O Itaú BBA refez três posições da seleção de dividendos que indica para novembro. Deixaram a lista Vale (VALE3), Copel (CPLE6) e B3 (B3SA3). As substitutas são CPFL Energia (CPFE3), Gerdau (GGBR4) e TIM (TIMS3). A revisão chega depois de um outubro fraco: a carteira recuou 12,2% no mês, 2,3 pontos percentuais abaixo do Ibovespa.

O que muda, na prática, é o tipo de risco que a carteira passa a carregar. Duas das saídas — Vale e B3 — vinham de exposição a commodity e a volume de negociação na bolsa. As entradas apontam para caixa regulado, operação industrial nos Estados Unidos e receita recorrente de telefonia. A substituição também dilui a dependência de um único tema, em vez de duas apostas no ciclo de commodity e no giro da bolsa, a seleção passa a reunir três motores de caixa com dinâmicas distintas.

EntraSaiArgumento do Itaú BBA
CPFL Energia (CPFE3)Copel (CPLE6)perfil defensivo, balanço confortável e caixa previsível
Gerdau (GGBR4)Vale (VALE3)demanda por aço nos EUA e yield de 9% em 2027
TIM (TIMS3)B3 (B3SA3)receita recorrente e yield de 11% em 2027

CPFL assume a vaga da Copel com caixa regulado

A elétrica que entra no lugar da Copel atua em três frentes: distribuição, transmissão e geração.

A baixa alavancagem entra como reforço num ambiente de juro alto — menos dívida significa menos despesa financeira consumindo o caixa que poderia chegar ao acionista como provento.

Gerdau: aço dos EUA e yield de 9% projetado para 2027

A vaga da Vale foi para a siderúrgica. A justificativa é geográfica, obras de infraestrutura, parques de energia renovável e data centers nos Estados Unidos sustentariam o consumo de aço e as margens da operação americana da companhia, na avaliação da casa. O Itaú BBA também descreve a Gerdau como pouco alavancada, com caixa saudável e dividend yield de 9% estimado para 2027.

TIM: yield de 11% e desconto frente aos pares

Na telefonia, a entrada da TIM é defendida com base em receita recorrente, menor oscilação operacional e perspectiva relevante de proventos.

A briga competitiva do móvel segue como ponto de atenção, ainda que a casa avalie esse risco como já embutido nas cotações. O rendimento de dois dígitos projetado para 2027 é o argumento central da tese — e depende de a operação entregar o caixa esperado nos próximos dois anos.

Outubro: Petrobras ajudou, B3 e Allos pesaram

O mês anterior ilustra o tamanho do tropeço. A carteira perdeu 12,2%, ficando 2,3 pontos percentuais atrás do Ibovespa. Petrobras foi a maior contribuição positiva, amparada pelo cenário favorável do petróleo e de seus derivados. As maiores pressões vieram de B3 (-27%) e Allos (-20%) — e a B3, que sai da seleção, aparece justamente entre os detratores do período.

Yield de 2027 não protege o preço — e a queda de 12,2% mostra por quê

Uma carteira montada para gerar renda não funciona como colchão contra desvalorização. O provento é apenas parte do retorno total; a outra parte vem da cotação, e ela pode cair mesmo entre empresas com histórico de distribuição. O dividend yield é uma foto do passado projetada para a frente, não uma promessa contratual — e outubro deixou isso explícito ao derrubar a seleção em 12,2% em poucas semanas.

As projeções de 9% para a Gerdau e 11% para a TIM, ambas para 2027, carregam um detalhe que costuma passar batido, são estimativas de uma única casa, com dois anos de execução pela frente. Dependem de a siderúrgica transformar demanda americana em margem e de a operadora sustentar receita recorrente num setor competitivo. Não têm relação com o próximo provento a ser anunciado.

A composição nova também diz algo sobre preferência de risco. Trocar commodity e volume de bolsa por receita regulada e contratos de telefonia reduz a dependência de variáveis que a gestão não controla, ao custo de amarrar o retorno a marcos regulatórios e a decisões de preço num mercado concorrido. Para quem acompanha o tema, o recado é que a busca por dividendo, num cenário de juro alto, tende a privilegiar balanços com pouca dívida — não necessariamente os maiores yields da tela.