B3 assume vaga na carteira de dividendos e mira o ciclo de capitais

O Itaú BBA mexeu na carteira de dividendos que sugere para outubro e promoveu uma troca entre duas ações: a B3 (B3SA3) entrou no lugar da Axia Energia (AXIA3). No relatório que apresenta a mudança, divulgado em 2 de outubro, a casa projeta para os papéis da B3 um dividend yield — a fatia do lucro distribuída em proventos medida sobre o preço da ação — de aproximadamente 6% em 2027. A cesta reúne cinco papéis.

A aposta se apoia na expectativa de que a atividade de captação e emissões volte a ganhar tração a partir do último trimestre do ano. Num cenário de retomada, a B3 tende a capturar dois efeitos ao mesmo tempo: a receita recorrente de operar a principal engrenagem do mercado de capitais brasileiro e o incremento que vem de um giro maior de negócios e de novas emissões registradas.

O que a B3 opera — e por que isso sustenta o dividendo

A companhia é dona da estrutura sobre a qual o mercado de capitais do país funciona. Suas frentes incluem o depósito centralizado de ativos, a compensação e a liquidação de operações, o registro e a negociação de papéis.

O BBA lembra que a receita se distribui por segmentos diferentes — ações, derivativos e renda fixa —, além dos serviços de dados, o que reduz a dependência de uma única linha de negócio. É essa diversificação, segundo o relatório, que dá lastro à expectativa de proventos mesmo em fases de menor atividade do mercado.

Setembro: Vale pesou e a carteira ficou atrás do Ibovespa

Em setembro, a carteira de dividendos do banco rendeu 4,3%, desempenho 0,7 ponto percentual inferior ao do Ibovespa no mesmo intervalo. O maior peso negativo veio de Vale (VALE3), que recuou 10% no mês.

Conforme o relatório, a mineradora sofreu com a preocupação do mercado em relação aos custos de frete, num ambiente de combustíveis mais caros e de interrupções em rotas relevantes de navegação.

IndicadorSetembro de 2026Acumulado desde jan/2012
Carteira Dividendos do Itaú BBA+4,3%+897%
Ibovespa0,7 p.p. acima+228%

Como a cesta tem apenas cinco ações, cada posição carrega peso relevante no resultado. A queda de dois dígitos de um único ativo bastou para deixar o portfólio abaixo do índice no mês — um lembrete de que carteiras focadas em renda não ficam imunes a choques de custo que atingem as empresas que as compõem.

897% contra 228%: a marca que sustenta a estratégia

Desde janeiro de 2012, quando foi criada, a carteira soma 897% de valorização, contra 228% do Ibovespa no mesmo intervalo. A distância entre os dois números ajuda a explicar por que o banco mantém a estratégia de renda mesmo depois de um mês abaixo do índice.

O que muda para quem acompanha dividendos

A substituição desloca parte da exposição do portfólio para um negócio cujo resultado depende do humor do mercado de capitais. Os cerca de 6% de dividend yield projetados pelo BBA para 2027 embutem, portanto, uma dose de risco cíclico: caso emissões e volumes não reajam como a casa espera, a base de distribuição pode crescer menos do que o estimado; numa retomada mais forte das captações, o efeito tende a ser o inverso.

Para o investidor pessoa física que usa carteiras recomendadas como referência, o perfil da cesta mudou: sai uma exposição e entra outra, agora ligada ao ciclo de capitais, e não apenas à previsibilidade de receitas de infraestrutura. O relatório do Itaú BBA é material de referência da própria casa, e não uma orientação de compra ou venda.