acumulou a diretoria de M&A — sigla em inglês para fusões e aquisições — e estratégia.

O novo diretor-presidente, Augusto Dantas Borges, tem mais de 18 anos de trajetória no Grupo Equatorial, com passagens pela presidência da Equatorial Maranhão e pela diretoria da Equatorial Pará. Em 2021 assumiu a presidência da CSA (Companhia de Saneamento do Amapá), primeira concessão de saneamento do grupo, e acumulou a presidência da CEA (Companhia de Eletricidade do Amapá), concentrando operações de energia e saneamento.

Quem entra, quem sai e até quando

O conselho eleito tem nove membros, cinco deles classificados como independentes:

ConselheiroCondição
Tinn Freire AmadoEfetivo
Leonardo da Silva Lucas Tavares de LimaEfetivo
Bruno Magalhães e SilvaEfetivo e independente
Denis JungermanEfetivo e independente
Felipe Dutra CançadoEfetivo
Gustavo de Andrade MirandaEfetivo e independente
Gustavo de Oliveira BarbosaEfetivo
José Formoso MartinezEfetivo e independente
Ralph Gustavo RosenbergEfetivo e independente

A diretoria aprovada pelo conselho tem mandato até 28 de setembro de 2028:

CargoNome
Diretor-presidenteAugusto Dantas Borges
Diretor de operações (e, interinamente, de engenharia)Herbert Arnaud Dantas
Diretora de relações institucionais e sustentabilidadeMarília Carvalho de Melo
Diretor financeiro e de relações com investidoresAdriano Rudek de Moura
Diretor comercialCleyson Jacomini de Sousa

Cinco nomes deixaram o conselho: Carlos Alexandre Jorge daCosta, José Alvim Pereira, Márcia Fragoso Soares, Marília Carvalho de Melo e Roberto Corrêa Barbuti. Marília, no entanto, permanece na companhia — ela reaparece na diretoria, à frente de relações institucionais e sustentabilidade. Na diretoria, as saídas foram Laura Petri Geraldino e Pablo Ferraço Andreão.

Maioria independente e mandatos longos: o que muda

O que se altera, na prática, é o equilíbrio de forças dentro da companhia. Cinco dos nove assentos do conselho ficam com conselheiros classificados como independentes — maioria numérica, ainda que a etiqueta de independência não garanta voto alinhado entre eles. Ao mesmo tempo, os cargos executivos de maior peso ficam com profissionais formados no Grupo Equatorial, o que tende a imprimir à Copasa uma lógica de gestão de concessões, combinando saneamento e energia.

Há também o efeito do calendário. Mandatos que atravessam 2027 e 2028 reduzem, em tese, o risco de troca de comando no meio da adaptação à condição privada, mas os dois prazos não terminam juntos: o conselho é renovado na assembleia que examina o balanço de 2027, enquanto os diretores têm garantia até setembro de 2028. Essa diferença abre uma janela em que o colegiado pode ser recomposto antes do fim do mandato da diretoria — movimento que, se acontecer, tende a ser lido como sinal sobre a velocidade da nova agenda.

O comunicado não traz mudanças de política de capital, dividendos ou plano de investimentos, e companhias recém-desestatizadas costumam ter a leitura de mercado definida nos primeiros balanços e no detalhamento do plano de negócios. Para quem acompanha CSMG3, o desenho de poder agora conhecido é o ponto de partida: uma cúpula executiva com forte identidade de gestão de concessões e um conselho de maioria independente com mandato até 2027 — dois vetores que podem convergir ou gerar atrito nas decisões sobre capital e eficiência operacional.