A Petrobras (PETR3; PETR4) voltou a confirmar a presença de petróleo na Bacia da Foz do Amazonas. Desta vez, o achado apareceu em duas profundidades diferentes dentro de um único poço exploratório, o que, segundo a estatal, amplia o entendimento sobre o potencial da área. O anúncio foi feito na sexta-feira e corresponde à segunda descoberta registrada nessa mesma estrutura — a primeira havia sido comunicada em meados de agosto. A presidente da companhia, Magda Chambriard, detalhou o caso a jornalistas, no Rio de Janeiro.

Óleo em dois níveis no bloco FZA-M-59

O poço fica no bloco FZA-M-59, em águas ultraprofundas na costa do Amapá. A data de início dos trabalhos de perfuração é 20 de outubro do ano anterior e, conforme Chambriard, a fase de furação já terminou — restam manobras e procedimentos para retirar o equipamento.

Petróleo em dois níveis distintos dentro de um mesmo poço aponta para a existência de um sistema petrolífero na região, mas ainda não mede volume nem viabilidade econômica. Essa medição é justamente o passo seguinte.

O calendário até a resposta sobre produção comercial

A estatal revisou a estimativa e agora prevê encerrar o poço até o fim de outubro. Na sequência, quer avançar com três poços delimitadores, capazes de indicar se o ativo reúne condições de produção em bases comerciais. A perfuração dessas novas estruturas está marcada para começar só no primeiro trimestre de 2027, segundo a presidente.

EtapaPrazo
Início da perfuração no FZA-M-5920 de outubro do ano anterior
Primeira descoberta no poçomeados de agosto
Segunda descoberta no poçoanúncio na sexta-feira
Encerramento do poçoaté o fim de outubro
Início dos três poços delimitadores1º trimestre de 2027

O que muda para quem acompanha PETR3 e PETR4

Encontrar petróleo não equivale a comprovar reserva comercial. Um poço exploratório bem-sucedido sinaliza a presença de hidrocarbonetos, não a escala da acumulação. A confirmação que interessa a caixa, à produção e às reservas contábeis depende da etapa seguinte, e é por isso que o cronograma pesa mais do que o anúncio em si.

Na prática, o novo achado tende a reforçar a tese exploratória de médio e longo prazo da companhia, sem alterar o perfil de produção nem a geração de caixa no curto prazo. A estatal trata a área como candidata a nova fronteira exploratória, cenário que só se sustenta se as expectativas se confirmarem.

Para o investidor com posição em PETR3 ou PETR4, o dado que organiza a leitura é o calendário: a segunda descoberta no FZA-M-59 é um marco técnico relevante, enquanto o potencial comercial do bloco só começará a ser testado a partir de 2027. Até lá, a agenda de curto prazo segue concentrada na conclusão do poço, prevista para outubro.