A primeira sessão depois do primeiro turno da eleição presidencial rendeu ao mercado brasileiro uma manhã de dois extremos: o dólar voltou para abaixo de R$ 5 e o Ibovespa cruzou, pela primeira vez, a barreira dos 200 mil pontos. Às 10h50, a cotação de venda da moeda americana estava em R$ 4,979, com a compra a R$ 4,978 — uma queda de 4,55% frente ao real. Às 10h35, o principal índice da bolsa paulista subia 8,39%, aos 208.226,13 pontos.
Duas forças opostas dentro da mesma carteira
Quem tem posições no exterior e quem carrega ações locais sentiu o dia em direções contrárias. Um dólar mais fraco encolhe, quando medido em reais, o retorno de ativos atrelados à moeda americana, como fundos internacionais e BDRs — recibos negociados no Brasil que representam papéis de companhias listadas fora do país. Na ponta oposta, a alta generalizada dos papéis locais eleva o valor de mercado das posições em bolsa brasileira.
Para o investidor pessoa física, o efeito prático aparece na marcação das posições: carteiras concentradas em ativos locais amanheceram com ganhos nominais, enquanto a parcela dolarizada perdeu valor na conversão para reais. No lado dos custos, um câmbio em queda tende a aliviar a pressão sobre insumos importados, efeito que historicamente chega aos índices de inflação com defasagem, e não de imediato. A amplitude do movimento, por sua vez, costuma vir acompanhada de volatilidade nos pregões seguintes: variações acima de 4% no câmbio e de dois dígitos em ações isoladas, em uma única manhã, são eventos de rara frequência.
Quase todos os papéis do Ibovespa no azul, com B3 na liderança
O recorde do índice não se apoiou em poucos nomes. O campo positivo reunia quase a totalidade dos papéis que compõem o Ibovespa no início do pregão, e a B3 (B3SA3) aparecia na ponta das altas, com valorização de 26,11%, a R$ 23,96 por volta das 10h35. A barreira dos 200 mil pontos foi superada nos primeiros minutos de negociação, algo inédito para o índice.
O ponto de partida: R$ 5,216 na sexta-feira anterior
Na sessão de sexta-feira (2), o dólar encerrou com desvalorização de 0,08%, a R$ 5,216, depois de um pregão de vaivém entre o negativo e o positivo. Isso significa que o movimento desta segunda-feira devolveu, em poucas horas, parte relevante do patamar acumulado antes da votação — o recuo de 4,55% levou a cotação de volta ao intervalo entre R$ 4,978 e R$ 4,979.
O que o mercado já negociava antes da abertura local
Fora do Brasil, as negociações antecipavam um dia positivo. O ETF MSCI Brasil, fundo que replica um índice e é negociado em bolsa como uma ação, listado em Frankfurt, registrou ganhos superiores a 14%. Papéis de companhias brasileiras com negociação no exterior, como Itaú Unibanco (ITUB4) e Petrobras (PETR4), também avançaram.
25 de outubro: a data que volta ao radar
Flávio Bolsonaro (PL) somou 47,03% dos votos válidos — os destinados a candidatos, excluídos brancos e nulos — e liderou a apuração do primeiro turno. Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou 45,16%. A disputa será decidida em 25 de outubro, no segundo turno, data que segue como marcador de risco para câmbio e bolsa.
| Indicador | Nível registrado | Variação |
|---|---|---|
| Dólar (compra / venda), às 10h50 | R$ 4,978 / R$ 4,979 | -4,55% |
| Dólar no fechamento de 2/10 | R$ 5,216 | -0,08% |
| Ibovespa, às 10h35 | 208.226,13 pontos | +8,39% |
| B3SA3, às 10h35 | R$ 23,96 | +26,11% |
| ETF MSCI Brasil (Frankfurt) | — | mais de +14% |
