O dólar à vista opera em alta de 0,12% nesta terça-feira (22), cotado a R$ 5,115 na venda por volta das 12h53, recuperando parte do recuo de 0,72% registrado na sessão anterior, quando encerrou a R$ 5,1080. Na B3, o dólar futuro para outubro (DOLV26), contrato mais negociado no mercado brasileiro, avançava 0,21%, aos R$ 5,133. No câmbio comercial, a compra era cotada a R$ 5,114.
O real acompanha a valorização externa do dólar diante de moedas de emergentes e de exportadores de commodities — peso mexicano, peso colombiano e rublo russo estão entre as divisas que se desvalorizam no dia —, em um ambiente marcado pela queda do petróleo e do minério de ferro.
Diferencial de juros: o prêmio em xeque
O eixo que organiza o dia para quem investe é a trajetória divergente das políticas monetárias. A ata da reunião de setembro do Copom, divulgada nesta semana, reforçou o tom do comunicado anterior: o Banco Central enxerga a necessidade de conduzir a política monetária com cautela, mesmo com a atividade econômica dando sinais de desaceleração e a inflação mais fraca nos últimos meses. A última reunião terminou com corte de 0,25 ponto percentual na taxa básica, que ficou em 13,75% ao ano. A pesquisa Focus da véspera indicou que o mercado passou a projetar a Selic em 13,50% no fim do ano.
Nos Estados Unidos, ganha força a possibilidade de o Fed voltar a elevar os juros ainda em 2026. A combinação — Selic em trajetória de queda, juros americanos na direção oposta — tende a comprimir o diferencial de taxas entre os dois países. É esse prêmio que historicamente atrai capital externo para o Brasil, e sua redução costuma pressionar o real.
Fim de trimestre e remessas ao exterior
Segundo agentes de câmbio, a proximidade do encerramento do terceiro trimestre pode ampliar a demanda corporativa por dólares no mercado à vista. O motivo é o envio de lucros e dividendos ao exterior por parte de empresas com controladores ou matrizes fora do país — fluxo que, sazonalmente, tende a ganhar força nesse período do calendário.
Commodities e cenário político
A queda das commodities ajuda a explicar o movimento. Moedas de países exportadores de matérias-primas costumam reagir à fraqueza desses preços, e o real não fica imune a esse canal. No caso brasileiro, o peso do setor na balança comercial faz essa correlação aparecer com frequência.
No campo político, a pesquisa Quaest divulgada na segunda-feira apontou empate entre Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em um eventual segundo turno, a diferença é de apenas 1 ponto percentual, com o senador numericamente à frente; no primeiro turno, o petista lidera por 4 pontos. Pesquisas de intenção de voto entram no radar do câmbio porque sinalizam o grau de previsibilidade da agenda econômica adiante.
Números do dia
| Indicador | Valor |
|---|---|
| Dólar à vista (venda, 12h53) | R$ 5,115 |
| Variação no dia | +0,12% |
| Fechamento anterior | R$ 5,1080 |
| Dólar futuro outubro (DOLV26) | R$ 5,133 |
| Selic após último Copom | 13,75% a.a. |
| Projeção Focus (fim do ano) | 13,50% a.a. |
O que observar daqui para frente
Para quem acompanha o câmbio, o dia reúne três vetores distintos: a compressão do diferencial de juros, o fluxo sazonal de remessas e a fraqueza das commodities. Historicamente, essa combinação costuma reduzir a sustentação do real no curto prazo. A questão que se abre para os próximos meses é quanto do prêmio de juros o país ainda preserva caso a Selic siga em queda enquanto o Fed sinaliza aperto — elemento que interessa diretamente a quem tem exposição a ativos dolarizados ou acompanha o custo do hedge cambial.
