Principais pontos

  • A reação ocorre depois de um ano em que as ações acumulavam queda de 30%.
  • A XP estima necessidade total de caixa de cerca de R$ 41 bilhões entre o terceiro trimestre de 2026 e 2030.
  • A execução desse plano será o principal teste de Fabio Schvartsman à frente da companhia.

Os papéis da CSN (CSNA3) avançavam 16,22% a R$ 6,95 por volta das 10h24 da quinta-feira (3) e lideravam os ganhos do Ibovespa (principal índice de ações da B3), logo após a companhia comunicar a troca no comando. Benjamin Steinbruch deixa a presidência executiva depois de 24 anos para assumir o Conselho de Administração, enquanto Fabio Schvartsman, ex-comandante da Vale (VALE3), passa a ocupar a presidência. A reação ocorre depois de um ano em que as ações acumulavam queda de 30%.

A leitura do Ativo Virtual é que o pregão precificou menos a troca de nomes e mais a promessa embutida nela: aceleração da desalavancagem (redução do endividamento em relação à geração de caixa), disciplina na alocação de capital e venda de ativos para atravessar o aperto de liquidez até 2030. Segundo a fonte, a empresa carregava R$ 42,13 bilhões de dívida líquida no segundo trimestre deste ano e conduzia um programa de desinvestimentos justamente para aliviar esse passivo.

O número que o mercado vai cobrar: R$ 41 bilhões até 2030

A XP Investimentos, em análise assinada por Lucas Laghi, Guilherme Nippes e Fernando Urbano, avalia que a CSN tem condições de superar o aperto financeiro e honrar suas obrigações até 2030, mesmo com a pressão sobre a geração de caixa e o nível elevado de endividamento. Os analistas apontam que os motores tradicionais de caixa do grupo perderam força por causa da piora dos fundamentos do minério de ferro e do momento desafiador da siderurgia.

Ainda assim, uma avaliação das necessidades financeiras indica que um plano de financiamento considerado viável permitiria à companhia atravessar o período de maior pressão sobre a liquidez. A XP estima necessidade total de caixa de cerca de R$ 41 bilhões entre o terceiro trimestre de 2026 e 2030.

Plano financeiro 3º tri de 2026 a 2030Valor estimado
Necessidade total de caixacerca de R$ 41 bilhões
Refinanciamento de dívidas bancárias (troca por novas condições)cerca de R$ 20 bilhões
Antecipações de recebíveis de minério (adiantamento de valores a receber)R$ 13 bilhões
Venda de ativosR$ 17 bilhões a R$ 18 bilhões

A execução desse plano será o principal teste de Fabio Schvartsman à frente da companhia. A casa enxerga espaço para queda gradual da alavancagem (relação entre dívida e geração operacional) e uma assimetria positiva para as ações, mas mantém recomendação neutra por causa dos riscos de execução.

A alta de 16% reflete expectativa de disciplina financeira, não apenas a troca de comando.

Por que o BTG aprovou e a XP manteve cautela

O BTG Pactual classificou como positiva a indicação de Schvartsman para o lugar de Steinbruch, que permanece como presidente do conselho. O banco projeta maior ênfase em desalavancagem, rigor na decisão sobre onde investir e avanço na venda de ativos, além de uma possível recomposição da confiança dos investidores.

No mercado brasileiro, anúncios de reorganização com ênfase em venda de ativos historicamente costumam gerar reação rápida nos preços, seguida de uma avaliação mais fria sobre a entrega. Essa dinâmica ajuda a entender a divisão: otimismo imediato com a governança e cautela com o balanço.

Para a CSN Mineração (CMIN3), a XP considera o valuation (cálculo do valor justo da empresa) pouco atrativo. Na visão da casa, os múltiplos atuais já embutem expectativas de aumento de volume, mesmo com previsões mais baixas para o preço do minério de ferro.

De 1993 à diversificação: o fim de um ciclo de 24 anos

Steinbruch liderou em 1993 o consórcio que participou da privatização da CSN e assumiu o comando após a operação. Sob sua gestão, o grupo foi além da produção de aço e passou a atuar também em mineração, cimento, logística e energia.

A mudança no posto mais alto ocorre em fase de reorganização, com o programa de venda de ativos voltado à redução do endividamento. O desempenho da ação no pregão mostra que o investidor pessoa física agora acompanha menos o passado diversificado e mais a capacidade da nova gestão de refinanciar dívidas, antecipar recebíveis e concluir desinvestimentos dentro do cronograma até 2030.