Cinco saídas e cinco entradas na carteira de outubro
A Planner montou uma composição nova para sua carteira de dividendos de outubro. Deixaram a lista Banco do Brasil (BBAS3), Banrisul (BRSR6), Copasa (CSMG3), Porto (PSSA3) e Telefônica Brasil (VIVT3). Nas vagas abertas, entram Allied Tecnologia (ALLD3), Banco Pine (PINE4), BrasilAgro (AGRO3), CSU Digital (CSUD3) e ISA Energia (ISAE4). O provento mais alto do conjunto é o da Allied, de R$ 0,65 por ação na base bruta. O desempenho anterior serve de termômetro: a carteira que saiu de cena fechou setembro com ganho de 5,37%, contra 4,45% do Índice Dividendos (IDIV) no mesmo intervalo. A renovação foi integral — nenhum dos cinco nomes anteriores sobreviveu à revisão do mês.
Allied e CSU Digital dividem o corte de 6 de outubro
O conselho da Allied Tecnologia aprovou R$ 60 milhões em juros sobre capital próprio (JCP) — modalidade de distribuição ao acionista com retenção de imposto na fonte, o que separa o valor bruto do líquido. Por ação, são R$ 0,65 antes dos descontos e R$ 0,5362 na ponta líquida. O papel deixa de carregar o direito ao JCP em 6 de outubro, e o crédito está marcado para 12 de novembro de 2026.
A CSU Digital aprovou R$ 17,1 milhões em JCP, o equivalente a R$ 0,413 por ação na base bruta e R$ 0,34073 na líquida. A data ex é a mesma da Allied, 6 de outubro, mas o dinheiro cai bem antes: 14 de outubro de 2026.
| Empresa (ticker) | Tipo | Valor por ação | Data ex | Pagamento |
|---|---|---|---|---|
| Allied Tecnologia (ALLD3) | JCP | R$ 0,65 bruto | R$ 0,5362 líquido | 06/10 | 12/11/2026 |
| CSU Digital (CSUD3) | JCP | R$ 0,413 bruto | R$ 0,34073 líquido | 06/10 | 14/10/2026 |
| BrasilAgro (AGRO3) | Dividendo | R$ 0,30 | a definir | a definir |
| Banco Pine (PINE4) | JCP proposto | R$ 0,25 | a definir | a definir |
| ISA Energia (ISAE4) | JCP esperado | R$ 0,25 | a definir | a definir |
Três proventos ainda dependem de aprovação
Nem tudo na lista está garantido. No Banco Pine, a Planner trabalha com a hipótese de que o conselho aprove R$ 0,25 por ação em JCP, valor ligado ao resultado do terceiro trimestre. Na BrasilAgro, a proposta é de R$ 0,30 por ação em dividendos do ano-safra 2025/2026, com o desfecho deixado para uma assembleia de acionistas marcada para outubro de 2026.
“Lembrando que a empresa registrou prejuízo no ano-safra 2025/26, mas manteve a proposta de proventos”, segundo a Planner.
A ISA Energia opera com uma política própria: destina ao menos 75% do lucro líquido regulatório a cada exercício, base apurada sob os critérios do regulador do setor elétrico. É a única das cinco com piso de distribuição formalizado. Para outubro, a Planner espera aval do conselho a R$ 0,25 por ação na forma de JCP.
O corte de 6 de outubro e o risco de aprovação
Para a pessoa física que persegue proventos, o valor anunciado é só metade da informação. O direito ao pagamento se define na data ex — quem compra o papel depois desse marco fica fora da distribuição, mesmo com o crédito caindo semanas mais tarde. No caso de Allied e CSU Digital, esse corte acontece no mesmo 6 de outubro.
Há ainda a distância entre bruto e líquido, que ganha peso quando o investidor usa o provento para projetar renda: o que entra na conta é o número líquido, não o destacado no comunicado.
Os três casos restantes carregam outro tipo de risco, o de aprovação. Propostas que dependem de assembleia ou de decisão de conselho ainda podem mudar de valor até a ratificação, o que tende a reduzir a previsibilidade de quem organiza a agenda de recebimentos com meses de antecedência. A política da ISA Energia, com piso de 75% do lucro regulatório, tende a dar mais regularidade ao fluxo anual, mas o valor por ação de cada exercício continua dependendo do lucro apurado.
A rotatividade também diz algo sobre a estratégia. Trocar cinco nomes de uma vez, em uma carteira de periodicidade mensal, indica que a data de cada provento pesa mais na seleção do que uma tese de longo prazo. Para quem usa o produto como referência, o movimento vale menos pelo que entra e sai e mais pelo que revela sobre o papel do calendário na composição do retorno.
