Principais pontos

  • O índice cheio do PCE subiu 0,2% no mês, superando a estimativa de 0,1% da LSEG, e acumula expansão de 3,7% no ano, mantendo-se distante da meta de 2% da autoridade monetária americana.
  • O IPCA-15, que antecipa a inflação oficial brasileira, apresentou deflação de 0,40% em agosto de 2026, revertendo a alta de 0,06% observada em julho.
  • A esse ruído soma-se a decisão do secretário do Tesouro, Scott Bessent, de intervir no mercado de títulos com o objetivo de frear a alta dos rendimentos, adicionando complexidade à precificação do risco soberano e do câmbio.

A moeda americana registra pressão de alta frente ao real nesta quarta-feira (26), refletindo um cenário de assimetria macroeconômica entre as duas maiores economias do hemisfério. Às 10h16, o dólar à vista avançava 0,39%, cotado a R$ 5,160 na venda, enquanto o contrato futuro para setembro — o mais líquido na B3 — recuava 0,05%, aos R$ 5,152. No mercado comercial, os preços de compra e venda marcavam R$ 5,143 e R$ 5,145, respectivamente.

A resistência dos preços nos EUA

A tensão cambial encontra respaldo na resiliência dos preços nos Estados Unidos. O índice PCE (Índice de Despesas de Consumo Pessoal, a métrica favorita do Federal Reserve) em sua leitura nuclear — que isola a volatilidade de alimentos e energia — registrou alta de 0,2% em julho, em consonância com as projeções da LSEG. Na análise anual, o PCE nuclear atingiu 3,3%. No segundo trimestre, o índice de preços do PCE americano subiu 5,3%.

O índice cheio do PCE subiu 0,2% no mês, superando a estimativa de 0,1% da LSEG, e acumula expansão de 3,7% no ano, mantendo-se distante da meta de 2% da autoridade monetária americana. Os gastos do consumidor também avançaram 0,2%.

O Fator Jackson Hole e a Intervenção de Bessent

O mercado financeiro volta suas atenções para Jackson Hole, o tradicional simpósio de política econômica que reúne autoridades monetárias globais. A expectativa é observar se o presidente do Fed, Kevin Warsh, sinalizará a necessidade de novos ciclos de alta nas taxas de juros. A alta recente nos rendimentos dos títulos do Tesouro de longo prazo alimenta a tese de que o aperto monetário precisa ser estendido.

A esse ruído soma-se a decisão do secretário do Tesouro, Scott Bessent, de intervir no mercado de títulos com o objetivo de frear a alta dos rendimentos, adicionando complexidade à precificação do risco soberano e do câmbio.

O alívio inflacionário doméstico

Do lado doméstico, a dinâmica é oposta e traz alívio para a curva de juros local. O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15), que antecipa a inflação oficial brasileira, apresentou deflação de 0,40% em agosto de 2026, revertendo a alta de 0,06% observada em julho.

O IPCA-15, que antecipa a inflação oficial brasileira, apresentou deflação de 0,40% em agosto de 2026, revertendo a alta de 0,06% observada em julho. No acumulado de 2026, o indicador marca 3,09%. A variação em 12 meses desacelerou para 4,24%, cedendo espaço em relação aos 4,52% registrados no período imediatamente anterior. As expectativas levantadas pela Reuters apontavam para uma queda mensal de 0,30% e um acumulado anual de 4,34%.

IndicadorPeríodo / BaseResultadoExpectativa / Meta
PCE Nuclear (EUA)Julho (mensal)0,2%0,2% (LSEG)
PCE Cheio (EUA)Julho (mensal)0,2%0,1% (LSEG)
PCE Cheio (EUA)Acumulado Anual3,7%Meta de 2,0% (Fed)
IPCA-15 (Brasil)Agosto (mensal)-0,40%-0,30% (Reuters)
IPCA-15 (Brasil)12 meses4,24%4,34% (Reuters)