A trajetória de valorização do ouro foi interrompida no pregão desta sexta-feira (2). O contrato de maior liquidez do metal fechou em baixa de 0,95%, a US$ 4.162,30 por onça-troy, na Comex, a praça de metais da bolsa nova-iorquina (Nymex). No acumulado dos cinco pregões, o recuo é de 3,67%. A prata para dezembro acompanhou o movimento e perdeu 1,24%, cotada a US$ 60,415 por onça-troy — uma queda semanal de 10%, bem mais intensa que a do ouro.
No mercado de metais preciosos, a referência de peso é a onça-troy, equivalente a aproximadamente 31,1 gramas — pouco mais que a onça comum.
Payroll de 29 mil vagas esfria o mercado de trabalho americano
O relatório mensal de emprego dos Estados Unidos, o payroll, apontou abertura de 29 mil vagas em setembro, conforme o Departamento do Trabalho do país. O resultado ficou bem distante das 85 mil vagas que o mercado projetava e embaralhou as apostas para a política monetária americana: a ferramenta do CME Group usada para medir essas probabilidades passou a mostrar convicção maior em juros parados na reunião de outubro do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA).
Com essa leitura, o ouro chegou a marcar US$ 4.259,00 por onça-troy na máxima do dia, mas devolveu o avanço e terminou a sessão no campo negativo.
| Contrato (Comex) | Fechamento | Variação no dia | Variação na semana |
|---|---|---|---|
| Ouro dez/2026 | US$ 4.162,30 por onça-troy | -0,95% | -3,67% |
| Prata dez/2026 | US$ 60,415 por onça-troy | -1,24% | -10% |
Treasuries em alta pesam mais que o payroll no saldo da semana
O vetor que realmente travou o metal no cômputo semanal veio da renda fixa americana. Os rendimentos dos Treasuries — os títulos públicos dos Estados Unidos — avançaram, e isso costuma desfavorecer o ouro: o metal não distribui juros nem cupons, de modo que uma renda fixa mais remuneradora tende a reduzir o apelo relativo de carregá-lo.
Do lado da demanda, a base que vinha sustentando os preços não se alterou até aqui, segundo a apuração: as compras de bancos centrais ao redor do globo e as alocações de investidores institucionais seguem preservadas. A queda da semana se encaixa, portanto, como um ajuste em relação aos ganhos anteriores, e não como um rompimento dos fatores estruturais que dão suporte ao metal.
Dólar, reunião de outubro do Fed e o retorno em reais
Para quem acompanha o metal no Brasil, a primeira variável a considerar é o câmbio. A cotação de referência é formada em dólar, então a oscilação da moeda americana frente ao real entra diretamente no retorno de quem tem exposição ao ouro — uma queda lá fora pode ser atenuada ou amplificada aqui, dependendo do dia.
A agenda também merece atenção: a reunião de política monetária do Fed marcada para outubro é o próximo evento capaz de redesenhar as apostas de juros e, por consequência, o interesse por ativos que não pagam rendimento periódico. No mercado doméstico, a comparação com aplicações de renda fixa, que entregam juros de forma previsível, costuma pesar no cálculo de quem usa o ouro como proteção — especialmente em semanas de correção como esta.
O horizonte de análise muda a conclusão. No curtíssimo prazo, o preço responde às taxas americanas e ao dólar; em prazos mais longos, o que sustenta as cotações é a demanda de bancos centrais e de investidores institucionais — um bloco que não se move de uma semana para outra.
