O Conselho de Administração da Copel (CPLE6) aprovou a criação de uma Vice-Presidência de Operações na estrutura da Diretoria Executiva, conforme comunicado ao mercado divulgado em 26 de outubro de 2026. A área nova já tem candidato: o presidente da companhia, Daniel Slaviero, indicou Rogério Pereira Jorge, atualmente Diretor-Geral da Copel Geração e Transmissão S.A. — a Copel GeT, subsidiária integral do grupo —, para ocupar o posto a partir de 4 de janeiro de 2027, desde que o próprio Conselho referende a escolha.

As ações da elétrica paranaense são negociadas na B3 sob três códigos (CPLE3, CPLE5 e CPLE6), e a reorganização anunciada mexe com a camada que responde pela execução física do negócio, não com a política de results ou de remuneração aos acionistas.

Duas decisões separadas, e só uma já está tomada

A criação do cargo está aprovada; o desenho prático da estrutura, não. Falta o Conselho deliberar o regimento interno que vai descrever o escopo de cada diretor executivo, incluindo o ocupante da nova vice-presidência — documento que a companhia não quis datar. Também não foi detalhado como as atribuições serão repartidas entre as diretorias que já existem e a área recém-criada. São, portanto, dois passos distintos: primeiro o colegiado define o que a vice-presidência pode decidir e entregar; depois valida quem senta na cadeira.

O que a integração operacional pretende destravar

A justificativa registrada pela empresa é unir a gestão das operações e capturar ganhos conjuntos nas quatro frentes do grupo: geração, transmissão, distribuição e comercialização. O texto amarra a mudança ao Planejamento Estratégico, à busca de excelência operacional e ao rigor na hora de escolher onde colocar capital.

Em um setor de receita majoritariamente regulada, ganhos de eficiência costumam vir menos de preço e mais de custo, perda de energia e produtividade dos ativos. Concentrar a operação sob um único vice-presidente tende a encurtar o caminho entre a decisão técnica e a decisão de investimento — algo relevante quando quatro segmentos com lógicas diferentes (e prazos diferentes) precisam disputar o mesmo caixa.

Quem é o executivo indicado

Rogério Pereira Jorge comanda hoje a Copel GeT, braço de geração e transmissão controlado integralmente pela Copel. A companhia credita a ele 28 anos de atuação executiva no setor elétrico brasileiro. Se a indicação passar, ele deixa a direção-geral da subsidiária para assumir a vice-presidência no início de 2027 — movimento que também abre uma vaga na estrutura da GeT, cujo substituto não foi informado.

A indicação é descrita como iniciativa de Daniel Slaviero. Na prática, o comunicado formaliza a proposta do presidente, não uma escolha autônoma do Conselho: o colegiado ainda precisa confirmar o nome.

A agenda que o acionista deve marcar

EtapaSituação divulgada
Criação da Vice-Presidência de OperaçõesAprovada pelo Conselho de Administração
Regimento interno com escopo de cada diretorPendente de deliberação, sem prazo informado
Indicação de Rogério Pereira JorgeProposta pelo presidente Daniel Slaviero
Posse na nova vice-presidência4 de janeiro de 2027, se a indicação for aprovada

O que muda de fato para quem tem exposição

Reorganização administrativa raramente altera números do próximo balanço. O que ela faz é sinalizar prioridades de gestão — e, neste caso, a mensagem é de verticalização da operação sob um comando único. Para o investidor pessoa física que acompanha a tese, o ponto de atenção está na execução: uma estrutura com escopo definido depois da nomeação pode gerar sobreposição temporária de funções entre a nova vice-presidência e as diretorias existentes até que o regimento seja publicado.

O comunicado reafirma compromissos já conhecidos do mercado: transparência, boas práticas de governança, aperfeiçoamento do atendimento ao cliente, disciplina na condução do plano de longo prazo e atualização periódica de acionistas e do mercado sobre o andamento da reorganização. Nada disso é novo em conteúdo; o valor está em colocá-lo como compromisso público justamente no momento em que a empresa muda quem responde pela operação.

A criação do cargo está aprovada; o desenho prático da estrutura, não.

O que sobra como fato verificável é curto e objetivo: uma vice-presidência nova, um nome com mais de 28 anos de setor elétrico, uma data de posse e duas pendências — o regimento interno e a confirmação do Conselho. É por aí que se mede se a mudança vira eficiência ou apenas mais uma camada na hierarquia.