A dois dias da votação do primeiro turno, o termômetro de volatilidade da B3 cravou o maior patamar desde que passou a existir. O VIX Brasil (S&P/B3 Ibovespa VIX) fechou a 33,68 pontos na sexta-feira (2 de outubro), quinta máxima nominal consecutiva e primeira vez acima dos 33 pontos desde a criação do indicador, em março de 2024.
A bolsa, no entanto, não seguiu o tom de aversão. Sem direção definida no começo do dia, o Ibovespa ganhou tração no trecho final e terminou em 190 mil pontos, o maior nível de fechamento desde abril. O país vai às urnas com a corrida ao Planalto descrita como a mais acirrada já registrada.
O que o VXBR mede e por que a eleição entra na conta
O ticker VXBR replica no Brasil uma lógica importada dos Estados Unidos, onde o CBOE Volatility Index (VIX) cumpre o mesmo papel para o S&P 500. Aqui, o cálculo parte das opções sobre o Ibovespa e projeta a volatilidade implícita esperada para os 30 dias seguintes.
Volatilidade implícita, em tradução direta, é o quanto o mercado espera de oscilação à frente, e esse número é extraído dos preços dos contratos de opções. Não se trata de previsão de queda nem de alta: o que o indicador mede é a intensidade do sobe e desce esperado.
É disso que vem o apelido índice do medo. Em momentos de incerteza, o VXBR sobe e passa a orientar decisões de proteção e de gestão de risco nas carteiras, inclusive de investidores pessoa física que recorrem a opções para limitar perdas.
Em anos de eleição, a percepção de risco sobre a condução fiscal, monetária e econômica tende a crescer, e essa reprecificação se espalha pelos principais indicadores do mercado.
| Indicador | Nível em 2/10 | Referência |
|---|---|---|
| VIX Brasil (VXBR) | 33,68 pontos | maior patamar desde a criação, em março de 2024 |
| Ibovespa | 190 mil pontos | maior nível desde abril |
Bolsa em alta com o medidor de estresse no topo
Os dois números do último pregão apontam para direções distintas e convivem no mesmo fechamento. Enquanto o índice de volatilidade emplaca cinco recordes seguidos, o Ibovespa encerra no melhor patamar desde abril — combinação que costuma surgir quando o mercado espera dias mais nervosos, mas não um movimento generalizado de fuga dos ativos brasileiros.
Para quem acompanha a bolsa de perto, a diferença tem efeito prático. Volatilidade esperada em alta tende a encarecer os contratos usados para proteger carteiras e a ampliar a amplitude das variações diárias, sem dizer nada sobre a direção dos preços. O custo de carregar posição sobe antes de qualquer definição sobre o resultado das urnas.
O que observar depois do primeiro turno
A janela de 30 dias à frente medida pelo VXBR não se encerra com a votação: como o indicador projeta a volatilidade esperada para o período seguinte, o pós-primeiro turno entra na conta conforme a data se aproxima. Na prática, o termômetro tende a seguir sensível ao noticiário político e às sinalizações sobre o rumo fiscal ao longo de outubro, à medida que o primeiro turno dá lugar à etapa seguinte da disputa.
O recorde do VIX, isolado, não responde para onde a bolsa vai. O que ele entrega é a temperatura da incerteza: quanto mais alto o nível, maior o custo de conviver com o risco e mais sensível costuma ser a reação a cada nova informação relevante.
